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Alguns de nós, em muitas alturas lutámos para que Música fosse uma das disciplinas do 3º ciclo. Fomos considerados, no mínimo e para não sermos duros ... bizarros. Organizou-se mesmo uma campanha persecutória, quase de caça, neste caso, à bruxa...
Há dias, em Dois génios, referíamos a visita que Franz Liszt fez ao nosso país.
A revista do Expresso, de 16 de maio, faz o seguinte relato:
... chegou a Lisboa a 15 de janeiro de 1845, e por cá se demorou cerca de seis semanas, dando 11 concertos, dois dos quais privados, como foi o caso do recital no Palácio da Ajuda na presença dos reis. (,,,) Estava-se no auge da lisztomania! A rainha ofereceu-lhe uma caixa de rapé de ouro cravejada de diamantes, avaliada em um conto de réis e que hoje pode ser admirada no Liszt Haus, em Weimar. Liszt dedicou a D. Maria II a partitura da transcrição da "Marcha fúnebre" de "Don Sébastien, roi de Portugal", de Donizetti, e a D. Fernando II, a sua "Marcha Heróica em estilo húngaro". Também ofereceu à rainha o piano que trouxera para os concertos (hoje no Museu da Música, em Lisboa) - a primeira vez que se via um piano de cauda em Portugal! Durante a sua estadia em Lisboa, Liszt compôs "Le Forgeron" (...) e a "Grande Fantasia de concerto sobre Melodias Ibéricas", Há ainda indicações que teria pensado compor uma ópera sobre Camões. A vinda de Liszt a Lisboa marcou uma viragem no ambiente musical do país.
O pianista António Rosado gravou Liszt in Lisbon.
Como não conseguimos essa gravação, reproduzimos Harmonie du soir, uma das peças do referido disco, aqui tocada por Jorge Bolet
Um nasceu em 1811, o outro, a 22 de maio de 1813. A genialidade, a Música e o parentesco unia-os. O primeiro era sogro do segundo. Admiravam-se mutuamente. O primeiro escrevia transcrições para piano de obras do segundo (Também lhe pagava as contas...). Eram, são, geniais. O primeiro esteve em Portugal em 1845, tendo os seus concertos sido um êxito (Desta viagem falaremos um destes dias). O segundo nunca cá esteve.
Claro, Liszt e Wagner!
Apresentamos a transcrição para piano, de Liszt, da abertura da ópera Tannhäuser, de Wagner.
Há canções que precisaram de um "empurrãozinho" para se tornarem ícones da música. A canção We shall overcome é uma delas. Canção folk, com várias referências quanto à sua origem e autoria, tornou-se um hino na luta pelos direitos cívicos dos negros, ao ser cantada por Guy Carawan (1927- maio de 2015) em 1960.
Em 1965, nas marchas liderada por Martin Luther King, de Selma para Montgomery, foi cantada como símbolo dessa luta. Continuou a ser cantada como hino de esperança em ocasiões como na luta na Praça de Tainanmen e quando da queda do muro de Berlim.
Numa altura em que continuamos com lutas pelos direitos cívicos de muitos, numa época de crise de valores, mesmo nas nossas dificuldades diárias, relembremos que podemos superar esses problemas:
We shall overcome, we shall overcome someday
Deep in my heart, I do believe, we shall overcome someday.
Reproduzimos uma das versões mais conhecidas, a de Joan Baez, cantada ao vivo em 1965
Não se pode falar de Abril, não se pode comemorar o 25 de abril sem se recordar a Trova do vento que passa, cantada por Adriano Correia de Oliveira, com letra de Manuel Alegre e música de António Portugal.
Letra atualíssima, pois, ainda hoje, esperamos que
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Podes ler este poema e outros da Praça da canção, de Manuel Alegre, que este ano comemora 50 anos da sua edição.
José Afonso, em 1972, lança o disco Eu vou ser como a toupeira, onde está incluída esta faixa, A morte saiu à rua, uma homenagem a José Dias Coelho, artista plástico, militante do Partido Comunista, morto pela PIDE, em dezembro de 1961
José Jorge Letria também foi um dos cantores de intervenção, embora a voz não fosse das melhores.... Em 1972 gravou o disco Até ao pescoço, do qual aqui reproduzimos Arte poética, com letra de Hélia Correia.
Que o poema tenha carne ossos vísceras destino que seja pedra e alarme ou mãos sujas de menino. Que venha corpo e amante e de amante seja irmão que seja urgente e instante como um instante de pão.
Só assim será poema só assim terá razão só assim te vale a pena passá-lo de mão em mão.
Que seja rua ou ternura tempestade ou manhã clara seja arado e aventura fábrica terra e seara. Que traga rugas e vinho berços máquinas luar que faça um barco de pinho e deite as armas ao mar.
Só assim será poema só assim terá razão só assim te vale a pena passá-lo de mão em mão
Adriano Correia de Oliveira tinha uma voz fantástica. Cantou muitas canções que ainda hoje são uma marca. Menina dos olhos tristes fala-nos da Guerra Colonial, de um soldado que morre e deixa triste toda a família e amigos, com letra de Reinaldo Ferreira e música de José Afonso. Uma canção para não esquecermos.
Temos aqui apresentado vários géneros de música, mas ainda não tínhamos falado da música que surgiu nos Estados Unidos no início do século XX - jazz - e que rapidamente se estendeu à Europa e aos outros continentes.
Com uma infância, adolescência e vida adulta atribuladas, ontem, assinalou-se o centenário do nascimento de uma das divas do jazz, Billie Holiday.
Aqui na sua versão do celebérrimo Summertime, da ópera Porgy and Bess, de George Gershwin
Lady Day, como também era conhecida, morreu a 17 de Julho de 1959.
Não vamos preocupar-nos com o Dia das Mentiras, ou das Petas, ou, como dizem os ingleses, Fool's Day. Não o fazemos por uma simples razão - todos os dias é comemorado...
Fotografia de Robert Capa, embora existam dúvidas quanto à sua veracidade.
Vamos sim, recordar dois acontecimentos marcantes. O primeiro, de LUZ, depois de um longo período de TREVAS - o final da Guerra Civil Espanhola, 1 de abril de 1939, com a rendição de Madrid. Uma nova ditadura iria começar, mas...
Podemos recordar duas obras-primas como tributo aos muitos milhares que sucumbiram, Guernica:
e o livro Por quem os sinos dobram, de Ernest Hemingway
No século anterior, em 1873, nascia o compositor russo Sergei Rachmaninov, que muita LUZ nos trouxe, por exemplo, com o fabuloso Concerto nº 2
O nascimento de de Rudolf Nureyev a 17 de março de 1938 fez-nos recordar a importância do ballet, da música ligada ao ballet, de alguns bailarinos famosos e de algumas companhias. A antiga União Soviética foi o berço dos bailarinos mais famosos, como iremos constatar.
Vaslav Nijinsky (1889-1950) bailarino e coreógrafo foi considerado o maior bailarino do século 20. Dançava em pontas, o que era raríssimo entre os bailarinos. Em 1909, juntou-se à companhia Ballets Russes, criado por Diaghilev (1872-1929). Esta companhia foi tão importante que inspirou pintores, como Picasso, estilistas, como Coco Chanel, e músicos, como Stravinsky. Como curiosidade, podemos referir que, durante a estreira de A sagração da Primavera, em 1913, em Paris, houve quase uma batalha entre os apreciadores e os detratores deste moderno ballet ...
Nureyev, como já vimos, nasceu em 1938, tornando-se um dos maiores bailarinos, depois de Nijinsky. Como ele, desertou da União Soviética, em Paris, em 1961.
No exílio, Nureyev continuou a sua carreira, agora como par da mais famosa bailarina, a inglesa Margot Fonteyn (1919-1991), para além de uma amizade que durou até à morte da bailarina. O ballet Marguerite and Armand, criado em 1963, por Frederick Ashton, para estes dois bailarinos, inspirado em A dama das camélias, não sendo mais dançado durante o século passado.
Anos depois, outro ícone russo, que também desertou, neste caso para o Canadá, nascido em 1948 - Mikhail Barishnikov.
Bolero, de Maurice Ravel, foi uma obra encomendada pela bailarina russa Ida Rubinstein. Composto em 1928, é uma peça de um só andamento, a mais famosa de Ravel.
Em 1929, Toscanini dirigiu a Filarmónica de Nova Iorque, na estreia americana da obra, alterando o que, para Ravel, seria o tempo exato. A discussão entre os dois génios tornou-se lendária, cada um tentando convencer o outro.
Tema de vários filmes, foi com Bo Derek, em 10, que alcançou uma fama incomensurável.
Estes últimos dias teriam sido a felicidade de Gene Kelly que lhe permitiriam uma Serenata à chuva, do filme Uma americano em paris, ainda mais 'molhada'...
Mas melhor, é recordar os Fifth Dimension e Let the sun shine in, do musical rock Hair, que os fala de um grupo de hippies de Nova Iorque, seguidores de Aquarius e ativistas da luta contra a guerra no Vietname,
Pode parecer uma grande lamechice, masMúsica no coração acompanhou uma geração e, ontem, fez 50 anos. Não é um filme de autor, não é uma obra de arte , não faz parte dos cânones dos cinéfilos, mas...
Assim começa...
As canções ficaram nos nossos ouvidos, até por serem repetidas ad nauseam, na rádio. Falava, como esta canção, das Favourite things.
O filme tem a paisagem sublime da Áustria, das montanhas, da Salzburgo de Mozart, e ensina-nos História - a invasão alemã e os perigos dos que resistiam ao nazismo.
Baseado no livro de Maria von Trapp, sobre a sua família, é o terceiro filme mais rentável de sempre, depois de E tudo o vento levou e A guerra das estrelas. A Biblioteca do Congresso, em 2001, selecionou-o para ser preservado no National Film Registry pelo seu valor cultural, histórico e estético.