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28/06/2016

FOTÓGRAFO AMBULANTE

Fotógrafo em Santa Luzia

 Das poucas vezes que vieram os retratistas, com antiquíssimas máquinas que assentavam num tripé, juntávamo-nos para admirar o modo como o homem se compenetrava a preparar o seu engenho. Havia uma manga de flanela preta, e o homem enfiava a cabeça por ela dentro para farejar as pessoas de longe. Vinha na véspera das festas. (...) Não havia vez nenhuma  que ele não saísse de dentro da sua manga de flanela para vir endireitar uma cabeça, estreitar um pouco mais as pessoas para que ficassem no campo da lente, compor melhor a posição dos braços, o arco do pescoço, a altura das cabeças. (...)
  A minha e a infância dos meus irmãos ficou apagada do tempo e do luxo dos retratos. Nunca fomos de anjo nas procissões e nunca os meus pais se comoveram com a voz suplicante desses retratistas de fora da terra que garantiam a perfeição humana e a arte de emprestar à vida um pouco de sabor e saudade.

   De um livro a ler, ou reler, estas férias.



  A BE empresta.

23/06/2016

A DECISÃO

  BREXIT ou não BREXIT, recorda Astérix entre os Bretões, o humor de Uderzo e Goscinny, o rugby, o chá, a poção e...

08/06/2016

NOVIDADES

   Um subsídio que recebemos permitiu-nos estas compras que já podemos emprestar.

 


     


        





































































































































































































































































































































































































































































                                   



07/06/2016

NG 183

  Antes de ires embora, ainda podes ler o número deste mês da National Geographic.





22/05/2016

DIÁRIOS

 É conhecida a nossa predilecção por diários. Hoje em dia, o facebook tomou conta das vidas de muitos, tornando-se o moderno diário, com todos os seus malefícios - efémero, demasiado "aberto" e pouco interessante.
 Os diários que estão publicados, como já aqui referimos, mostram-nos uma época, uma personalidade, uma história.
 Em Biblioteca, de Pedro Mexia, podemos ler sobre os diários da família do escritor russo Tolstoi. Lendo o diário de Sofia Tolstoi uma coisa ficamos a saber - a vida diária com um génio é difícil...


   Os últimos anos da vida de Tolstoi e a sua fuga, estão relatados em várias fontes. O romancista mantinha um diário, que escreveu até ao fim, Sofia também, e os filhos, amigos. alguns empregados, toda a gente escrevia os seus diários. Nos últimos tempos, aliás, o ambiente em Iasnaia Poliana estava muito envenenado pela multiplicação de registos, sendo que muitos dos diaristas se liam uns aos outros, com consentimento mútuo, numa «política de verdade» que tornou as relações pessoais insustentáveis. Sofia, que leu tudo o que Tolstoi escreveu, confessou uma vez que nunca o conheceu.

13/05/2016

FRASEANDO



 Há frases que apesar de curtas ficam mesmo para a História. Quando foi perguntado a Humberto Delgado o que faria a Salazar caso ganhasse as eleições, naquele dia 10 de maio de 1958, o General, sem hesitar, declarou: «Obviamente, demito-o». A frase ficou, até como símbolo de uma esperança que não se cumpriu.


 Muitos séculos antes, depois da morte de D. Fernando, em 1383, quando Portugal se encontrava sem herdeiro ao trono, com D. Leonor e o conde de Andeiro a querer tomar o poder, segundo o cronista Fernão Lopes, quando Álvaro Pais prometendo a ajuda do povo ao Mestre de Avis e o instiga a matar o conde, aceitando por em obra essa «boa cousa», de acordo com Maria Helena da Cruz Coelho, na biografia de D. João I, o cronista apenas coloca na sua boca um ponderado «certamente que ssi», e não qualquer frase de arrojada ou imprudente valentia.
  A primeira frase deu esperança, a segunda mudou o rumo do país.

  A BE empresta a biografia de D. João I.

10/05/2016

NG 182

 Em maio, seguimos Filipe II da Macedónia e os seus tesouros, na National Geographic,


  um mergulhador, num dos Lagos Azuis, no Cáucaso, proporciona-nos esta beleza de imagem,


  todo o colorido do Haiti e mais, muito mais.


04/05/2016

TULIPA




   Tempo de Primavera, tempo de flores, tempo de tulipas.
 Há séculos que esta flor se tornou uma fonte de rendimento, de algumas fortunas colossais. Mas, nem sempre assim foi. Em fevereiro de 1637 os preços, até aí inflacionados, caíram abruptamente, causando muitas perdas de fortunas e desacatos.
  A economia holandesa, hoje em dia, é alimentada pelo negócio dos bolbos e da exportação de flores.



   Alexandre Dumas, em 1853, publica o romance A tulipa negra sobre a mais desejada flor, tema de muitos concursos que visavam a sua criação. Finalmente, em 1937, é apresentada a Black Parrot, a tulipa mais escura que se conhece.


03/05/2016

REPESCAR

 Há livros que estão "na moda", mas que, depois, ficam emprateleirados quase indefinidamente. Aqui está um exemplo:

 Editado em 1962, da autoria do escritor neo-realista Alves Redol (1911-1969), foi livro de leitura obrigatória durante anos a fio. Mudaram-se os tempos, mudaram-se as vontades e Constantino continua a sonhar. Hoje, decidimos repescá-lo. 
  A BE empresta-o. Começa assim:

  Tem doze anos, mas não deitou muito corpo para a idade, Ainda está a tempo. Um homem cresce até ao fim da vida, se não em altura, pelo menos em obras e ambições. E nisso promete. (...)
  Cantigas não é apelido de família - é alcunha. E nas aldeias são estas que valem por muitas gerações. Também da parte do pai o apelido Cara-Linda, que já de si parece facécia, perdeu o uso quando passaram a tratá-lo por Cuco. Foi uma história de caça: não vem agora ao jeito contá-la, nem valerá a pena.
  O Constantino ficou assim Cantigas e Cuco. Será por isso que gosta tanto de pássaros?!... 

  Do mesmo autor, recomendamos, e emprestamos, também Avieiros, Gaibéus, A vida mágica da Sementinha, A flor vai ver o mar.

02/05/2016

O TEMPO

  A expressão o tempo voa é bem representativa da velocidade a que andamos. Basta lembrarmo-nos que ainda há pouco tempo comemorávamos o Novo Ano e já estamos quase a meio do ano. Como o gastámos? Com conta e tempo?
   A necessidade de medir o tempo não é de agora, mas a leitura de D. Fernando, de Rita Costa Gomes, (a BE empresta) levou-nos até ao relógio que D. Fernando mandou colocar, em 1377, na Sé de Lisboa, da autoria de João «Francês»


 Um pouco antes, 1370, Carlos V mandara colocar um relógio na Île de la Cité, único relógio de Paris durante muitos anos, que foi sendo restaurado, acrescentado, transformado e que, hoje em dia, apresenta este aspecto.


  Eduardo III de Inglaterra, em 1377, instala um relógio na torre do Castelo de Windsor, mas deste não há imagens. Da época deste rei, nenhum exemplar sobreviveu. O da Catedral de Salisbury talvez seja o mais parecido com os que foram colocados durante esse reinado.




18/04/2016

ABRIL 2


   Sobre este último livro de Manuel Alegre, Eugénio Lisboa, no Jornal de Letras último, escreve: « Sumo oficiante de uma arte poética moderna, Alegre é igualmente de uma prosa lavada, certeira, assertiva, musical, percetiva e... inevitável.»
  Poeta do antes e do pós 25 de abril, foi  na comemoração dos 40 anos que escreveu:
  É um caso único na História de que devemos ter orgulho.Revolução pioneira e precursora: pela primeira vez numa situação revolucionária, a democracia venceu.  O 25 de Abril mostrou ao mundo que era possível passar da ditadura para a democracia sem cair numa nova ditadura.
  A eles, autor e livro, voltaremos.

09/04/2016

NG 181

  Neste número de abril, um álbum de animais em extinção fotografados por Joel Sartore.


 O centenário da participação de Portugal na I Guerra é retratado através da colisão do caça-minas Roberto Ivens com uma mina.


  93 dias de Primavera vão lembrar-nos, com imagens lindíssimas, como a estação é bonita quando não ... chove.

06/04/2016

A MALA DE ANNE FRANK

   


  Margot e eu começámos a arrumar os nossos pertences mais importantes numa mala da escola. A primeira coisa que enfiei foi este diário. e depois frisadores de cabelo, lenços, livros da escola, um pente e algumas cartas velhas. Preocupada com o pensamento de ir para um esconderijo, enfiei as coisas mais loucas na mala, mas não me arrependo. As recordações significam mais para mim do que os vestidos. (...) Miep chegou e prometeu regressar mais tarde, levando com ela um saco cheio de sapatos, vestidos, casacos, roupa interior e meias. Depois disso ficou tudo muito silencioso no nosso apartamento. (...)
   Nós os quatro estávamos embrulhados em tantas camadas de roupa que parecia que íamos passar a noite num frigorífico. e tudo apenas para conseguirmos levar mais roupa connosco. Nenhum judeu na nossa situação se atreveria a sair de casa com uma mala de viagem cheia de roupas. (...)
   Margot atafalhou a sua mala com livros da escola, foi buscar a bicicleta e, com Miep à frente, partiu para o desconhecido. De qualquer maneira, foi isso que pensei, uma vez que não sabia que não sabia onde era o nosso esconderijo.
O diário de Anne Frank

02/04/2016

VISITA A VIANA



1909
Viana do Castelo, 2 de Abril

Em Viana, para visitar o meu amigo João Queiroz que tem casa na Areosa, o solar da Boa Viagem, alguns quilómetros a norte de Viana. almoço opíparo. À tarde leva-me à praia de Carreço onde, diz ele, é fácil encontrar pedras pré-históricas entre os rochedos. Lá vamos, pelas 3 horas. A maré está baixíssima e não há vento. A área arqueológica estende-se cerca de 1.000 metros para sul de Montedor. Ao cabo de algum tempo lá encontro um machado muito bem talhado em pedra, para partir marisco, ao que suponho, que pela aparência tanto pode ter 20 como 200 anos... O João que é engenheiro e pragmático abana a cabeça e diz convicto: «Muito mais, muitíssimo mais!» Vamos depois a pé, ao longo dum trilho paralelo à praia, em direcção a Montedor, para vermos as pias salinas pré-históricas talhadas em granito, que se estendem ao rés do chão, de um efeito muito curioso. Vamos ainda à Gelfa, alguns quilómetros para norte, onde há uma pequena praia cheia de godos enormes, lindíssimos, com cores variadas. Partimos depois para Viana e entramos pelo Campo da Agonia. Ao fundo o solar que pertenceu ou pertence à família da mulher de Guerra Junqueiro. Na sua escadaria de pedra morreu de ataque de coração o pai de Teodorico Raposo (1), quando, mascarado de urso, se preparava para ir a um baile... Para-se a charrete mas o João, conservador e monárquico, nada quer com o Junqueiro e essa história do Teodorico Raposo parece-lhe bizarra. Olha depois desconfiado para o solar, suponho que com receio de ver aparecer as barbas demagógicas e ímpias do poeta a flutuar ao vento que agora sopra forte. Vamos depois para a estação onde espero o comboio do Porto que aparece envolto em fumo e ruído.
A. Campos Matos, Diário íntimo de Carlos da Maia

(1) personagem de A relíquia, Eça de Queirós.

29/03/2016

A FELICIDADE DOS LIVROS

   


  Nestes dias talvez tenhamos mais algum tempo para ler. Sobre livros e leitura, a opinião de Pedro Mexia, no livro Lei seca.

  Ontem à noite, esvaziando caixotes, senti inesperadamente a felicidade dos livros. Uma felicidade que não se esgota em lê-los nem em tocar neles, mas exige ambas as dimensões, intelectual e táctil. Gosto de vê-los assim, arrumados ou desarrumados, o volume dos volumes em várias salas, parede acima, simétricos e exactos. Gosto de lhes encontrar o sítio, de ir folheando, tocando, lendo, perdido no impecável caos dos livros.

UMA CERTA TENDÊNCIA
   Trollope disse uma vewz que se orgulhava da sua biblioteca de cinco mil volumes, dos seus cavalos favoritos, dos bons vinhos que guardava na garrafeira e daquilo a que chamou «uma certa tendência para desaparecer».
   Eu não possuo estábulos nem licores requintados, mas gosto de ficar em casa no contentamento dos livros, e também já não dispenso «uma certa tendência para desaparecer», tanto metafórica como literal. Mas não é orgulho: é necessidade.    

20/03/2016

PRIMAVERAS

  A Primavera chegou às 4.30. Vem cinzentita, mas com ela vem a renovação, os dias maiores.
  Sempre foi celebrada. Na música, com Vivaldi e Stravinsky, por exemplo:




 Na pintura, com Botticelli, Poussin, Sisley, Van Gogh.




 






  A Primavera, como renovação e esperança, foi usada em termos políticos, em várias ocasiões, como a Primavera de Praga e a Primavera Marcelista que, curiosamente, chegaram no mesmo ano, 1968.
  A primeira deveu-se a Alexander Dubcek, líder do Partido Comunista Checoslovaco que, a 5 de abril de 1968, apresentou as reformas que contrariavam as normativas da União Soviética, permitindo a liberdade de imprensa, a independência judicial e a tolerância religiosa. Toda a euforia desta Primavera terminou, tragicamente, a 21 de agosto, com a invasão do país por tropas russas. Jan Palach personificou esta luta quando se imolou pelo fogo. Milan Kundera escreve sobre esta luta em A insustentável leveza do ser. (A BE empresta)


  Depois de anos de salazarismo, com a nomeação de Marcelo Caetano para Presidente do Conselho de Ministros, a 27 de setembro de 1968, o país acreditou numa renovação, evolução na continuidade, numa certa abertura - a PIDE mudou de nome, a oposição pode concorrer às eleições de 1969 e, semanalmente, aparecia na RTP a explicar as suas ideias, nas famosas Conversas em família. Depois da crise de Coimbra, em 1969, de algumas greves, da intensificação da guerra colonial, esta Primavera também acabou. 


Boa Primavera!

19/03/2016

PAI



   Pai, estou em frente ao espelho.
  Relembro-te um momento em que estavas de cócoras ao meu lado e me ajudavas a montar um lego, tendo de te agradecer isso, de te debruçares sobre as minhas brincadeiras, cresci com a tua sombra. Tenho de agradecer-te o hálito a cefé pela manhã, quando me acordavas para ir para a escola, e, claro, o primeiro after-shave que me deste, depois de rapar o buço incipiente que me pautava o lábio superior. Pai, ainda uso a mesma marca, não consigo imaginar outra, se a fábrica deixar de os produzir desisto de fazer a barba. Tenho de te agradecer o primeiro jogo do Sporting que vi no estádio de Alvalade, o Manuel Fernandes, o Oliveira, o Damas, mas acima de tudo o facto de gritares golo como se reclamasses a eternidade, nunca esquecerei da tua voz a fazê-lo, era a única que ouvia no delírio, era o grito que eu seguiria como se fosse o Messias, eu, com sete anos a correr atrás da revelação, da religião, da vida eterna que era uma palavra de quatro letras, como o impronunciável nome de Deus era para os judeus. (...) 
  Tenho de agradecer-te, pai, o modo como sorrias quando eu chegava a casa e te abraçava, confuso pela tua presença breve, delicada, como uma brisa. Se um dia vier a acreditar em Deus, não quero relâmpagos e trovões, quero um sorriso delicado como aquele que aparecia no teu rosto. O mundo, quer-me parecer, é muito mais um sorriso ou uma flor a abanar ao vento ou um grand canyon. (...)
  Mas encontrar-nos-emos aqui no espelho, ou num golo do Sporting, em quatro letras.
  Até já.

  Excerto de Flores, de Afonso Cruz, que a BE empresta. 

17/03/2016

DA LEITURA SE FAZ LUZ

  Falar de livros e do gosto pela leitura é sempre um prazer. Ter uma assistência interessada e participativa, ainda melhor.
 As turmas dos 8º A e B recordaram algumas histórias populares, livros da sua infância, banda desenhada, Uma aventura...


  Ficaram a saber que a leitura tem de nos dar prazer, tem de nos ajudar a esquecer situações mais difíceis.
  Conheceram outros autores, livros que podem requisitar na BE. Vão ser todos leitores regulares? Certamente, não. Mas alguma coisa nova os interessou. Foi apenas uma semente.
  As fotografias estão aqui.