Bem vindo ao Blogue da Biblioteca Escolar do Agrupamento Monte de Ola. Aqui poderás encontrar notícias sobre a atividade da nossa Biblioteca. Poderás, também, enviar sugestões, notícias ou comentários. Este espaço foi aberto para ti. Colabora, participando nele.
Há anos que lutamos por uma verdadeira articulação entre disciplinas e ciclos. Há anos que tentamos que essa articulação seja feita. Há anos que vamos conseguindo assim-assim. De há anos para cá, tem vindo a melhorar. (Claro que deveriam ser os próprios programas a estar articulados, mas...)
A filosofia de Faz-se luz! é essa mesmo.
Nas novas compras, com a verba deste projeto, adquiriu-se este livro que vamos começar a ler com todo o gosto.
Logo no prefácio, João Lobo Antunes chama a atenção para:
A ciência vai buscar às letras (às «belles lettres» de Arnold) como instrumentos, metáforas («buraco negro») e invenções linguísticas («quarks»).
A imaginação, visual ou metafória, é parte integrante da descoberta científica.
A «poesis» científica e a poética não são tão diferentes como supomos.
Na nota introdutória, o autor escreve que não encontrei até agora nenhum livro - repito: nenhum - que não pudesse ser relacionado directa ou indirectamente com a química.
AJosé Luís Peixoto, em muito boa hora, foi pedido que anotasse este magnífico livro de Antoine de Saint-Exupéry. No início, foi uma edição para a revista Visão, que esgotou rapidamente, estando a ser reeditada.
Livro belíssimo com ilustrações de Hugo Makarov, como se pode ver logo que o abrimos.
Como no caso de Saint-Exupéry nos EUA, também a viagem do príncipe é um exílio.
Fazer check-in, passar na máquina dos metais e apanhar os pássaros para qualquer destino, com ou sem escalas.
Este episódio é, muito provavelmente, uma citação de "A maravilhosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia", de Selma Lagerlöf. Varrer vulcões, como quem dá nitidez à memória. Os vulcões do país natal da sua mulher (El Salvador) são uma possível inspiração.
Uma mudança de perspetiva leva a aprendizagens.
Na Patagónia, a Agupa Saint-Exupéry é um pico de 2558 metros, batizado em homenagem ao escritor.
O príncipe pensa que os homens apenas repetem o que ouvem.
Essa ideia mostra que também ele tem as suas crenças moldadas por aquilo que o rodeia. Também ele é imperfeito.
O Capuchinho Vermelho, o Gato das Botas, a Gata Borralheira, a Bela Adormecida e o Barba Azul continuam a povoar a imaginação da nova geração. São contos imortais, cheios de maravilhoso, fantasia e ensinamentos.
Parabéns a Charles Perrault. Faz, hoje, 338 anos. Vamos lê-lo.
Quanta felicidade, sonho e cumplicidade trouxe este simpático coelho a milhões de crianças em todo o mundo, desde a sua publicação em 1902. Quantas vezes apareceu como prenda de Natal.
Da sua autora, Beatrix Potter, da sua vida, da sua inspiração, da sua obra, voltaremos a falar.
Quando a cidade de Paris era uma festa, o pintor impressionista, Henri de Toulouse-Lautrec, 24 novembro 1864–9 setembro 1901, retratou-a na sua alegria, diversão e can-can, com a música de Offenbach.
Durante este tempo, Eça de Queirós também por lá andou. A cidade, o seu luxo, civilização e chic foram descritos, em A cidade e as serras, com Jacinto e o 202 dos Campos Elísios.
José Luís Peixoto estará, na próxima quinta-feira, às 21.30, na Biblioteca Municipal, para falar sobre o seu último livro, Em teu ventre.
As aparições de Fátima são tema desta obra. Como nos lembramos, Lúcia, Jacinta e Francisco foram perseguidos pelo administrador, pela Igreja e pela própria família que não acreditavam no que as crianças diziam.
Transcrevemos uma passagem sobre a mentira:
Uma mentira, fina como um cabelo, perturba para sempre a ordem do mundo. Aquilo que sabemos tem muita importância. Tomamos decisões, vamos por aqui ou por ali, consoante aquilo que sabemos. (...)
Uma mentira, mesmo que transparente, perturba o entendimento que os outros têm da realidade, leva-os a acreditar que é aquilo que não é. Essa poluição vai turvar-lhes a lógica do mundo. (...)
Uma mentira baralha tudo aquilo em que toca, desequilibra o mundo. É por isso que uma mentira precisa sempre de mentiras novas para se suster. O mundo não lhe dá cobertura. Para alcançar a coerência, cada mentira requer a criação apressada de um mundo de mentira que a suporte. É assim que a mentira vai avançando pela verdade dentro, como uma toupeira cega a abrir túneis e câmaras no interior da terra. Quando se abre a boca para libertar uma mentira, a primeira, filha de nada que a justifique, nunca se consegue ter noção completa de onde chegará. (...)
Uma mentira pode construir edifícios imensos, levantar cidades; uma mentira pode pôr em movimento milhares de pessoas, pode dar propósito a multidões incalculáveis, cada pontinho a ser uma cabeça com história; uma só mentira pode manter em cativeiro gerações inteiras de pessoas que ainda não nasceram, netos que os avós não são capazes de imaginar, ignorantes da mentira original que os domina. Entendes? Consegues entender o que te estou a tentar dizer-te?
Sem pestanejar, Lúcia continuou a fixar o padre nos olhos, mas não lhe respondeu, continuou em silêncio, a respirar pelas narinas, com os lábios apertados.
A grande sabedoria popular, nas suas adivinhas e provérbios, contribui para o nosso conhecimento da natureza, da agricultura e da meteorologia.
O S. Martinho não foge à regra e são inúmeros os exemplos desta tradição oral. Das adivinhas, transcrevemos apenas duas:
Alto foi nascimento, fui criada num convento, e quando me ia a rir, tamanho trambolhão dei que a minha casa não voltei! De mim nasce uma donzela, mais formosa do que eu, ela vai com quem me deixa, eu fico com quem me deu.
Os agricultores aprendiam, através de provérbios ancestrais, transmitidos oralmente, quais as sementeiras e as tarefas de cada mês, estação ou festa, como é o caso da época em que estamos.
No dia de S. Martinho prova o teu vinho, No dia de S. Martinho lume, castanhas e vinho Pelo S. Martinho mata o teu porco e semeia o teu cebolinho. Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
Pela mesma razão, não podemos estranhar esta temperatura fantástica que temos tido, pois
Verão de S. Martinho são três dias e mais um bocadinho.
Mas, não esqueçamos que.
Se o inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
Estes e outros provérbios podes encontrar nesta obra de José Pedro Machado.
- Quando o cavalheiro não está, vou a sua casa, a sua bela esposa serve-me um chá e eu pago a gentileza com uma boa dose de informação, que é coisa que as crianças não aprendem na fábrica.
- Qual fábrica?
- A escola - disse a Beatriz, a olhar para o senhor Ulme com um sorriso.
Dois diálogos de Flores, o novo livro de Afonso Cruz de que se vai falar, amanhã, às 21.30, na Biblioteca Municipal.
Não são o Uderzo e o Goscinny, mas têm traços comuns e o texto assemelha-se. Jean-Yves Ferri e Didier Conrad segue a "receita" e continuam a dar-nos umas horas de puro prazer, bem atualizado - redes sociais, wikileaks - mas, também, os romanos, os javalis e as lutas.
No Outono, não são só as folhas das árvores que caem, caem, também, as folhas de novos livros. Hoje, apresentamos algumas das novidades que saíram ou estão quase a sair
(Afonso Cruz estará, no próximo dia 6 de novembro, nas Conversas com..., na Biblioteca Municipal.)
A BE não tem nenhum destes títulos, ainda. Certamente, não os vamos comprar todos. Podem ajudar-nos a escolher, enviando as vossas sugestões.
Uma oportunidade a não perder, À Conversa com Carlos Fiolhais, na Biblioteca Municipal, no dia 23 de outubro, às 21.30. Falará sobre o livro Pipocas com telemóvele sobre outros assuntos. Um comunicador nato! Vão adorar.
Depois do chantilly, um pouco calórico... temos de nos redimir.
Como sugestão de leitura para hoje, Uma nova corrida marada, de Ana Paula e Pedro Figueiredo.
Logo no início, os Dez mandamentos para uma alimentação saudável, seguidos de uma história em que a ratinha Rita vai dando conselhos sobre alimentação.
O Sr. Joãozinho das Perdizes chega ao local de voto, com os seus homens:
A
barba por fazer, as melenas despenteadas, o lenço do pescoço solto, sem botões
o colarinho da camisa, com as mãos metidas no cós das ceroulas, o chicote no
bolso da jaqueta de peles, as botas enlameadas até o joelho, a ponta do cigarro
ao canto da boca, o palito atrás da orelha, o chapéu sobre o óccipit, dois
galgos adiante se si, e o inseparável Cosme quase «a latere», entrou no adro
com ares triunfantes, sorrindo e piscando os olhos para o seus amigos e
partidários, como para lhes fazer notar a numerosa procissão que o seguia a
docilidade dos membros dela.
Atrás
vinham eleitores de Pinchões, velhos e moços, ricos e pobres, mas todos com um
olhar tímido e estúpido, todos com movimentos enleados, todos com os olhos no
caudilho, para saber o que deviam fazer; se ele parava a cumprimentar um amigo,
paravam todos com ele, a direcção que tomava, tomavam-na todos a um tempo;
apressavam ou demoravam o passo, segundo a velocidade que ele dava aos seus; se
ria sorriam; se praguejava, tudo ficava sério. O cortejo parou à porta da
igreja.
O
morgado passou a revista à sua tropa, à qual deu instruções.
Os
homens, com os cabelos para diante dos olhos, os braços estendidos e a cabeça
baixa, não ousavam fazer um movimento e conservaram-se enfileirados até nova
ordem do Sr. Joãozinho.
Depois de várias peripécias eleitorais, como Brasileiro já a contar com a vitória:
Adiantava-se lentamente, pálido, curvado,
acabrunhado como nunca, o velho herbanário, a quem o braço de Augusto servia de
apoio.
Dir-se-ia
um cadáver ressuscitado do túmulo.
Com
as faces pálidas, o olhar amortecido, os passos incertos, o herbanário
adiantava-se, e trazia já de longe o braço estendido, segurando a lista que
vinha lançar na urna.
(...)
O morgado das Perdizes, deveras afeiçoado ao herbanário, não teve
O morgado das Perdizes, deveras afeiçoado ao
herbanário, não teve mão em si, ao vê-lo assim doente e enfraquecido, que lhe
não viesse ao encontro, dizendo comovido:
-
Ó tio Vicente! Pois nesse estado?!…
(...)
- Cala-te. Deixa-me passar, que quero, como
homem desta terra, protestar contra a iniquidade que tu e os teus praticam
hoje, apedrejando aquele a quem deveis tudo. Vendei-vos como cães, e ficai-vos
com esse remorso; eu não o quero para mim.
E o dia acabou em festa, com bombos e com a vitória de...
Júlio Dinis, n' A Morgadinha dos Canaviais, publicado em folhetim, nos jornais(1868), apresenta-nos uma sociedade nos extremos do Minho, com todos os problemas da época - a lei que proíbe os enterros nas igrejas, a civilização que rasga novas estradas e as eleições. Cria, também, fantásticas figuras como o tio Vicente, Bento Petrunhas e o Sr. Joãozinho das Perdizes.
Nessa pacata aldeia, os ânimos acendem-se no dia das eleições em que concorrem o Conselheiro Manuel Bernardo Mesquita e o brasileiro de torna-viagem, Eusébio Seabra.
Imagem do filme A Morgadinha dos Canaviais (1949). À esquerda, o Brasileiro
Os manejos dos amigos do conselheiro e
principalmente do infatigável Tapadas conseguiram ainda resultados importantes
em relação ao tempo em que principiaram a operar com mais energia. Algumas
freguesias havia com que já se podia contar.
A
eleição porém estava muito arriscada ainda. O Sr. Joãozinho das Perdizes devia
decidir a contenda. Para onde se inclinasse o morgado com todo peso dos seus
comparoquianos, desceria o prato da balança.
Contra
ele pois assestou o conselheiro toda a artilharia; mas sem o menor resultado. O
homem evitava subtilmente encontrar-se com ele, e aos seus emissários respondia
com insolência. O Seabra pela sua parte nunca os largava, vigiava-o como um
precioso tesouro, não se descuidava de o manter nas disposições hostis contra o
conselheiro, com quem Henrique estava ligado. Depois disse-lhe que o
conselheiro se gabava de ter dinheiro para comprar o morgado e toda a
freguesia.
O
morgado, sob estas e análogas instigações, praguejava e jurava despejar na urna
ministerial o sufrágio da sua freguesia.
Assim
pois todas as probabilidades eram a favor do candidato do governo, homem
desconhecido deste povo, o qual também era desconhecido para ele, um empregado
de secretaria, que nunca saíra de Lisboa e que era o primeiro a rir-se do
campanário obscuro de que se propunha a ser representante; criatura dos
ministros, que o desejavam eleger a todo o custo, por terem nele um voto
complacente e um parlamentar de boa feição.
Ontem, dizia-se que o guarda-chuva era uma novidade para a época, o que nos aguçou a curiosidade.
Pelos vistos, chegou à Península Ibérica no século XVIII, mas os Chineses já o tinham inventado 3 000 anos antes. Os Espanhóis conheceram-no no México. Contudo, os Ingleses foram os maiores divulgadores deste ornamento:
Na aceitação do guarda-chuva teve um papel importante uma excêntrica personagem da pequena nobreza , Jonas Hanaway, verdadeiro apóstolo do guarda-chuva. Conhecera-o na Rússia e começou a apreciar tanto o seu uso que nunca o largava. Apresentava-se de guarda-chuva na mão, tanto nos círculos elegantes como nos bairros operários, sempre alheio aos assobios e insultos de vândalos da rua e sem prestar atenção aos protestos dos cocheiros que viam no guarda-chuva uma obscura ameaça. De tudo se defendia o elegante senhor Hongway, brandindo o guarda-chuva e gritando como um iluminado: «Deixem passar os novos tempos...»
(Esta interessantíssima personagem merece um artigo, e vai tê-lo) A transcrição e outras informações aqui apresentadas foram retiradas desta curiosíssima obra que a BE empresta.
O desejo do Homem voar já vem de Ícaro, passa por Bartolomeu de Gusmão e a sua Passarola (ler Memorial do convento, de José Saramago) e, chegados a 1793, surge-nos, em Lisboa, e, mais tarde, no Porto, Lunardi.
O balão de Lunardi, em Oxford Street
Lunardi montou uma barraca no Terreiro do Paço e aí instalou o globo aerostático para gáudio do público que pagava cem réis por entrada( o preço baixou depois para vinte réis ou um vintém); aos domingos fazia-se a demonstração da preparação do hidrogénio. O pior é que Lunardi caiu sobre a alçada de Pina Manique, que o mandou prender, a pretexto dumas licenças e editais. Correram boatos que o acusavam de feitiçaria ou, no mínimo, de ser estrangeiro dado a actividades subversivas. Com o tempo, tudo se foi esclarecendo e Lunardi obteve as necessárias autorizações. (...) a viagem aérea ficou marcada para 24 de Agosto de 1794, (...) Pelo sim, pelo não, Pina Manique mandou infiltrar a multidão de espectadores com polícias à paisana.
(O resto do texto podem ler em Haja luz!)
Bocage escreve, então, um Elogio poético à admirável intrepidez com que em domingo 24 de Agosto de 1794, subio o Capitão Lunardi no balão aerostático, um poema de quinze estrofes de oito versos cada. Compara o feito com os Descobrimentos:
Segundo Jorge Calado, Lunardi faleceu em 1799, em Lisboa. Contudo, Rómulo de Carvalho consultou todos os livros de óbitos da Torre do Tombo e não encontrou qualquer registo do seu falecimento.
Um dos grandes, e controversos, escritores de língua inglesa nasceu há 130 anos.
D. H. Lawrence - David Herbert Richards Lawrwnce - nasceu em 1885, na zona mineira de Nottinghamshire, que tão bem vai retratar em algumas das suas obras. As dificuldades da família - pai mineiro e mãe operária fabril, apesar das suas habilitações para o ensino, a desumanização das áreas industriais vão refletir-se na sua obra, para além da sexualidade sempre presente, o que lhe irá causar muitos dissabores, proibições de vendas e julgamentos.
A morte da mãe, em 1910, ano em que publica O pavão branco, afeta-o profundamente. A relação com a mãe e a dor da sua perda estão magnificamente descritas em Filhos e amantes, obra autobiográfica. Durante os anos da I Guerra, Lawrence instala-se na Cornualha, onde escreve dois dos seus mais conhecidos romances - O arco-íris (apreendido, depois de ter sido considerado obsceno)e Mulheres apaixonadas - e é acusado de espionagem, o que o leva a um exílio voluntário,viajando pelo mundo.
Em Itália, nos anos 20, escreve mais dois romances de sucesso que, de novo, lhe vão criar problemas e inimigos - A virgem e o cigano e O amante de Lady Chatterley. Este último, publicado nos Estados Unidos, em 1928, numa edição censurada, foi levado a tribunal, assim como a editora Penguin, em 1960, a fim de ser provado que se tratava de uma obra literária, apesar da linguagem usada, não mais obscena do que a que se pode ouvir, hoje, na rua ou em qualquer transporte público...
As constantes viagens de D. H. Lawrence levaram à publicação de Lugares Etruscos e O mar de Sardenha.
Com uma vida pessoal atribulada, saúde física e mental débil, casamento e divórcio de Frieda, amizades e outras ligações, D. H. Lawrencw morreu em 1930.
Merece ser lido e a BE empresta O amante de Lady Chatterley.
Gabriel O Pensador conta-nos num rap a sua necessidade de escrever e como começou essa paixão.
Muito bom para ser usado na primeira aula de Português.
(...)
- Ei... Ei... Parado você aí! - Quem, eu? - É você mesmo, vai pra onde? - Vou trabalhar. - O que é que é isso aí? É droga? - Não, mas faz quem usa viajar. - É o que? É arma? - Não, mas faz quem usa ser mais forte. - O que é que você vai fazer com isso? - Eu vendo isso pra quem tem o poder de compra dos que não podem comprar e ajudo a aplicar no povo e explico o modo de usar. Eu vendo livros, cara. - É um bom negócio? - Honesto e bom, pode crer. E a melhor parte é poder entregar sabendo que alguém vai ler. Tem gente que escreve por ego ou só pra fazer firula; o meu texto é simples, sincero, é tinta que sai da medula, eu chuto as palavras pra fora e elas que vem me buscar num jogo de bola e gandula.
Alguns dos autores de que já aqui temos falado descrevem a luz e o mar de uma forma sublime. Mais do que uma nova sugestão para os lerem, deixamos aqui algumas dessas frases para abrir o apetite.
A luz da manhã chega como encomenda atrasada do
estrangeiro, desculpe senhor carteiro, foi há tanto tempo que já nem a
esperava, mas sabe, amigo, às vezes a luz do dia é retida na alfândega, por
suspeitas no tamanho do embrulho, não podemos deixar crescer o contrabando de
dias felizes.
A luz baça do mistério
- Mas é de ti que eu gosto. Quando estou contigo, as
luzes acendem-se.
O osso da borboleta,
Rui Cardoso Martins
O sol de Agosto cegava-nos com a sua incandescente luz
branca, a brilhar o cabelo louro que ela usava em ondas a tocar os ombros
frágeis.
E encostado à parede do comedor, reparei que debaixo da
porta do escritório do meu pai havia uma lista de luz solitária.
O sol é uma mancha esbranquiçada, intensa, a incendiar a
atmosfera àquela hora em que a tarde começa, com uma luz difícil de suportar,
claridade ácida a prender-nos o pensamento.
Meninas,
Teresa Horta
Por detrás das portas, adivinhava-se uma luz mortiça
disfarçada na cortina que se abria, numa nesga, para deixar passar o olhar…
O negrume pintava nas nuvens um paredão que puxava o
horizonte para mais perto.
No nosso imaginário existem personagens que, pela sua bravura e pelo seu desejo de defender os seus ideais e causas, ultrapassaram os séculos e fronteiras.
Brites de Almeida, mais conhecida por Padeira de Aljubarrota, julga-se que nasceu em Faro, em 1350. Segundo alguns, tinha seis dedos em cada mão, o que, por ser um facto raríssimo, lhe augurava um vida diferente, mágica, cheia força e capacidade de trabalho. Depois de uma vida cheia de aventuras, instala-se em Aljubarrota.
Nesse dia 14 de agosto de 1385, os exércitos portugueses e castelhanos confrontam-se numa batalha decisiva para a nossa independência. Graças às táticas utilizadas, as tropas comandadas por Nuno Gonçalves Pereira infligiram uma pesada derrota ao inimigo, na Batalha de Aljubarrota. De acordo com a lenda, sete castelhanos fugiram da batalha e esconderam-se num forno, pensando assim escapar a uma morte certa. A sua pouca sorte levou-os ao forno de Brites que, com uma pá, os matou um a um, tornando-se símbolo de uma mulher determinada e de coragem.
Muitos séculos depois, em 14 de agosto de 1926, nascia René Goscinny, o criador. com Albert Uderzo, de uma outra figura que povoa a nossa imaginação - Astérix.
Como a Padeira de Aljubarrota, Astérix usa a sua força na defesa da sua aldeia e da sua independência. Não consta que tivesse seis dedos, mas a poção mágica que bebia em situações especiais davam-lhe uma forca inimaginável, apenas comparável à de Obélix e à amizade que os unia.
A BE empresta as aventuras de Astérix, assim como dos seus "irmãos" Lucky Luke e Iznogoud, para além de livros sobre Brites de Almeida.