05/07/2016

ABC MONTE DA OLA

  Quando ainda éramos uma C+S, mais pobres, mas muito felizes, apareceu o ABC Monte da Ola, em junho de 1990. O programa da Semana Cultural era intenso, como iria continuar a ser nos anos seguintes, com o culminar com a visita de Carlos Lopes.


  No ano letivo 90/91, o jornal é dirigido pelo Clube de Jornalismo da Escola, altera o grafismo, e assim vai continuar com regularidade durante alguns anos, com a participação efetiva dos alunos. Nasce a Gralha.


  Nova interrupção, nova equipa, novo grafismo e o jornal passou a revista Olas. A Gralha continuou a dar bicadas.


   De repente, tudo o vento levou. Passou um vendaval que tudo queria arrasar. Foi o jornal, foi a revista, mas a Gralha lá foi dando bicadas aqui e ali e, essa, não conseguiram calar...
  Agora é tudo facebook...

04/07/2016

IN MEMORIAM




   Elie Wiesel, setembro de 1928, 2 de julho de 2016.
   Prisioneiro dos campos de Auschwitz e Buchenwald.

   Para não esquecermos.
 

03/07/2016

VERÃO

 Para além da praia, de uma liberdade que não havia durante o resto do ano, o Verão significava "festas de garagem" - num espaço disponibilizado, garagem ou não, um gira-discos portátil, alguns discos e uma tarde de dança. Era assim no início dos anos 70. Recordávamos êxitos passados, também eles a recordar outros verões, como este tema famosíssimo, 1961, de Chubby Checker que se perpetuou:

  Come on! Let's twist again
  Like we did last summer
  Let's twist again
  Like we did last year


  Poucos se recordarão ainda da Radio Monte Carlo, que transmitia em francês, e que, durante anos, às 21 horas em ponto, tocava um outro êxito já com muitos anos nessa época - The Platters, Only you.


  Que este Verão seja mais um que fique para recordar.
  Divirtam-se!

02/07/2016

CORES



   Quem nunca leu Ruben A.não sabe o que está a perder. Pode começar por este Cores (1960), pequenas ficções cada uma dedicada a uma cor.
  Para abrir o apetite, deixamos algumas passagens.

  Coitadas das Almoendras, sempre à espera do Verão para ver se na feira alguém olhava para elas e, depois de pouca discussão, as levava. Pareciam vacas humanas postas ao natural para melhor comodidade dos fregueses. Se uma delas casasse, as outras iriam todas com ela para uma trigamia.

  A transfusão de sangue tinha operado o seu milagre - realmente o sangue azul corria-lhe nas veias (...)
 A franca convalescença provara o bom resultado da transfusão. Estavam todos satisfeitos - (,,,) o fidalgo que arruinado dos pés à cabeça, ainda se aproveitara do seu sangue para arranjar uns cobres com a transfusão (...
  A ideia resultara em bem: encher-se de puro sangue azul para facilmente ser recebido em sociedade-

  Queria um sangue Parker com pergaminhos...

  A BE empresta

01/07/2016

JULHO



Foi n'uma tarde de Julho

Foi n'uma tarde de Julho.
Conversávamos a medo,
- Receios de trair
Um tristíssimo segredo.

Sim, duvidávamos ambos:
Ele não sabia bem
Que o amava loucamente
Como nunca amei ninguém.
E eu não acreditava
Que era por mim que o seu olhar
De lágrimas se toldava...

Mas, a dúvida perdeu-se;
Falou alto o coração!
- E as nossas taças
Foram erguidas
Com infinita perturbação!

Os nossos braços
Formaram laços.

E, aos beijos, ébrios, tombámos;
- Cheios d'amor e de vinho!

(Uma suplica soava:)

«Agora... morre comigo,
Meu amor, meu amor... devagarinho!...»

António Botto, Canções

30/06/2016

AQUELE VERÃO

  Aquele é o verão de todas as calamidades. As temperaturas baixam e ocorrem profundas alterações climáticas em quase todo o mundo. É um verão de medos, de superstições, de exacerbar de crenças religiosas. É o verão do reinado da literatura gótica e das pinturas marcadas por céus ameaçadores e estranhos pores de sol. Aquele é o verão  do caos absoluto, e nada volta a ser como dantes.

Pôr do sol sobre o lago - Turner
  "Aquele" é o verão de 1816, segundo Valdemar Cruz, na revista do Expresso, do último sábado. Foi um verão de frio e muita chuva. Foi um verão de guerra e de destruição. Foi um verão de encontros, de criação e  muito produtivo. Um verão que levará à criação de Frankenstein e Vampiro:

   Se Mary (Shelley), com "Frankenstein", decidira suscitar a fundamental questão sobre o direito moral de criar vida artificial, Byron opta por um longo e apocalíptico poema intitulado "Darkness" (Escuridão). John Polidori, que entretanto de incompatibilizara com Byron, escreve "O Vampiro", uma obra precursora de um  género, na qual muitos viram a figura de Byron e que mais tarde servirá de inspiração a Bram Stocker para escrever "Drácula".

29/06/2016

O BOM GIGANTE

  Quando, nos finais dos anos 60, fui para o Porto estudar no Liceu Carolina MIchaëlis, o cinema tornou-se um hábito. Nesse tempo, gostava de ir ao cinema. Não havia pipocas, não havia telemóveis a tocar, as pessoas não passarinhavam durante a projeção e o ecrã era grande. Que saudades!
  Viam-se filmes bons, assim-assim e ... Trinitá, um cowboy insolente... com Terence Hill e Bud Spencer. Uma "cowboiada" com algum humor duvidoso, muito murro e os bons sempre a ganhar.


   Bud Spencer morreu há dois dias.


Isabel Campos

28/06/2016

FOTÓGRAFO AMBULANTE

Fotógrafo em Santa Luzia

 Das poucas vezes que vieram os retratistas, com antiquíssimas máquinas que assentavam num tripé, juntávamo-nos para admirar o modo como o homem se compenetrava a preparar o seu engenho. Havia uma manga de flanela preta, e o homem enfiava a cabeça por ela dentro para farejar as pessoas de longe. Vinha na véspera das festas. (...) Não havia vez nenhuma  que ele não saísse de dentro da sua manga de flanela para vir endireitar uma cabeça, estreitar um pouco mais as pessoas para que ficassem no campo da lente, compor melhor a posição dos braços, o arco do pescoço, a altura das cabeças. (...)
  A minha e a infância dos meus irmãos ficou apagada do tempo e do luxo dos retratos. Nunca fomos de anjo nas procissões e nunca os meus pais se comoveram com a voz suplicante desses retratistas de fora da terra que garantiam a perfeição humana e a arte de emprestar à vida um pouco de sabor e saudade.

   De um livro a ler, ou reler, estas férias.



  A BE empresta.

27/06/2016

GEOSÍTIOS

 Há dias reproduzimos uma notícia da NG sobre o Geoparque de Viana e do trabalho desenvolvido pelo Ricardo Carvalhido. Quem se interessa pelo assunto pode inscrever-se num workshop realizado pelo CMIA, no próximo dia 2 de julho. Informações aqui.