10/11/2016

ON NE DIT PAS... ON DIT...


      
                                     não se diz atelier                 diz-se oficina
                                     não se diz dossier                diz-se arquivador
                                     não se diz placard               diz-se expositor
                                     não se diz envelope             diz-se sobrescrito
                                     não se diz soutien                diz-se estrofião

estrofião só pode ser um palavrão


Bandolim, Adília Lopes 
   

08/11/2016

PERSONALIDADE +

Um pouco mais de sol. Um pouco mais de azul

Há uma semana que estão disponíveis as cartas e postais que Mário de Sá-Carneiro enviou a Fernando Pessoa, entre 1912 e 1916, ano em que morreu com apenas 26 anos. Podemos consultá-los no novo site dedicado ao poeta, Mário de Sá-Carneiro online, construído para divulgar, internacionalmente, a obra de um dos mais originais poetas do modernismo português. O site, ainda em desenvolvimento, será bilingue. Neste momento, apenas a biografia se encontra em português e inglês. 
No primeiro semestre de 2017, Adriana Calcanhoto, cantora e compositora brasileira apaixonada pela obra de Mário de Sá-Carneiro, vai ser professora convidada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E mais uma vez, yesthe times they are a' changin'...

07/11/2016

AFINAL!!!

  Paddy Cosgrave, irlandês de 33 anos, é o co-fundador da Web-Summit, a mais importante conferência europeia de tecnologia, que, este ano, se realiza em Lisboa, de 7 a 9 de novembro.

Paddy Cosgrave em Lisboa
 Numa das últimas edições da revista Sábado, podemos ler uma entrevista sua, com sublinhado nosso:

Qual é o objeto de trabalho que não dispensa?
A minha peça favorita de tecnologia executiva é o meu lápis. Sublinhar é a minha meditação.
E nos tempos livres o que gosta de fazer?
Leio muito. Um dos livros que li recentemente foi "Free to choose", de Milton e Rose Friedman. (...) Gosto de ler o que não está na moda...

Afinal, ... nem só de computadores se vive!

06/11/2016

A GRALHA


I' m back!
Mais trôpega, mais pitosga, mais rabugenta, a passar mais tempo no ninho, mas com boa memória. 
Os 56 anos do edifício do Cinema Palácio (infelizmente com outra utilização) e a reabeartura do cinema Trindade, no Porto, fizeram avivar memórias. 
Desde muito nova, ainda sem ousar voos solitários, era levada por pássaros mais velhos ao cinema. Alisávamos as penas, escolhíamos uma plumagem de festa e, cheios de emoção, lá íamos ver animais da nossa espécie ou de outras, como Tom & Cherry, Bugs Bunny.
Quando as luzes se apagavam e se abriam as cortinas, o mundo do maravilhoso surgia. A mais antiga recordação é de Fantasia de Walt Disney onde, entre outros, as minhas elegantíssimas primas avestruzes dançam admiravelmente. (Podem ver o filme na BE).

Depois, seguiram-se filmes mais "sérios", conforme a nossa idade. Limpámos os olhos com as nossas asinhas, rimos até nos caírem as penas, abrimos os olhos para o mundo e sonhamos ... com Robert Redford em The great Gatsby,


com Warren Beatty em Reds

e com Jack Nicholson em Voando sobre um ninho de cucos.

No segundo intervalo, o primeiro tinha sido antes do começo do filme, íamos ao WC, bebíamos ou comíamos. Acima de tudo esvoaçávamos para ver, e ser vistos, quem estava. Não havia o péssimo hábito de comer painço assado, em muitos casos ruidosamente, e bebericar durante a sessão, muito menos entrar e sair, incomodando os outros.
A televisão transmitia durante poucas horas. Não havia i-pads, nem afins. O ecrã era gigante. O som não afetava os nossos pobres tímpanos. No final, conforme a hora, lanchávamos, ou, já uma avezinha crescidinha, depois da sessão da noite voava até à Cunha para um Nebraska com chantilly.
O cinema era um must semanal.
Those were the days!
Bicadas ternas e saudosas da vossa 

Gralha

05/11/2016

APRENDIZAGEM

Piper é a nova curta-metragem da Pixar. Está a ser projetada antes do filme À Procura de Dory, a sequela de À Procura de Nemo. Realizada por Alan Barillaro, esta obra-prima da animação deixa-nos completamente rendidos. Segundo Barillaro, as linhas pormenorizadas das personagens e dos objetos e a focagem da câmara visam colocar o espectador num documentário sobre a natureza, à boa maneira de National Geographic. Piper conta a história de um filhote de maçarico que se aventura a sair do ninho, pela primeira vez, para procurar comida. 


A versão completa está disponível aqui.


04/11/2016

BOM DIA!

Room of Philosophy, Jungho Lee

A expressão "Bom dia!" é usada na língua comum por muitas pessoas no português europeu há muito tempo. Foi inventada por alguém um dia e a moda pegou. Saber se foi assim e como isto aconteceu e acontece é uma questão muito complicada. (...)
Acho "Bom dia!" lindo. É um grande verso, um grande poema. Acho que o Homem não fica zangado se eu disser que acho "Bom dia!" tão bom e melhor do que a "Odisseia" e a "Ilídia".
"Bom dia!" é uma oração, um poema de amor, uma epopeia.
Bandolim, Adília Lopes

03/11/2016

A POESIA VOLTOU A SÃO BENTO

Aquela cativa, que me tem cativo, porque nela vivo, já não quer que viva (...)

O Ministro das Finanças esteve ontem no Parlamento para mais uma audição sobre o Orçamento de Estado para 2017 (desta vez trouxe as famosas tabelas). Respondeu às críticas sobre as cativações de verbas dos ministérios, recorrendo aos versos iniciais de uma redondilha que Camões escreveu para Bárbara, a escrava por quem se perdeu de amores na Índia. Estava inspirado o Senhor Ministro. De Camões passou a Jorge Luís Borges. Após uma intervenção de uma deputada, arremessou, Só devemos falar para melhorar o silêncio. O ambiente azedou.
A oposição não quis deixar de estar à altura das incursões literárias de Mário Centeno e, socorrendo-se também de Camões, eis que surge Perdigão Perdeu a Pena
No programa Governo Sombra do passado sábado, Pedro Mexia recordou o episódio que levou Natália Correia a escrever o poema satírico Truca-Truca. Durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez, um deputado de nome Morgado, afirmou que o acto sexual é para fazer filhos. Natália Correia inspirada pelas declarações do dito deputado, logo escreveu o poema e pediu a palavra. As gargalhadas vieram de todas as bancadas e e a sessão teve de ser interrompida.
Não, não vamos transcrever o Truca-Truca.
Natália Correia (1923 - 1993)


02/11/2016

MUSEU DA MÚSICA MECÂNICA

Sempre que um homem sonha

Durante 30 anos, o professor Luís Cangueiro aliou a paixão pela música com o  espírito colecionista. Conseguiu reunir mais de 600 caixas de música, realejos, autómatos, fonógrafos e gramofones que podem ser agora apreciados no Museu da Música Mecânica, em Pinhal Novo, Palmela. A coleção é representativa da música mecânica, dos finais do século XIX à década de 30 do século XX. Todas as peças expostas estão funcionais, permitindo que se ouçam os seus sons, as suas melodias que nos levam a viajar por memórias de outros tempos e de outras sonoridades.
Vale a pena começar por uma visita virtual aqui.
His Master's Voice (HMV)



01/11/2016

A MORTE E DEPOIS

 Infinite gratitude, René Magritte, 1963

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo,
fatos escuros, olhos de lua de cerimónia,
viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.

"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
primeiro, os olhos... em seguida, os lábios...
depois os cabelos... a carne, em vez de apodrecer,
começaria a transfigurar-se em fumo...
tão leve... tão subtil... tão pólen... 
como aquela nuvem além vêem?

Nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira


Por mim, nos dias 1 e 2 de Novembro - os dias em que as nossas sociedades científico-técnicas, que fizeram da morte tabu, permitem a visita dos mortos -, coloco um CD com o Requiem Alemão de Brahms e outro com o Requiem de Mozart no leitor de CD, em homenagem aos meus pais, amigos e todos os mortos - poderão ser uns cem mil milhões. A música diz-nos o indizível: o que é existir simultaneamente no tempo e fora dele. 
Padre Anselmo Borges
in DN


31/10/2016

INQUIETAÇÕES

Quando temos um candidato à presidência dos EUA que considera as alterações climáticas "uma farsa", vale a pena chamar a atenção para Antes do Dilúvio (Before the Flood), o novo documentário com Leonardo DiCaprio. 
Antes do Dilúvio lança um alerta urgente para as consequências catastróficas das emissões de carbono para a atmosfera. O ator viaja pelos cinco continentes, vai explicando os efeitos das alterações climáticas e o que se pode fazer para os combater. Conta com participações especiais de Barack Obama e do Papa Francisco, com quem DiCaprio se reuniu para discutir o tema.
Hoje podem ver Antes do Dilúvio, às 21:00, na RTP 1. O documentário está também disponível, gratuitamente, na Internet, no canal youtube.


P.S. - Amanhã é dia de Pão por Deus, só para lembrar...