Quando, nos anos sessenta, muitas aves tiveram de partir por essa Europa à procura de um ninho e um milho mais gostoso, no regresso, nas vacances, gorjeavam numa linguagem que lhes deu o nome: os avec. Não era por mal, mas por necessidade.
Hoje, muito nouveau rich, muito in, alguma passarada fala um dialecto estranho. Para os entender é preciso um know how que esta pobre Gralha já não consegue obter.
Com mais tempo para ler jornais, tive de fazer um
upgrade do meu vocabulário com tanta
startup, cashflow, trend, brand, input, output (como diz o Zézé da peça "
Filho da treta", só conheço o
Halibut...), o
wireless, os
spin doctors, os
hat-tricks do desporto, desculpem, do futebol, a
happy hour (para quem? Para quem consome ou para quem vende?) as
guest houses, os
hostels (acabaram as pensões), os
rent-a-car, os
outdoors, a
fashion a propósito de tudo e de nada, as
top model que só comem e bebem
light, fazem
topless e usam
t-shirts, os
mails, os
shoppings, os
cup-cakes, os
reality shows cheios de
geeks a fazerem figura de parvos (será
nerds?), os
wine bars (as tascas de outrora, mas com
style), o
gourmet, os
brunch, as
check list, os
designers, os
showrooms... Ufa! Estou mesmo a precisar do
coffee break! Que
stress!
Apesar de não ter o background e skills necessários, o que me dava jeito era ser CEO de uma empresa! É tudo uma questão de lobbying...
E depois disto tudo, os telenoveleiros ficam muito escandalizados, por ignorância, quando ouvem a palavra bicha e, com as penas eriçadas piam alto: Fila. Pobrezinhos! Só me apetecia fazer-lhes - delete.
Chega! A velhice dá para isto. (Já ouviram falar em oldsitting?)
Bicadas ternas e saudosas da vossa
Gralha
P.S. E não é que me esqueci do facebook!!!!