05/01/2017

NOVIDADES

Nada melhor para começar o ano do que uma boa leitura.

Sintoniza-te com o ritmo da Academia mais badalada do momento. As bandas vencedoras estão a caminho da Mansão do Rock War. Serão seis semanas de música e festa sem parar, no caminho agi- tado para o estrelato. Mas a vida de uma estrela de rock não é a animação que se pensa… Conseguirão as bandas ter a força necessária para sobreviver aos bastidores do mundo do espetáculo?

E muitos mais livros à vossa espera, acabados de chegar 

04/01/2017

HAVEMOS DE IR A VIANA

  Havemos de ir a Viana é um poema de Pedro Homem de Mello sobejamente conhecido, principalmente na voz de Amália Rodrigues.


  Ontem, no blogue da revista LER  (todos os dias há um poema novo) encontramos um outro Havemos ir a Viana, de Filipa Leal.

Havemos de ir a Viana, dizias, e eu perguntava-te porquê Viana, e tu não respondias, não poderias responder porque não estavas ali comigo, naquele lugar que tinha o desconsolo de não ser Viana, e eu com as tuas flores na mão e o cartão onde tinhas escrito apenas isso, Havemos de ir a Viana, e eu a segurá-lo como se segurasse o bilhete para a viagem e a perguntar-me porquê Viana, eu que na verdade não segurava o teu cartão, não segurava nada e era esse o meu problema, eu insegurava, eu insegurava tudo e imaginava-te a sorrir com os meus jogos de palavras, tão parvos como a nossa separação, e perguntava-me porquê Viana, e lembrava-me vagamente dessa expressão, talvez num poema, talvez numa canção, e ia para a internet escrever a tua frase e depois esquecia-me de entender o que tinha aquilo a ver connosco, perguntava-me porquê Viana e na minha imaginação tu respondias que Viana era o lugar seguinte, respondias é isso que importa, que seja o lugar seguinte, e eu que tinha a mania de interpretar tudo, de exagerar tudo, de confundir tudo, e desta vez não poderias ser tu a esclarecer esse terrível mistério, e na minha imaginação tu passavas a mão no meu cabelo e explicavas-me que o que importava não era bem Viana, que o que importava era o verbo, a forma verbal, que era nesse havemos de ir que tudo existia agora sem mim, e eu a descobrir tudo, eu que não conhecia Viana mas que te conhecia, e talvez nunca te tivesse conhecido realmente sem ter ido contigo a Viana, mas como é que eu fiz isto, como é que nos separámos antes de termos ido a Viana, eu a entrar em pânico e a querer ir contigo a Viana ou a qualquer lugar seguinte, eu que estava no Porto sem ti, que até não ter ido a Viana era algo que tinha feito sem ti, eu que em Viana talvez estivesse contigo, e Viana era como se fosse futuro, e então em vez disso tu poderias ter dito Havemos de ir ao futuro, e eu cheia de pressa, cheia de pressa de te dizer

sim, havemos de lá ir. 

03/01/2017

O QUE DIZEM OS TEUS OLHOS?

Jantar de fim de ano. Chega um casal jovem, elegante. Os dois educados e simpáticos. Acomodam-se na mesa reservada e de imediato pegam no telemóvel e consultam a página do Facebook. Por vezes falam, mas os olhos não: continuam atentos ao que se passa na rede social. Talvez quando começarem a comer... Não. Coloca-se estrategicamente o telemóvel ao lado do prato e é incrível a agilidade do dedo mindinho.


José Pacheco Pereira no Público de 31 de dezembro (precisamente):

Nada é mais significativo e deprimente do que ver numa entrada de uma escola, ou num restaurante popular, ou na rua, pessoas que estão juntas, mas que quase não se falam, e estão atentas ao telemóvel, mandando mensagens, enviando fotografias, vendo a sua página de Facebook, centenas de vezes por dia. Que vida pode sobrar?

Podem ler o artigo completo aqui.

30/12/2016

IN MEMORIAM

LIA VIEGAS


Poeta, feminista e advogada, defendeu graciosamente muitas mulheres nas décadas de 1970 e 1980. Uma delas foi a jornalista Maria Antónia Palla, mãe do atual primeiro-ministro, que enfrentou um processo crime por causa de uma reportagem sobre o aborto clandestino, transmitida pela RTP em maio de 1976. Morreu esta terça-feira no hospital de Faro, cidade onde nasceu em 1931. Tinha 85 anos.
  expresso.sapo.pt

27/12/2016

Personalidade+

Joel Santos ganhou o primeiro prémio na competição britânica Travel Photographer of the Year. O fotógrafo que há quinze anos optou pela paixão pela imagem e abandonou uma promissora carreira como economista, considera a distinção um estímulo para trabalhar cada vez mais e melhor.
Pescador do Bosumtwi, Gana

26/12/2016

LIVRARIAS


El Ateneo Grand Splendid
Buenos Aires, Argentina

Buenos Aires é a cidade com mais livrarias do mundo (427). A cadeia El Ateneo abriu a mais bonita em 2000, no antigo teatro Grand Splendid, mantendo todo o ambiente esplendoroso da sala. Para além da grande variedade de livros que podem encontrar, imaginem tomar um café no palco onde tantas vezes atuou Carlos Gardel.







25/12/2016

Natal, e não Dezembro

Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.


David Mourão-Ferreira, in Cancioneiro de Natal

23/12/2016

NATAL DAS ILHAS

À Maria e ao Manuel Pinheirinho, primos-irmãos

Natal das Ilhas. Aonde
O prato do trigo novo,
A camélia imaculada,
O gosto no pão do povo?
Olho, já não vejo nada.
Chamo, ninguém me responde.
Açores



Natal das Ilhas. Serão
Ilhas de gente sem telha,
Jesus nascido no chão
Sobre alguma colcha velha?

Burra de cigano às palhas,
Vaca com língua de pneu,
Presépio girando em calhas
Como o elétrico, tu e eu.

Natal das Ilhas. Já brilha
Nas ondas do mar de inverno
O menino bem lembrado,
Que trouxe da sua ilha
O gosto do peixe eterno
Em perdão do seu passado.

Vitorino Nemésio

22/12/2016

PRENDA


   A azáfama das compras de Natal está no seu auge. Já se compra qualquer coisa, sem se pensar na utilidade.
   O Jornal i de ontem publica um estudo onde se pode ler que não vale a pena ficar stressado e preocupado em conseguir um presente personalizado, único e especial.
   Isto porque o próprio stress pode fazer com que a pessoa escolha uma prenda errada por estar tão preocupada com a opinião da outra pessoa e não na utilidade da prenda em si. O mesmo estudo afirma ainda que as pessoas ficam igualmente satisfeitas com prendas elaboradas e também com prendas mais simples. O mais importante é o sentimento e o gesto de partilha, uma vez que as pessoas gostam é de prendas, independentemente do que seja.

  Mas, não pensem que se trata de um problema dos nossos dias. Já no séc. XVII, D. Francisco Manuel de Melo se preocupava com a prenda que deveria dar a uma sua prima, optando por construir o seu próprio presente, embora o ache muito insignificante.

DE CONSOADA A UA S. P.

Que vos hei-de mandar de Caparica,
De que vós, Prima, não façais esgares?
Porque de graças e benções aos pares,
Disso, graças a Deus, sois vós bem rica!

Mel e açúcar? Sou cousas de botica
Coscorões? São piores que folares.
Perus? Não, que são pássaros vulgares.
Porco? Só de o dizer nojo me ficou.

Mandara-vos o Sol, se desta cova
M´o deixaram tomar; mas é fechada,
E inda o é mais para mi a Rua Nova.
Pois, se há de ser nada a consoada,
Mandar-vos-ei, sequer, Prima, esta trova,
Que o mesmo vem a ser que não ser nada.

21/12/2016

MODERNICES


Jornal i
     Por 125 € compramos este presépio criado por Corey e Casey Wright - o Hipster Nativity.
   S. José está a tirar uma selfie para colocar no facebook (deve ser o que o pastor está a ver tão atentamente no tablet...); a vaca é certificada e está a comer ração sem glúten; no telhado, um painel solar; os três Reis Magos são estafetas de uma qualquer empresa de serviço expresso transportados em segways e para escrever este texto foi preciso utilizar quatro palavras inglesas...
    Modernices!