09/02/2017

VERDADE E NÃO FACTOS ALTERNATIVOS

                Ilustração de Victor Juhasz, Rolling Stone
Dizem os anti-anti-Trump que não se pode comparar Trump a Hitler, como têm feito os seus críticos mais insensatos. Claro que não pode. Não se pode comparar ninguém a Hitler, ninguém que não tenha praticado genocídios. Trump é demagogo, desonesto, autoritário, xenófobo, e vive bem com apoiantes violentos, mas isso não faz dele um Hitler. Não se pode comparar, têm-nos dito. E têm razão. O problema é esse: não se pode comparar Trump com ninguém, ou pelo menos com nenhum Presidente de que nos lembremos, porque nenhum era tão inexperiente, tão incompetente, tão descabido para a função. Trump é incomparável. Demasiado mau para ser verdade, é a verdade a que temos direito desde uma aziaga madrugada de Novembro.
Pedro Mexia, Expresso on-line aqui

08/02/2017

QUE BELO BOM DIA

Roubado, com a devida vénia, a um dos nossos blogues preferidos - De Rerum Natura

QUANDO MORRE UM VELHO, HÁ UMA “BIBLIOTECA” QUE SE FECHA PARA SEMPRE


A minha “biblioteca” é bem pequena, vale o que vale, mas é a minha e nela está o que a escola, os livros e a vida me ensinaram.

Tem sido e continua a ser meu propósito pôr cá fora o que puder, enquanto é tempo, enquanto as capacidades físicas e intelectuais o permitirem. Vou a caminho dos 86 anos em caminhadas rápidas para o “fim da linha”, situação que, aliás, encaro com toda a normalidade e me não perturba minimamente. Estou como o Prof. Agostinho da Silva, de quem fui amigo e com quem convivi nos últimos anos da sua vida, 

“Não corro como corria 
nem salto como saltava
mas vejo mais do que via
e sonho mais que sonhava”.

Acordo todos os dias com alegria de estar vivo e cheio de ideias para os viver. E entre essas ideias, as mais importantes são as que me trazem aqui ao computador e, digitando letra a letra, passá-las ao monitor, em Areal 16, a quem as quiser ler. 

Já o disse, em várias ocasiões, que nestas horas e nesta minha maneira de partilhar com os outros, não tenho idade, não tenho dores nem coronárias entupidas e esqueço os problemas, sempre muitos.

Pela experiência destes anos de participação regular e contínua em blogues e no Facebook, e pelos retornos que me chegam, verifico que esta minha maneira de continuar a exercer, à distância, a profissão que foi a minha, tem sido útil e dado satisfação a muita gente. Isto dá-me uma imensa compensação e faz com que todos os dias procure partilhar algo daquilo sei ou julgo saber, com a simplicidade e a humildade de quem soube caldear os elitismos do meio que frequentou, por mais de quarenta anos, com uma saudável ruralidade e a frontalidade que bebeu nos campos do Alentejo.

Bom dia a todos!

A. Galopim de Carvalho

07/02/2017

NG 191

À vossa espera na BE...

República Checa
Fiapos de geada decoram faias e abetos numa cumeeira dos Beskides Ocidentais. A faixa descontínua, parte do importante sistema ecológico das montanhas dos Cárpatos, estende-se também à Polónia e à Eslováquia.
Fotografia Jan Bainar





06/02/2017

PERSONALIDADE +

De Ana Soromenho,  no Expresso - Revista, desta semana.
      Autorretrato, José de Almada Negreiros

     Em agosto de 1934, José de Almada Negreiros e Sarah Afonso passam férias com amigos em Moledo do Minho. Almada, então com 41 anos casara-se nesse ano com a pintora de Viana do Castelo, que aos 15 anos viera para Lisboa estudar na Escola de Belas-Artes. Tal como Almada, Sarah passara uma temporada em Paris e, no regresso a Lisboa, entre as exposições e as tertúlias na Brasileira do Chiado, cruzara-se com esse artista complexo, seis anos mais velho do que ela, que dera que falar no minúsculo meio português e alcançara o estatudo de mais importante na sua geração.
     Sarah está grávida, o verão de 34 é um tempo convivial. Entre vários programas, decorre um tradicional arraial na praia, onde o artista, inspirado num episódio dessa época balnear – uma passeata de barco até à pequena ilha em frente à praia de Moledo que quase acaba em naufrágio – improvisa uma espécie de filme mudo. Numa sequência de 64 imagens em papel de seda iluminado por trás, apresentado como um ecrã de cinema, passam em traço fino e cheio de humor os veraneantes do grupo. Entre eles, o artista surrealista António Pedro e o próprio Almada, que não estava no passeio e se inscreve em autorretrato com a mulher e no guião da história trágico-cómica que resulta numa lanterna mágica.
     Esta obra singular, “O Naufrágio da Ínsua”, de carácter aparentemente efémero e feita num registo de brincadeira entre amigos, esteve guardada durante 83 anos na casa de família de um desses veraneantes com quem Almada e Sarah passaram férias e é agora pela primeira vez mostrada ao público como uma das peças mais significativas da exposição “José de Almada Negreiros: Uma Maneira de Ser Moderno”, que acaba de ser inaugurada na Fundação Calouste Gulbenkian. (…)

Correção nossa: a leitura do artigo pode induzir em erro sobre a cidade onde Sarah Afonso nasceu - Lisboa, 1899. Viveu em Viana até aos 14 anos. O pai, oficial do exército,  foi aqui colocado logo após o nascimento da pintora.

Sarah Afonso e Almada Negreiros, em Moledo, 1934




04/02/2017

SUBLIME

Ao vivo, só em abril, na temporada de piano da Gulbenkian.
Bom fim de semana.

03/02/2017

PARA SER LIDO MAIS TARDE


Um dia
quando já não vieres dizer-me Vem
jantar

quando já não tiveres dificuldade
em chegar ao puxador
da porta quando

já não vieres dizer-me Pai
vem ver os meus deveres

quando esta luz que trazes nos cabelos
já não escorrer nos papéis em que trabalho

para ti será o começo de tudo

Uma outra vida haverá talvez para os teus sonhos
um outro mundo acolherá talvez enfim a tua oferenda

Hás-de ter alguma impaciência enquanto falo
Ouvirás com encanto alguém que não conheço
nem talvez ainda exista neste instante

Mas para mim será já tão frio e já tão tarde

E nem mesmo uma lembrança amarga
ou doce ficará
desta hora redonda
em que ninguém repara

Mário Dionísio, O Silêncio Voluntário

02/02/2017

SMILE, PLEASE

Como brincam as crianças num campo de refugiados ou num lugar devastado pela guerra? Mark Neville descobriu, mas raramente encontrou um sorriso.

Campo de refugiados de Kakuma, Quénia, 2016

Dia de Natal em Helmand, Afeganistão, 2010

Campo de refugiados de Kakuma, Quénia, 2016

Kristine no dia seguinte a um bombardeamento na Ucrânia, 2016.



31/01/2017

MIMOSAS

Todos os anos na mesma altura
a montanha veste o mesmo vestido amarelo
para ver se ainda lhe serve na cintura
Jorge Sousa Braga, in Fogo sobre Fogo