19/03/2017

PAI

O diálogo entre um jovem sedento de liberdade e de desejo de independência e o  pai que o aconselha, com a sua experiência de vida. 

Father and Son

It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want you can marry
Look at me, I am old, but I'm happy

I was once like you are now, and I know that it's not easy
To be calm when you've found something going on
But take your time, think a lot
Why, think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not

How can I try to explain
Cause when I do he turns away again
It's always been the same, same old story
From the moment I could talk I was ordered to listen
Now there's a way and I know that I have to go away
I know I have to go

It's not time to make a change
Just sit down, take it slowly
You're still young, that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me, I am old, but I'm happy

All the times that I cried
Keeping all the things I knew inside
It's hard, but it's harder to ignore it
If they were right, I'd agree
But it's them they know not me
Now there's a way and I know that I have to go away
I know I have to go

 Cat Stevens, agora Yusuf Islam

18/03/2017

IN MEMORIAM

Chuck Berry

1926-2017

Um dos pioneiros do rock 'n' roll, admirado pelos Beatles e Rolling Stones, morreu hoje, aos 90 anos.

E POR CÁ...

   Mais uma mensagem. Mais um telefonema. A visão de pais agarrados aos telemóveis na hora de ir buscar os filhos depois das aulas é cada vez mais comum nos portões das escolas. A fim de combater o problema da falta de interação entre pais e filhos, a escola primária St. Joseph’s RC Primary School, em Middlesbrough, no Reino Unido, alargou a proibição do uso do telemóvel aos pais, incentivando-os a desviar os olhos do ecrã e olhar mais pelos mais novos.
   Nas três portas da instiuição um sinal apela: “Venha buscar o seu filho com um sorriso e não com o telemóvel”. 
in  O Jornal Económico
Podem continuar a ler aqui

17/03/2017

PERSONALIDADE+

 

Nat "King" Cole celebraria 100 anos hoje. Extraordinário pianista, dono de um requintado swing e percursor, no jazz, do trio piano, contrabaixo e guitarra, seria como cantor que ficaria mundialmente famoso. Nada melhor que as palavras do especialista José Duarte para caracterizar Nat "King" Cole.
   O que há de mais interessante para se dizer sobre ele é que morreu apreciado como um grande cantor. Mas é preciso também referir que, além disso, era um extraordinário pianista. Esta é uma faceta menos conhecida do público em geral, mas é a mais importante", afirma José Duarte.

   "Por isso mesmo é que no meu programa de rádio, 'A menina dança', passo muitas coisas do Nat 'King' Cole. Toco músicas dele a cantar em Inglês e em Castelhano e os temas que interpretou como pianista com o seu trio", acrescenta o professor auxiliar convidado para disciplina de opção livre Jazz na Universidade de Aveiro.
   "Enquanto cantor, ele tinha, sem dúvida, um estilo tão definido que nunca ninguém o conseguiu imitar. Abre a boca nas gravações e toda a gente sabe que é ele que está a cantar. Mas, no que respeita a estilos únicos, não está sozinho. Também Charlie Parker, como instrumentista (era pianista e saxofonista), foi inimitável".
   E, depois, há a voz. "A própria maneira que ele tinha de cantar solidificou um estilo. E foi esse estilo que o celebrizou. Mesmo a cantar em Castelhano, com aquela pronúncia, era fabuloso. Tinha um 'swing' e uma fraseologia muito peculiares, impossíveis de copiar", sublinha o especialista.(...)

   Por isso, justifica, "é que ressalto a vertente de instrumentista de Nat 'King' Cole. O seu talento está plasmado em peças que são obras-primas, em que se faz acompanhar de outros intérpretes famosos de jazz. Para mim, essas gravações em trio são das melhores de toda a sua discografia. Era um músico muito evoluído para a época".

in JN

DIA DE SÃO PATRÍCIO (SAINT PATRICK'S DAY)


   17 de março, Saint Patrick's Day, coloquialmente St. Paddy's Day, ou simplesmente Paddy's Day é o dia nacional da Irlanda. Apesar de ser um feriado religioso em homenagem ao histórico padroeiro, é também uma celebração da nacionalidade, em particular para as comunidades irlandesas que vivem no exterior. 
   São várias as tradições deste dia e quase todas à volta da cor verde da Ilha Esmeralda.  
 
As pessoas vestem-se de verde para acompanhar desfiles nas ruas e usam também o tradicional trevo de três folhas – shamrock.


Em Chicago, até o rio fica verde

Por todo o mundo, iluminam-se de verde edifícios e locais emblemáticos.

Museu Condes de Castro Guimarães, Cascais
Hotel Burj Al Arab, Dubai

Torre Eiffel, Paris

E para saber a história de São Patrício:



May you always have
Walls for the winds,
A roof for the rain,
Tea beside the fire,
Laughter to cheer you,
Those you love near you,
And all your heart might desire!

(benção do dia de São Patrício)







16/03/2017

SÓ MAIS UM


O gato

Chama-se Luís o gato do terceiro
e é companheiro de um mestre filósofo.
Em madrugadas altas há por vezes sobressalto,
quando o bichano acorda mal disposto.
O professor, sábio também
em jogos de paciência, acalma
o animal e já o mima. Trata-se,
vendo bem, de outra ciência,
tão difícil de conseguir como
um estudo de Pessoa. Chama-se Agostinho
da Silva, o do terceiro, e tem um gato
com quem, à vontade, discreteia.
Luís, discípulo, ronrona baixinho.
Tudo vai bem, assim, no sete desta rua.

15/03/2017

DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

    A 15 de março de 1962, o Presidente John Fitzgerald Kennedy fez um discurso sobre a proteção dos interesses do consumidor. JFK salientou que todo consumidor tem direito à segurança, à informação, à escolha e a ser ouvido. O discurso originou debates em vários países e foi o motor para que se realizassem estudos sobre o tema, sendo, por isso, considerado um marco na defesa dos direitos do consumidor. Assim se explica a escolha de 15 de março como Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, comemorado a partir de 1983.
   Em Portugal, os direitos do consumidor encontram-se consagrados na Constituição e na Lei de Defesa do Consumidor. Os consumidores podem reclamar utilizando para o efeito o Livro de Reclamações, obrigatório em todos os estabelecimentos públicos e privados. Em alternativa, podem apresentar uma reclamação diretamente no Portal do Consumidor.
 

14/03/2017

GATOS E ESCRITORES III

Gato

Que fazes por aqui, ó gato?
Que ambiguidade vens explorar?
Senhor de ti, avanças, cauto,
meio agastado e sempre a disfarçar
o que afinal não tens e eu te empresto,
ó gato, pesadelo lento e lesto,
fofo no pelo, frio no olhar!
De que obscura força és a morada?
Qual o crime de que foste testemunha?
Que deus te deu a repentina unha
que rubrica esta mão, aquela cara?
Gato, cúmplice de um medo
ainda sem palavras, sem enredos,
quem somos nós, teus donos ou teus servos?

Alexandre O'Neill

Alexandre O´Neill, o gato e o adeus

O GATO, vendo o poeta de ombro apoiado na ombreira a observar a feira cabisbaixa em seu redor, acercou-se dele e perguntou-lhe, no murmúrio ronronado que costuma servir de preâmbulo às grandes questões metafísicas:
- Servos ou donos?
O poeta, por achar a pergunta demasiado enigmática, contornou a resposta afagando-lhe o dorso e dizendo:
- Deves estar cheio de fome, o teu mal é fome, e eu não tenho forma de remediar esse problema, porque não sou rato, nem peixe, nem pássaro estonteado pela luz. Eu sou apenas um pobre poeta de ombro na ombreira.
Mas o gato, apurando o gutural e afectuoso ronrom, insistiu:
- Sei bem ao que venho, sim, porque eu nunca me esqueço dos versos que me são dedicados. Eu bem me lembro das tuas palavras, Alexandre: Que fazes por aqui, ó gato? / Que ambiguidade vens explorar? Quem sou eu, meu caro Alexandre, para te deixar sem resposta, logo a ti, meu poeta de Lisboa, de coração amarfanhado pela tenaz da mais irónica ternura?
Foi então que Alexandre se lembrou do gato do poema, dessa coisa ágil e esquiva, soberana e livre, em forma de assim, fugaz como um golpe de vento, rebelde como uma metáfora imprevista. 
- Tantas vezes te deixei utilizar esta mão — disse — que cheguei a acreditar que, quando escrevesse um poema sobre ti, serias tu mesmo a escrevê-lo, de forma mediúnica, usando o movimento pausado da minha mão sobre o papel.
O gato, esse mesmo, o do poema, roçou a cabeça pelas pernas do poeta, impregnando-se com o seu cheiro, com o perfume das suas palavras exactas e limpas, e depois aventurou-se num breve monologo de bicho filosofante. Assim:
- É como te digo, Alexandre, tu e eu temos em comum este vício felino de sermos livres, nas palavras, nos gestos, nos silêncios. Um dia, tu partes e eu fico para aqui abandonado a miar à lua, como se perguntasse por ti. Um dia, eu parto e tu ficas sem gato a quem possas dedicar o poema, órfão de gato, nostálgico da sua arqueada liberdade arrastada sobre os telhados como uma confissão de nocturnos cios.
O poeta, emocionado com a enleante sabedoria do gato, esse mesmo, o do poema, só conseguiu perguntar-lhe:
- Afinal, vamos lá a saber, o poeta és tu ou sou eu?
Ao que o gato respondeu:
- Somos os dois, Alexandre, somos os dois, cada um à sua maneira. Tu no que escreves e eu no que não escrevo mas vivo. Temos este destino comum a ligar-nos como uma ponte, como uma centelha de luz, como um arame a juntar as duas extremidades da lua nova.
Alexandre, o poeta, só encontrou uma forma de lhe responder:
- Há miar e miar, há ir e voltar.
Ainda a frase não se deixara concluir e já o gato se empoleirara sobre o parapeito de uma janela, muito perto da ombreira da porta, posto de observação do poeta para ver a feira a ficar cada vez mais cabisbaixa, por falta de esperança para erguer de vez a cabeça em direcção ao sol.
Do gato nunca mais o poeta teve noticias, nem em prosa nem em verso, e quando, num sisudo dia 21 de Abril, o coração do poeta, como um gato triste e cansado, se recusou a levar por diante a faina de estar vivo, houve quem avistasse um velho gatarrão sobre o parapeito da janela do hospital, murmurando com a sapiência do seu estilo ronronado:
- Há miar e miar, e tu, Alexandre, hás-de voltar, porque um gato sem o seu poeta de estimação fica prometido à morte como um pardal à inclemência do relâmpago.
E quando alguém, aproximando-se dele, quis saber "o que fazes por aqui, ó gato?", o bichano, arqueando-se para o derradeiro salto na direcção da lua, respondeu apenas:
- Perguntem ao Alexandre, ao O'Neill, que só ele sabe. Os poetas é que sabem. É dos livros.
Conto de José Jorge Letria, em Amados Gatos

13/03/2017

GATOS E ESCRITORES II


Dois poemas de Manuel António Pina



Gatos

Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos


Às vezes o gato fitava 
com estranheza 
 o que de nós (um excesso) 
se intrepunha entre nós e o gato,  a nossa presença.



12/03/2017

GATOS E ESCRITORES I

  Quem se lembra de Manuel António Pina a alimentar os gatos no cemitério de Agramonte? Eugénio de Andrade viveu também rodeado de gatos e deixou-os invadir a sua poesia. Assim aconteceu e acontece com tantos outros de Bocage a Adília Lopes. 
   Para melhor compreendermos esta relação, vamos convocar entendidos na matéria. 
  Eugénio Lisboa
Eugénio Lisboa - Na Primeira Pessoa - GATOS (excerto) from LB Produções on Vimeo.

Gatos e literatura 

[há sujeições que posso tornar públicas e essas são os gatos e a escrita. Devo dizer que reconheço nas duas entidades semelhanças.

Talvez os gatos e a escrita tenham vindo do mesmo ovo que um deus fertilizou. Instalaram um trono vitalício dentro da minha vida desde cedo. Incorporei-os tão intensamente que nem sei onde acabo e eles começam. Há uma simbiose que pertence à mais baixa biologia. Mas a palavra simbiose é mal escolhida. Eles viveriam muito bem sem mim. Eu, sem eles, é que não. E sabem isso. Sabem perfeitamente que dominam.
Comportam-se ambos com igual sobranceria. Vêm se querem, quando querem, para que os sirva, mas se sou eu a convocá-los, não me ligam. Se entendem que lhes devo abrir a porta, chamam às horas mais desconfortáveis. Lá me levanto, às quatro da manhã, ou para escrever ou para deitar whiskas no prato. A retribuição é coisa pouca: um roçar pelas pernas, uma frase. E eu, ciente da minha condição, renunciando à dignidade humana, agradeço a bondade do incómodo.
Estou sempre preparada para o encontro: na mochila carrego com comida para felinos... e um caderno. Se me aparece um gato, faço a vénia, mio delicadamente e dou o almoço. Se me aparece a frase, paro e escrevo.
Sempre de momentos breves, porém intensos e definitivos. Passa-se nisto o tempo de calor. Pelos começos do Outono, surgem hóspedes dispostos a estadia prolongada: o gato fica de pensão completa, passa os meses do frio e vai-se embora. A escrita permanece em casa pelo mesmo período. Os meus gatos de Inverno adoram chuva. A minha escrita só consegue organizar-se em texto quando chove. De Março até Outubro, o que reúno das raras frases que consentem aparecer resulta em pequenos contos. Mas enquanto andam nuvens negras pelo céu, a corrente entre a escrita e os meus dedos alcança nível proporcional à pluviosidade da estação.
Com a subida geral das temperaturas e a saarização deste país, é de fazer ideia que decorrem os dias e os meses e os anos sem que essa energia das palavras que me caem do céu “como farrapos” possa gerar um livro que se veja. Bem procuro imitar um clima nórdico, espalhando em roda certos objectos, tais como o pau-de-chuva do Peru, o quadrinho de areia branca e negra que vai caindo com a gravidade, criando a ilusão de um temporal, uma canção dos LadySmith, Mambazo, Rain, Beautiful Rain, que o Changuito me trouxe, uma caixa de música com o Singing in the Rain… Formam como que um templo de oferendas e é dentro dele que me escondo, à espera.
Porque escrevo frase a frase, hoje uma, outra não sei quando virá, inseridas num esquema musical que determina a sequência. Não é maneira de fazer romances, mas quem sou eu para dizer à escrita que devia tentar ter disciplina?
Estou feliz porque a gatinha que me apareceu este Inverno não tenciona emancipar-se tão depressa. De chuva, pouco vejo. Mas talvez a escrita aceite aqui morar por algum tempo, como esta extraordinária Emily Duncan. É gatinha com nome de escritora – Emily Brontë – e de Isadora, inspiração eterna. Desde que ela apareceu começamos as manhãs a dançar. Se pela noite, surgir uma pequena, amável frase, talvez que finalmente nasça um livro.]
 Hélia Correia, revista Time Out de Lisboa