30/03/2017

TEXTOS E PEIXES

Clarice Lispector,
a senhora não devia
ter-se esquecido
Clarice, de Rogério Zgiet
de dar de comer aos peixes
andar entretida
a escrever um texto
não é desculpa
entre um peixe vivo
e um texto
escolhe-se sempre o peixe
vão-se os textos
fiquem os peixes
como disse Santo António
aos textos.

Adília Lopes



29/03/2017

INTENSA E MISTERIOSA


Estou a ouvir música.
Debussy usa as espumas do mar a morrer na areia,
refluindo e fluindo.
Eu não enfeito, eu escrevo simples
Bach é matemático.
Mozart é o divino impessoal.
Chopin conta a sua vida mais íntima.
Schoenberg, através de seu eu, atinge o clássico eu de todo o mundo.
Beethoven é a emulsão humana em tempestade
procurando o divino
e só o alcançando na morte.
Quanto a mim,
que não peço música,
só chego ao limiar da palavra nova.
Sem coragem de a expor.
O meu vocabulário é triste
e às vezes wagneriano-polifônico-paranóico.
Escrevo muito simples e muito nu.
Por isso fere.
Sou uma paisagem cinzenta e azul.
Elevo-me na fonte seca e na luz fria...


Clarice Lispector


28/03/2017

"A VERDADE MORREU?"


A pergunta mais pertinente  e inquietante do tempo que vivemos. 
Será que o Presidente Trump consegue lidar com a verdade?, um excelente artigo de  Michael Scherer que pode ser lido (em inglês) aqui.

Capa da revista Time (edição de 3 de Abril)


27/03/2017

DIA MUNDIAL DO TEATRO

   Neste dia, trazemos uma figura incontornável no teatro português que nos é muito próxima:     António Pedro.
  Nasceu na cidade da Praia, em Cabo Verde, a 9 de Dezembro de 1909, numa família com raízes minhotas e irlandesas. Em 1955, num texto autobiográfico, podemos ler: Esta metade galaico-minhota e irlando-galesa do meu sangue fez-me gostar de gaitas de foles, de instrumentos de percussão e da conquista do impossível. Como meus tetravós celtas, se eu pudesse, atiraria setas ao sol. Minha família, no entanto, é de gente burguesa e bem-pensante. 
Dois auto-retratos de António Pedro, 1940.

  Passou por Seixas, La Guardia (Galiza), Viana do Castelo, Coimbra, Lisboa, Rio de Janeiro, São Paulo, Paris, Londres e Porto, tendo acabado os seus dias em Moledo.
A casa em Moledo

 Uma vida curta, faleceu com apenas 56 anos, mas muito intensa e com um enorme impacto na cultura portuguesa. Cruzou as áreas da literatura, pintura, desenho, cerâmica, ensaio, política e jornalismo (na B.B.C, durante a segunda guerra mundial, a voz dos portugueses que recusavam o monstro nazi-fascista, segundo Luiz Francisco Rebello). A sua obra Apenas Uma Narrativa é considerada, por muitos estudiosos, o primeiro romance surrealista da literatura portuguesa. Nas palavras de Eduardo Lourenço, um milagre sem repetição e nas de Jorge de Sena, obra-prima do romance surrealista.

  Antonio Pedro sonhou que um dia em São Lourenço da Montaria, uma rã pediu a Deus para ser grande como um boi. E que aliás foi, Deus é que rebentou, graças ao A. P. e ao Minho, onde ele se armou feiticeiro da imaginação, avejão lírico e, é claro, demagogo da visualidade dessa mesma circunstância indispensável aos génios.
 Por essas e por outras, vigílias e sonhos, é que nós, os devotos do A. P. íamos aprendizar nas romarias em Moledo a nossa alegria rã. Porque nos anos 50, sem ele na confabulação e convertendo-nos sigilosamente no Pinhal de Camarido, nem Portugal existia. Daí porque a fabulosa e bem humorada lamentação, de surrealismo minhoto, malicioso, se fazia necessária e nos aliciava para romeiros. Parávamos de coaxar, uns em Lisboa, outros no Porto e até alguns que chegavam de Paris para atracar no vasto Antonio Pedro. Ali se ia dar pulos, sonhar e ser rã.
Fernando Lemos, Apenas uma despedida

  No final da época de 50, Alexandre Babo e Eugénio de Andrade conseguem que aceite o papel de director artístico do recém-criado Círculo de Cultura Teatral - Teatro Experimental do Porto (TEP). O encenador revolucionário, como ficou conhecido, marcou pela diferença, abrindo novos caminhos para o teatro português. 
António Pedro e a atriz brasileira Maria della Costa, em Moledo, na década de 1950.
  Referindo-se à vida em Moledo, Fernando Lemos escreveu sobre o amigo Gigante - metafórica e literalmente (António Pedro media 2 metros o que lhe valeu ser dispensado do serviço militar): 
 Ali o Gigante foi-se aninhando num exílio demorado. O homem das sete léguas, avejão lírico que não cabia dentro de si nem na medida dos outros, ali foi engendrando a sua base e o seu ponto final.  Andou no Brasil como pintor, na África como jornalista, pelas várias Europas como intelectual, sempre insatisfeito, curtindo a mágoa de ser Gigante.


AS JANELAS SÃO A PRIMAVERA DAS CASAS

Poema do guarda-chuva aberto


26/03/2017

DIA DO LIVRO PORTUGUÊS


É a 26 de março que se celebra o Dia do Livro Português.
O Dia do Livro Português foi criado pela Sociedade Portuguesa de Autores com o intuito de destacar a importância do livro e da língua portuguesa em todo o mundo e no saber da humanidade em geral.
Foi escolhido o dia 26 de março para esta celebração pois foi neste dia, em 1487, que se imprimiu o primeiro livro em Portugal: o "Pentateuco", em hebraico. Ele saiu das oficinas do judeu Samuel Gacon, na Vila-a-Dentro, em Faro. Já o primeiro livro escrito em português foi impresso no Porto, dez anos depois, a 4 de janeiro de 1497. Produzido pelo primeiro impressor luso, Rodrigo Álvares, o livro tinha o título de "Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto".

Celebrar o Dia do Livro Português é ler autores portugueses e nada melhor do que uma visita à BE para os encontrar.



24/03/2017

DIA DO ESTUDANTE

O Dia Nacional do Estudante é celebrado hoje, 55 anos depois da crise académica de 62. Um dia de luta e de homenagem, celebrado pelo movimento estudantil nacional, recordando as dificuldades que os estudantes enfrentaram nas décadas de 60.  



23/03/2017

AULA DE MÚSICA

Uma pequena animação com legendagem em português do Brasil sobre as Quatro Estações de Vivaldi. Parece que só mesmo aqui existem agora 4 estações.

22/03/2017

DIA MUNDIAL DA ÁGUA




São as águas de março
fechando o verão
É a promessa de vida
no teu coração

Cá marcam o início da primavera, no Brasil, o fim do verão. Renovação e vida, em qualquer lugar.
Águas de Março, é uma das canções mais famosas de Tom Jobim.
Com Elis Regina:


 A versão em inglês, Waters of March, por Stacey Kent e Suzanne Vega:


E em francês, Les eaux de Mars, por Georges Moustaki: