As palavras também têm sábados e dores de cabeça
e uma história real na construção do mundo.
As palavras entristecem com a nossa fala. E nós
enlouquecemos sem elas. Porque o mundo são palavras.
As cores são palavras. A palavra primavera floresce
em nossa boca. E a palavra mar faz de quem
a pronuncia, uma ilha encantada.
Quando parto sem palavras, uma tristeza vai comigo
a doer-me no sangue, na raiz da fala e do afecto.
Só elas podem explicar o mistério do amor.
Delas retiro o ouro, o trigo, a fala e a esperança. Nelas
vive o tigre e a esmeralda. Delas sopra o vento.
São curandeiras. Feiticeiras. Mensageiras. Deusas.
São o canto da alma e a voz que falta às andorinhas.
E o sorriso do anjo. E a única coisa que Deus não inventou.
São essas palavras que ficam mudas no coração da gente
para que os beijos possam dizer o que elas não dizem.
Joaquim Pessoa
Bem vindo ao Blogue da Biblioteca Escolar do Agrupamento Monte de Ola. Aqui poderás encontrar notícias sobre a atividade da nossa Biblioteca. Poderás, também, enviar sugestões, notícias ou comentários. Este espaço foi aberto para ti. Colabora, participando nele.
08/04/2017
06/04/2017
PAULA REGO, HISTÓRIAS & SEGREDOS
Estreou hoje, realizado pelo filho da pintora, o cineasta Nick Willing.
05/04/2017
IN MEMORIAM
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| Fernando Campos (1924-2017) |
No Público do dia 3 de abril:
O escritor Fernando Campos (1924-2017), que morreu no sábado em Lisboa aos 92 anos — a sua família só nesta segunda-feira o anunciou à agência Lusa —, chegou um dia, na escola onde leccionava, a uma aula de Latim e os seus alunos tinham todos o seu romance A Casa do Pó (Prémio Literário Município de Lisboa) em cima das mesas. Uma das alunas comentou para o professor: “Com que então, tão caladinho...”
Podem continuar a ler aqui e escolher uma das suas obras na BE para vos acompanhar nas férias da Páscoa.A BE empresta:
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| A Casa do Pó |
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| O Cavaleiro da Águia |
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| A Esmeralda Partida |
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| A Sala das Perguntas |
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| ... que o meu prende ... |
04/04/2017
PERSONALIDADE +
A 4 de abril de 1968, Martin Luther King Jr. foi alvejado mortalmente quando se encontrava no 2º andar do Lorraine Motel, em Memphis.
O que é feito do seu sonho?
I Have a Dream, o discurso emocionante e poderoso que proferiu, a 28 de agosto de 1963, no Lincoln Memorial, em Washington D.C. Um marco na história dos Estados Unidos que continua a ser fonte de inspiração para artistas como Common.
03/04/2017
MESTRES
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| Almada Negreiros e Maria Helena Vieira da Silva |
Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.
José de Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro
As bibliotecas foram um tema recorrente na obra de Maria Helena Vieira da Silva. Pintou mais de trinta e já as celebrámos aqui. A biblioteca do avô materno foi o refúgio da pintora na infância e juventude. Lugar de sonho e de mistério que a marcou, bem como à sua obra.
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| Biblioteca, Maria Helena Vieira da Silva, 1955 |
Eu tenho cores de Verão e cores de Inverno. Quando está calor, gosto de pintar em azul, em verde, em branco. O branco, aliás, posso usá-lo durante todo o ano. E quando está frio, gosto do vermelho. 'La Bibliothèque rouge', por exemplo, comecei-o em Paris, lentamente, depois vim para aqui, para Yèvres, no mês de Maio, estava frio, continuei com ele, até que um belo dia desatou a fazer calor e eu virei-o para a parede. Terminei-o no Outono, quando principiei a desejar o calor.
02/04/2017
DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTIL 2017
No dia 2 de abril comemora-se em todo o mundo o nascimento de Hans Christian Andersen e desde 1967 este passou a ser o Dia Internacional do Livro Infantil, reforçando a importância da leitura e o papel fundamental dos livros para a infância.
Para assinalar o Dia Internacional do Livro Infantil 2017, a DGLAB convidou o ilustrador João Fazenda, vencedor do Prémio Nacional de Ilustração do ano passado, para ser o autor da imagem do cartaz português.
A mensagem do IBBY internacional, este ano é da responsabilidade da Rússia. O escritor Sergey Makhotin redigiu a habitual mensagem e o cartaz original é do ilustrador Mikhail Fedorov. Podem ler abaixo a mensagem traduzida para português:
VAMOS CRESCER COM O LIVRO!
Na minha primeira infância, gostava de construir casas com pequenas peças e toda a espécie de brinquedos. Usava muitas vezes um livro ilustrado a fazer de telhado. Nos meus sonhos, entrava na casa, deitava-me na cama feita com uma caixa de fósforos e olhava para cima, para as nuvens ou para as estrelas do céu. A escolha dependia da ilustração que preferia na altura. Por intuição, segui as regras de vida das crianças que procuram criar um ambiente seguro e confortável à sua volta. E o livro infantil ajudou-me muito a atingir este objetivo.
Depois cresci, aprendi a ler, e o livro, na minha imaginação, começou a assemelhar-se mais a uma borboleta, ou mesmo a um pássaro, do que ao telhado de uma casa. As páginas do livro pareciam asas que batiam. Era como se o livro, deitado no peitoril, quisesse sair pela janela aberta em direção ao desconhecido. Segurava-o com as mãos e começava a lê-lo, e o livro ia ficando cada vez mais calmo. Então eu próprio voava para outras terras e novos mundos, alargando o espaço da minha imaginação.
Que alegria ter na mão um novo livro! De início, nunca sabemos sobre o que é que ele fala. Resistimos à tentação de saltar para a última página. E como o livro cheira bem! É impossível distribuirmos o seu cheiro pelos vários elementos que o compõem: tinta, cola… não, é impossível. Existe um cheiro particular no livro, um cheiro único e excitante. As folhas encontram-se coladas, como se o livro não tivesse ainda acordado. E ele só acorda quando começamos a lê-lo.
Continuamos a crescer, e o mundo à nossa volta torna-se mais complicado. Enfrentamos questões a que nem os adultos sabem responder. No entanto, é importante partilhar dúvidas e segredos com alguém. E aí o livro volta a ajudar-nos. Muitos de nós terão um dia pensado: este livro fala sobre mim! E a personagem favorita parece ser igual a nós. Tem problemas semelhantes, e resolve-os com dignidade. E há outra personagem que não é igual a ti, mas tu gostarias de seguir o seu exemplo, de ser tão corajoso e desembaraçado quanto ela.
Quando há rapazes e raparigas que dizem “Não gosto de ler!”, isso faz-me rir. Não acredito neles. Comem gelados, jogam jogos e veem filmes interessantes. Dito de outro modo, gostam de se divertir! É que a leitura não serve apenas para desenvolver sentimentos e personalidades, ela é, acima de tudo, um prazer.
É sobretudo com essa missão que os autores de livros para a infância escrevem os seus livros.
Sergey Makhotin
(tradução de Mª Carlos Loureiro a partir da versão inglesa de Yana Shvedova)
Fonte: dglab
01/04/2017
A BALADA DA CASA DA ILHA HOLLAND
Uma belíssima e inovadora animação de Lynn Tomlinson que conta a história verdadeira da última casa da ilha de Holland, no estado norte-americano do Maryland.
No século XVII, chegam os primeiros colonos à ilha, destacando-se Daniel Holland que lhe deu o nome. No início, era habitada apenas por algumas famílias que se dedicavam à pesca. Pouco a pouco, a beleza daquele local atraiu cada vez mais pessoas. Em 1910 já lá viviam, permanentemente, 360 pessoas que tinham à sua disposição todo o tipo de serviços e equipamentos de uma pequena cidade - escola, médico, posto dos correios, igreja, centro comunitário e até uma equipa de basebol. No entanto, pouco tempo depois, a fragilidade daquele lugar idílico revelou-se - a ação dos ventos e das marés causou a rápida erosão do solo, composto por argila e não por rocha. As famílias mudaram-se para o continente e levaram as casas com elas, literalmente, tijolo a tijolo. Só restou uma, a da animação que narra a sua vida e a das criaturas que abrigou e contempla o tempo, as mudanças ambientais e a subida dos oceanos.
31/03/2017
30/03/2017
TEXTOS E PEIXES
Clarice Lispector,
a senhora não devia
ter-se esquecido
de dar de comer aos peixes
andar entretida
a escrever um texto
não é desculpa
entre um peixe vivo
e um texto
escolhe-se sempre o peixe
vão-se os textos
fiquem os peixes
como disse Santo António
aos textos.
Adília Lopes
a senhora não devia
ter-se esquecido
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| Clarice, de Rogério Zgiet |
andar entretida
a escrever um texto
não é desculpa
entre um peixe vivo
e um texto
escolhe-se sempre o peixe
vão-se os textos
fiquem os peixes
como disse Santo António
aos textos.
Adília Lopes
29/03/2017
INTENSA E MISTERIOSA
Debussy usa as espumas do mar a morrer na areia,
refluindo e fluindo.
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| Eu não enfeito, eu escrevo simples |
Bach é matemático.
Mozart é o divino impessoal.
Chopin conta a sua vida mais íntima.
Schoenberg, através de seu eu, atinge o clássico eu de todo o mundo.
Beethoven é a emulsão humana em tempestade
procurando o divino
e só o alcançando na morte.
Quanto a mim,
que não peço música,
só chego ao limiar da palavra nova.
Sem coragem de a expor.
O meu vocabulário é triste
e às vezes wagneriano-polifônico-paranóico.
Escrevo muito simples e muito nu.
Por isso fere.
Sou uma paisagem cinzenta e azul.
Elevo-me na fonte seca e na luz fria...
Clarice Lispector
Mozart é o divino impessoal.
Chopin conta a sua vida mais íntima.
Schoenberg, através de seu eu, atinge o clássico eu de todo o mundo.
Beethoven é a emulsão humana em tempestade
procurando o divino
e só o alcançando na morte.
Quanto a mim,
que não peço música,
só chego ao limiar da palavra nova.
Sem coragem de a expor.
O meu vocabulário é triste
e às vezes wagneriano-polifônico-paranóico.
Escrevo muito simples e muito nu.
Por isso fere.
Sou uma paisagem cinzenta e azul.
Elevo-me na fonte seca e na luz fria...
Clarice Lispector
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