23/04/2017

DIA MUNDIAL DO LIVRO E DOS DIREITOS DE AUTOR

Não há dia sem livro como explicámos aqui.


Os Meus Livros

Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges, A Rosa Profunda

22/04/2017

EPHEMERA NO DN



Na Livraria Ler Devagar há um imenso arquivo da história recente de Portugal em construção. Pacheco Pereira está, com um grupo de voluntários, a preservar a memória na sua Ephemera.

Podem continuar a ler aqui.

21/04/2017

E COMO A GUITARRA CHORA

Faz hoje um ano que Prince partiu. 
Vale a pena recordar uma homenagem a George Harrison, em que, na parte final, Prince mostra o notável guitarrista que era. 

20/04/2017

PROJETO VICIADOS EM LIVROS


Adelina Moura lidera o projeto "Viciados em Livros" (Ler por prazer) que promove a leitura através da produção de trailers de livros. Veja-os aqui.

in Blogue RBE

19/04/2017

DIA MUNDIAL DA BICICLETA

Um poema de Pablo Neruda, 

Oda a la bicicleta 


Iba
por el camino
crepitante:
el sol se desgranaba
como maíz ardiendo
y era
la tierra
calurosa
un infinito círculo
con cielo arriba
azul, deshabitado.


Pasaron
junto a mí
las bicicletas,
uma fotografia de Cartier-Bresson,

los únicos
insectos
de aquel
minuto seco del verano,
sigilosas,
veloces,
transparentes:
me parecieron
sólo movimientos del aire.


Obreros y muchachas
a las fábricas
iban
entregando
los ojos
al verano,
las cabezas al cielo,
sentados
en los
élitros
de las vertiginosas
bicicletas
que silbaban
cruzando
puentes, rosales, zarza
y mediodía.

Pensé en la tarde cuando los muchachos
se laven,
canten, coman, levanten
una copa
de vino
en honor
del amor
y de la vida,
y a la puerta
esperando
la bicicleta
inmóvil
porque
sólo
de movimiento fue su alma
y allí caída
no es
insecto transparente
que recorre
el verano,
sino
esqueleto
frío
que sólo
recupera
un cuerpo errante
con la urgencia
y la luz,
es decir,
con
la
resurrección
de cada día.


uma canção de Yves Montand,

e uma cena do inesquecível E.T., o Extra-terrestre, de Spielberg.

18/04/2017

SALAZAR E HARRY POTTER


Salazar Slytherin
O período que J. K. Rowling passou a dar aulas de inglês no Porto, entre 1991 e 1992, foi de curta duração, mas marcou para sempre a literatura mundial ao servir de inspiração para a saga Harry Potter. Da arquitectura neogótica da livraria Lello ao traje académico portuense, são diversas as camadas de influência lusa na saga sobre o feiticeiro mais famoso do mundo. Desta vez, J. K. Rowling confirmou no Twitter uma teoria que há muito vinha sendo discutida entre os fãs – a de que o nome de Salazar Slytherin, um dos quatro fundadores da Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts, havia sido inspirado no nome de António de Oliveira Salazar. “De facto, fui buscar o nome [de Slytherin] ao ditador português”, respondeu a escritora, quando questionada por uma fã sobre a relação do nome daquela personagem com os tempos vividos em Portugal.

No Público de ontem. Podem continuar a ler aqui.

17/04/2017

AQUI TÃO PERTO

REALIZAR:poesia 2017
(Paredes de Coura, 21 a 25 de Abril)


Podem consultar o programa aqui.

16/04/2017

OS COELHINHOS

Iam dois coelhinhos
andando apressados
para o céu - com medo
de serem caçados.

E também com medo
de passarem fome.
Pois - quando não dorme -
o coelhinho come.

E ainda tinha os filhos
que a coelha esperava...
O Céu era longe
e a fome era brava.

Jesus riu, com pena:
fez brotar da Lua
- para eles - florestas
de cenoura crua.

Odylo Costa Filho, Brasil





De Pedro Oom,  O Coelhinho que nasceu numa couve, por Mário Viegas


          
                           

15/04/2017

IN MEMORIAM

Alberto Carneiro
1937-2017

Avança-se pelo mundo de Alberto Carneiro como por uma floresta. Às escuras, tropeçando em árvores, raízes e pedras, até aparecer uma clareira e o céu explodir na luz desgovernada de um manhã de Inverno. 
Paulo Pimenta,  Público


Um dos maiores artistas portugueses do século XX e o grande renovador da escultura em Portugal.





12/04/2017

REFLEXÃO SOBRE O OVO

Adequado à época, um texto de Rubem Alves escrito para os seus netos, publicado no Correio Popular.

   O corpo da galinha sabe muito de geometria. Foi o ovo que me contou. Porque o ovo é um objeto geométrico construído segundo rigorosas relações matemáticas. A galinha nada sabe sobre geometria, na cabeça. Mas o corpo dela sabe. Prova disso é que ela bota esses assombros geométricos.
   Sabe muito também sobre anatomia. O ovo não é uma esfera. Ele tem uma parte mais grossa e uma parte mais fina. Há uma razão físico-anatômica para isso. É a mesma razão por que os pregos têm uma ponta fina: para entrar melhor no buraco. Você já enfiou uma linha no buraco de uma agulha? Primeiro é preciso afinar a ponta da linha com saliva e dedo. É a ponta afinada da linha que entra no buraco da agulha. Depois que a ponta fina passa pelo buraco, é fácil puxar a linha, fazendo passar a parte grossa. Pois o ovo tem de ter uma ponta fina para facilitar a sua passagem pelo fiofó da galinha. Se não tivesse a ponta fina ia ser mais difícil, ia doer mais…
  O corpo das galinhas é também um grande conhecedor de arquitetura. A forma do ovo dá resistência máxima aos seus frágeis materiais. Se o ovo fosse chato ele se quebraria quando a galinha se deitasse sobre ele, para chocar os pintinhos. Quando eu era pequeno eu e os meus amigos brincávamos de pegar um ovo, ponta fina na palma da mão, ponta grossa contra os dedos pai-de-todos e o seu-vizinho (espero que você tenha aprendido o nome dos dedos, minguinho, seu-vizinho, pai-de-todos, fura-bolo, mata-piolho) e apertar. Pois o ovo não quebrava. Mas não vá fazer essa experiência com esses ovos brancos, de granja. São ovos degenerados. Esses ovos se quebram, só de olhar. A forma do ovo faz com que as forças que sobre ele se exercem não o quebrem. É o mesmo princípio que os arquitetos usam para fazer arcos de janela, de portas e abóbadas gigantescas das catedrais em estilo românico, antes do concreto e do ferro. Se você não sabe o que é o estilo românico, pergunte ao seu professor de história. Aquilo que os arquitetos aprenderam depois de muito pensar, o corpo das galinhas sabe por nascimento, sem precisar pensar.
   Mas há ainda um outro assombro: a casca do ovo não pode ser muito mole porque, se fosse, o ovo se quebraria quando a galinha pisasse nele. A casca tem de ser dura o suficiente para suportar o peso da galinha, sem quebrar. Mas a casca também não pode ser muito dura. Como vocês sabem, as galinhas “chocam“ os ovos. Deitam-se sobre eles por 21 dias para, com o seu calor, realizar a transformação da gema em pintinho. Quem foi que ensinou isso para a galinha? Ninguém. O corpo dela nasceu sabendo. A idéia já está lá. Ao cabo de 21 dias os pintinhos estão prontos para sair. Para isso eles têm de quebrar a casca do ovo com o bico. Ora, se a casca do ovo fosse muito dura o pintinho não conseguiria furar a casca e morreria. Como é que a galinha faz esse complicado cálculo físico de resistência de materiais, casca nem muito mole e nem muito dura? Não sei. Só sei que ela sabe. Há um saber no seu corpo que faz cálculos engenhariais exatos.