12/05/2017

PARABÉNS

Manuel Alegre faz hoje 81 anos.



A Breve Passagem na Vida

Por vezes sentado sozinho na sala, apenas com o cão por companhia, pensava que, contrariamente ao que ele supunha, não eram precisas palavras para entendermos o essencial: que tudo é uma breve passagem e que não há outra eternidade senão a da solidão partilhada. 
Ou no amor, ou na camaradagem das grandes batalhas, ou no silêncio de uma sala entre um leitor e um cão. Talvez estivéssemos a ficar parecidos e até nos imitássemos um ao outro. 

Manuel Alegre, Cão como Nós.
A  BE empresta

11/05/2017

10/05/2017

IN MEMORIAM


Baptista-Bastos (BB)
1934-2017
Iniciou a sua carreia jornalística em “O Século”, mas foi so serviço do “Diário Popular” – onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988) – que haveria de conquistar maior notoriedade, sobretudo em géneros como a entrevista e a reportagem.
Torna-se mais conhecido do grande público pelas entrevistas realizadas na SIC entre novembro de 1996 e janeiro de 1998. Nessas “Conversas Secretas”, fazia a todos os convidados a pergunta "onde é que estavas no 25 de Abril?" 

 Bastos, com obra publicada, escrevia primorosamente e não tolerava tiques de escrita, modismos ou prosas escritas à pressa. Muito menos cacofonias, erros de sintaxe ou de ortografia. Ainda não se sonhava com acordo ortográfico e já ele berrava a plenos pulmões: “Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”.
Seria impensável naquele tempo encontrar nas páginas do “Diário Popular” prosas cheias de “implementar”, “imperdível”, “emblemático”, “de acordo com” e demais barbaridades hoje tornadas corriqueiras, para não falar nos desmandos vindos de quem nem fala inglês nem português e nos mimoseia com “serviços de inteligência”, “oficiais do governo”, “adictos” ou “jovens mulheres”…

Rui Cardoso, também aqui

09/05/2017

DIA DA EUROPA

MATT CARDY/ 2016 GETTY IMAGES

Poema de Filipa Leal integrado no poema em cadeia Renshi.eu - um diálogo europeu em versos.

Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno
E disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?
É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.
Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade.
Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,
Nem sequer contra o insólito, contra o desespero.
Tu disparas contra a luz.
Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas.
Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.
Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos querem paz.
Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar.
Há tantos meses que não chove – reparaste?
A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir.
Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa.
Quem deve. Quem empresta. Quem paga.
Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro.
Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás adormecer.
Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos.
Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao teu gesto,
Nós não queremos disparar.


*Renshi.eu - é um poema em cadeia escrito por 28 poetas de 28 países europeus, que abordam de forma literária as questões do presente e futuro da Europa. Cada poeta começa a escrever a partir do último verso do poema anterior, dando origem a a uma obra gigantesca que espelha uma miríade de olhares e referências culturais. Este poema foi lido pela autora em português, na sessão de apresentação da obra conjunta, na Akademie der Künste de Berlim, em 2012.


08/05/2017

COCA-COLA

A Coca-cola foi servida pela primeira vez numa pequena farmácia de Atlanta, há 131 anos, no dia 8 de maio de 1886, como referimos aqui. A receita secreta continua por descobrir.
O primeiro slogan da Coca-Cola em Portugal, "Primeiro estranha-se, depois entranha-se",  foi criado por Fernando Pessoa mais de 40 anos após o seu lançamento nos EUA. No entanto, por razões políticas, acabou por ficar apenas no papel.


A Tal… Chegou a Portugal dois anos depois do 25 de Abril, mas já era bem conhecida dos portugueses que a bebiam em Espanha, onde era vendida desde os anos 1950. Paradoxalmente, em Angola e Moçambique não havia qualquer entrave ao seu consumo.

1977
1978






07/05/2017

MÃE


Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei.
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.
Mãe! ata as tuas mãos às minhas e dá um nó-cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio, um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão pela minha cabeça é tudo tão verdade!

Almada Negreiros, in A Invenção do Dia Claro


mil estrelas no colo
mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo. 
eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são 
todas as estrelas que existem. 

José Luís Peixoto, in A Casa, a Escuridão

06/05/2017

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA II

A Inês e os restantes alunos selecionados para a 2ª fase do CNL - 3º ciclo

Podem ver mais fotografias aqui.

04/05/2017

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA - 2ª FASE



No dia 2 de maio, teve lugar a 2ª fase do Concurso Nacional de Leitura, em Ponte da Barca. Parabéns à aluna Inês Morais Fernandes, do 9º A, que tão bem representou a nossa escola. A prova incidiu sobre as obras de leitura obrigatória "A Vida de Pi", de Yann Martel e "Escrito na Parede", de Ana Saldanha.

Podem ver a reportagem aqui.

03/05/2017

DIA INTERNACIONAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA

O artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos é bem claro:
Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão.

No mês passado, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou um alerta para a liberdade de imprensa no mundo que nunca esteve tão ameaçada como agora

No relatório divulgado pela RSF, a situação é considerada muito grave ou difícil em 72 dos 180 países, entre eles China, Rússia e Índia, bem como quase todas as nações do Médio Oriente, da Ásia central, América central e África do Norte.
Portugal surge em 18º lugar no Ranking da Liberdade de Imprensa 2017, registando-se uma subida de cinco posições face ao ano passado.


“Media at the gate!”
The New Yorker

02/05/2017

O TAMANHO DO TELEMÓVEL


Se roubarem os livros a um miúdo, ninguém vem à escola. Se lhe roubarem o telemóvel, aparece logo o pai ou a mãe." O comentário é de uma professora do 2.º Ciclo. De miúdos com 10, 11, 12 anos, habituada a discutir cada vez mais o assunto com os encarregados de educação. Muitos admitem que para os filhos o telefone é um vício, a companhia com quem conseguem passar o dia fechados no quarto. Mas intervir ou tirá-lo está fora de questão. Que adolescente sobrevive, hoje, sem um telemóvel?
(...)
O que nem todos os pais percebem é que os filhos não estão mais seguros por estarem fechados no quarto. Podem, pelo contrário, estar mais expostos a um mundo paralelo e virtual com desafios perigosos. Um telemóvel pode ser uma arma. Tanto mais perigosa por parecer inofensiva. Como pais, compete-nos retirá-lo do centro dos dias e reduzi-lo ao papel de ator secundário.
Inês Cardoso, JN de 1 de maio

Podem ler o artigo completo aqui.