19/05/2017

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

O poeta nasceu no dia 19 de maio de 1890, em Lisboa, num edifício da rua dos Retroseiros, atual Rua da Conceição. Voltamos ao FIM, mas agora desta forma:



18/05/2017

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS



O Dia Internacional dos Museus é esta quinta-feira assinalado com uma programação de 400 atividades em 84 espaços museológicos distribuídos por 46 concelhos do país, segundo a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).
Dedicado este ano ao tema das memórias traumáticas e da reconciliação, o dia será celebrado com entradas gratuitas em museus, palácios e monumentos, e uma programação de visitas, palestras, exposições, concertos e encenações históricas. “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus” é o tema proposto para a edição deste ano, apelando a “uma reflexão, naturalmente diferenciada e respondendo aos contextos nacionais, do papel dos museus nas comunidades e na sociedade em geral”, segundo uma nota de imprensa da DGPC.
Instituída pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), a data é celebrada por todo o país, em museus, monumentos e palácios, que participam com dezenas de atividades como visitas guiadas, ateliês, teatro, e lançamentos de livros, entre outras.
No contexto desta celebração decorrem inaugurações em três dos 15 museus tutelados pela DGPC: o Museu Nacional Soares dos Reis inaugurou na quarta-feira a exposição “Cidade Global”, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) inaugura hoje a exposição “Madonna” e o Museu Nacional dos Coches (MNC) inaugura na sexta-feira, a sua museografia. (...)
in Observador
Podem consultar o programa de todas as atividades previstas para hoje e para a Noite Europeia dos Museus, no sábado, aqui

17/05/2017

NOVO RECURSO



A RBE estabeleceu uma parceria com a Casa das Ciências, portal que disponibiliza materiais digitais para professores. Como podemos ler no blogue da RBE, é um projeto da Fundação Calouste Gulbenkian com o objetivo último de melhorar as aprendizagens das áreas científicas. Pretende-se chegar aos professores pela oferta de uma série de recursos que podem usar livremente. Todos os materiais disponibilizados estão em português e são avaliados por um sistema de avaliação de pares.
Podem visitar aqui. Boas pesquisas.

16/05/2017

NO MÊS DEDICADO ÀS MÃES, UM POEMA À FILHA




Carta à Minha Filha


Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguirá.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida, 
de quem a habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.

E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.

Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.

A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.

Ana Luísa Amaral, in Imagias (Um pouco só de Goya: Carta a minha Filha)

12/05/2017

PARABÉNS

Manuel Alegre faz hoje 81 anos.



A Breve Passagem na Vida

Por vezes sentado sozinho na sala, apenas com o cão por companhia, pensava que, contrariamente ao que ele supunha, não eram precisas palavras para entendermos o essencial: que tudo é uma breve passagem e que não há outra eternidade senão a da solidão partilhada. 
Ou no amor, ou na camaradagem das grandes batalhas, ou no silêncio de uma sala entre um leitor e um cão. Talvez estivéssemos a ficar parecidos e até nos imitássemos um ao outro. 

Manuel Alegre, Cão como Nós.
A  BE empresta

11/05/2017

10/05/2017

IN MEMORIAM


Baptista-Bastos (BB)
1934-2017
Iniciou a sua carreia jornalística em “O Século”, mas foi so serviço do “Diário Popular” – onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988) – que haveria de conquistar maior notoriedade, sobretudo em géneros como a entrevista e a reportagem.
Torna-se mais conhecido do grande público pelas entrevistas realizadas na SIC entre novembro de 1996 e janeiro de 1998. Nessas “Conversas Secretas”, fazia a todos os convidados a pergunta "onde é que estavas no 25 de Abril?" 

 Bastos, com obra publicada, escrevia primorosamente e não tolerava tiques de escrita, modismos ou prosas escritas à pressa. Muito menos cacofonias, erros de sintaxe ou de ortografia. Ainda não se sonhava com acordo ortográfico e já ele berrava a plenos pulmões: “Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”.
Seria impensável naquele tempo encontrar nas páginas do “Diário Popular” prosas cheias de “implementar”, “imperdível”, “emblemático”, “de acordo com” e demais barbaridades hoje tornadas corriqueiras, para não falar nos desmandos vindos de quem nem fala inglês nem português e nos mimoseia com “serviços de inteligência”, “oficiais do governo”, “adictos” ou “jovens mulheres”…

Rui Cardoso, também aqui

09/05/2017

DIA DA EUROPA

MATT CARDY/ 2016 GETTY IMAGES

Poema de Filipa Leal integrado no poema em cadeia Renshi.eu - um diálogo europeu em versos.

Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno
E disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?
É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.
Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade.
Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,
Nem sequer contra o insólito, contra o desespero.
Tu disparas contra a luz.
Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas.
Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.
Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos querem paz.
Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar.
Há tantos meses que não chove – reparaste?
A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir.
Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa.
Quem deve. Quem empresta. Quem paga.
Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro.
Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás adormecer.
Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos.
Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao teu gesto,
Nós não queremos disparar.


*Renshi.eu - é um poema em cadeia escrito por 28 poetas de 28 países europeus, que abordam de forma literária as questões do presente e futuro da Europa. Cada poeta começa a escrever a partir do último verso do poema anterior, dando origem a a uma obra gigantesca que espelha uma miríade de olhares e referências culturais. Este poema foi lido pela autora em português, na sessão de apresentação da obra conjunta, na Akademie der Künste de Berlim, em 2012.