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LIBÉRATION
A infância assassinada 24 Maio 2017 |
Bem vindo ao Blogue da Biblioteca Escolar do Agrupamento Monte de Ola. Aqui poderás encontrar notícias sobre a atividade da nossa Biblioteca. Poderás, também, enviar sugestões, notícias ou comentários. Este espaço foi aberto para ti. Colabora, participando nele.
24/05/2017
23/05/2017
PERSONALIDADE +
Eduardo Lourenço faz hoje 94 anos.
Um dos maiores pensadores do nosso tempo. Surpreende pela lucidez e forma única de pensar Portugal. Também tem um diário – uma espécie de «diário cultural», como o filósofo lhe chama.
O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da "Sétima Sinfonia". Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta "Suite em Si Menor", de Bach. Diante desta torrente luminosa devia depor a minha velha pele, esta pele de que só a música me despe num instante, deixando-me nu e redimido, mas que no instante seguinte afogo em trevas. Delas só um Deus me poderia libertar. Digo Deus sabendo bem que esse absoluto que me atrevo a invocar é ainda o supremo álibi. É de mim, das ardentes seduções do meu profundo ser, que não quero ou de que não sou capaz de abdicar. Queria ir por um caminho de rosas para aquele sítio onde sei que me foi fixado encontro. E ninguém lá chega nunca sem antes morrer para si mesmo.
in Tempo da Música, Música do Tempo, Eduardo Lourenço
Org. de Barbara Aniello
22/05/2017
DIÁRIOS
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| Frida Kahlo registava no seu diário as ideias e esboços das suas obras. Fotografia: Banco do México |
O diário, novamente. Agora, a propósito de um artigo de James Pennebaker, especialista em psicologia social da universidade do Texas, publicado ontem no jornal The Guardian. O autor sublinha a importância de manter um diário: ajuda a estruturar ideias, a desabafar, reforça o sistema imunitário e, em particular, parece que previne ou ajuda a ultrapassar a depressão. Podem ler o artigo aqui e consultar os exemplos de diários que temos na BE aqui.
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| Páginas de um dos famosos diários de Virginia Woolf |
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| Winston Churchill e o seu inseparável diário, 1951. Fotografia: Alfred Eisenstaedt/Time & Life Pictures/Getty Images |
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| Querido diário: Ernest Hemingway, Quénia, 1952. Fotografia: Coleção Earl Theisen /Getty Images |
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| Diário de viagens de Albert Einstein, 1930 a 1931. Fotografia: Universidade Hebraica de Jerusalém |
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| Bruce Lee andava sempre com um bloco que servia de diário. |
21/05/2017
REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade,
Apagai a vaidade,
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade,
Apagai a vaidade,
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive.
Sophia de Mello Breyner Andresen
20/05/2017
19/05/2017
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
O poeta nasceu no dia 19 de maio de 1890, em Lisboa, num edifício da rua dos Retroseiros, atual Rua da Conceição. Voltamos ao FIM, mas agora desta forma:
18/05/2017
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS
O Dia Internacional dos Museus é esta quinta-feira assinalado com uma programação de 400 atividades em 84 espaços museológicos distribuídos por 46 concelhos do país, segundo a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).
Dedicado este ano ao tema das memórias traumáticas e da reconciliação, o dia será celebrado com entradas gratuitas em museus, palácios e monumentos, e uma programação de visitas, palestras, exposições, concertos e encenações históricas. “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus” é o tema proposto para a edição deste ano, apelando a “uma reflexão, naturalmente diferenciada e respondendo aos contextos nacionais, do papel dos museus nas comunidades e na sociedade em geral”, segundo uma nota de imprensa da DGPC.
Instituída pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), a data é celebrada por todo o país, em museus, monumentos e palácios, que participam com dezenas de atividades como visitas guiadas, ateliês, teatro, e lançamentos de livros, entre outras.
No contexto desta celebração decorrem inaugurações em três dos 15 museus tutelados pela DGPC: o Museu Nacional Soares dos Reis inaugurou na quarta-feira a exposição “Cidade Global”, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) inaugura hoje a exposição “Madonna” e o Museu Nacional dos Coches (MNC) inaugura na sexta-feira, a sua museografia. (...)
in Observador
Podem consultar o programa de todas as atividades previstas para hoje e para a Noite Europeia dos Museus, no sábado, aqui
17/05/2017
NOVO RECURSO
A RBE estabeleceu uma parceria com a Casa das Ciências, portal que disponibiliza materiais digitais para professores. Como podemos ler no blogue da RBE, é um projeto da Fundação Calouste Gulbenkian com o objetivo último de melhorar as aprendizagens das áreas científicas. Pretende-se chegar aos professores pela oferta de uma série de recursos que podem usar livremente. Todos os materiais disponibilizados estão em português e são avaliados por um sistema de avaliação de pares.
Podem visitar aqui. Boas pesquisas.16/05/2017
NO MÊS DEDICADO ÀS MÃES, UM POEMA À FILHA
Carta à Minha Filha
Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.
Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguirá.
Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.
E o que queria dizer-te é dos nexos da vida,
de quem a habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.
E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.
A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.
E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.
Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.
A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.
Ana Luísa Amaral, in Imagias (Um pouco só de Goya: Carta a minha Filha)
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