14/07/2017

14 JUILLET


Nos Campos Elísios, durante o desfile militar de 14 de julho, a fanfarra tocou Get Lucky dos Daft Punk
Reparem no ar surpreendido, mas divertido, do chefe de Estado francês Emmanuel Macron. Quanto à expressão de Trump, fica ao critério de cada um definir.  


Ils sont fous, ces Romains? No, The Times They Are A-Changin

13/07/2017

POESIA ÁRABE

Ali Ahmad Saïd Esber, ou Adonis


O ROSTO DE UMA MULHER

Eu morava no rosto de uma mulher
que mora numa onda.
A maré cheia trouxe-a até à praia
cujo porto desapareceu nas suas conchas .
Eu morava no rosto de uma mulher
que me assassinou, que no meu sangue de navegador
até ao fim da loucura amorosa
quer ser um farol, que se apaga.

Versão em português de Luís Costa

12/07/2017

PABLO NERUDA





     Neftali Ricardo Reyes, mais conhecido pelo pseudónimo de Pablo Neruda, nasceu a 12 de julho de 1904, em Parral, no Chile. Neruda foi um dos mais importantes poetas em língua castelhana do século XX. Como diplomata, foi nomeado cônsul-geral do Chile em Rangum, na Birmânia, em 1927. Continuou a sua carreira em Jacarta, Madrid (durante o período da Guerra Civil Espanhola) e México, onde foi embaixador de 1940 a 1942. Eleito senador em 1945, permaneceu exilado em Paris de 1948 a 1952. Em 1971, foi mais uma vez nomeado embaixador do Chile, agora em Paris, e recebeu o Prêmio Nobel de Literatura.
     Para além da leitura dos seus poemas e de Confesso que Vivi, uma obra autobiográfica (escrita ao longo de vários anos e publicada postumamente em 1974), uma sugestão de cinema para as férias. Quem gostou de O Carteiro de Pablo Neruda, tem agora Neruda. Promete.

30/06/2017

20 ANOS DE HARRY POTTER

      As aventuras de Harry Potter começaram a 26 de junho de 1997, com o lançamento do primeiro livro, A Pedra Filosofal. Duas décadas depois, a saga do pequeno feiticeiro e dos seus dois melhores amigos, Hermione Granger e Ron Weasley, tem sete livros, que foram traduzidos em mais de 60 línguas e venderam cerca de 450 milhões de cópias em todo o mundo.
   Além dos livros, as histórias foram adaptadas para o cinema, com Daniel Radcliffe, Emma Watson, e Rupert Grint a encarnarem as personagens principais. 


Podem descobrir mais aqui.

29/06/2017

IN MEMORIAM

MICHAEL BOND
1926-2017

 Michael Bond com a sua criação mais famosa, o urso Paddington
Foto: Felicity McCabe
     O escritor britânico Michael Bond, criador do urso Paddington, morreu na terça-feira aos 91 anos. Bond ficou conhecido em 1958, após publicar a sua primeira obra, Um Urso Chamado Paddington (A Bear Called Paddington).

Capa da primeira edição do livro com as histórias do urso Paddington

     A obra tornou-se rapidamente um clássico da literatura para a infância, dando origem a uma série televisiva da BBC e a um filme (produzido por David Heyman, o produtor de Harry Potter) que terá uma sequela com estreia marcada para o próximo mês de novembro.
      Um Urso Chamado Paddington conta a história de um urso peruano que chega à estação de Paddington, em Londres, com uma mala, um pote de compota de laranja quase vazio e uma etiqueta onde se lê: "Por favor, cuide deste urso. Obrigado". Uma família inglesa, os Brown, acolhe-o, sem saber o que os espera, uma vez que Paddington é extremamente desastrado.


      Michael Bond escreveu ainda outros livros para a infância, com personagens como “Olga da Polga” e o detetive “Monsieur Pamplemousse” e nunca deixou de escrever — o seu último livro, Paddington’s Finest Hour, foi publicado em abril deste ano.
      “O mundo inteiro teve a sorte de o ter (Michael Bond)… O próprio Paddington é tão real para todos nós, ainda é parte da nossa família e temos muita sorte”, explicou Karen Jankel, filha do escritor, ao jornal The Guardian.



28/06/2017

PERSONALIDADE +

     No âmbito do projeto PERSONALIDADE +, as turmas A e B do 10º ano, na disciplina de Inglês, realizaram trabalhos, sobre Eduardo Sardinha, um vianense apaixonado pela arte e que desempenhou um papel relevante no panorama da música e fotografia, como crítico e também artista. Não podemos esquecer a sua colaboração na criação de diversas associações culturais, como referem os alunos no texto que agora publicamos, uma pequena amostra/resumo dos seus trabalhos. 
     Um nome a reter, alguém que partiu demasiado cedo. Bem hajas, Eduardo.


      Eduardo Sardinha was born in Viana do Castelo, in 1970 and died 44 years later, on 28 November 2015. 
     Eduardo worked as a music journalist and also as a DJ. He was definitely keen on music, cinema, photography and poetry. He worked for many sites, such as musicnet and wolf-ear. Furthermore, Eduardo collaborated with Number One Network (Rock in the UK and Casey’s Top 40) and wrote for New Musical Express and Blitz, two famous music magazines. He had the chance to interview Richey James from the band Manic Street Preachers.
      As a co-worker, Eduardo also played an important role in RTP, Rádio Alto Minho, Rádio Clube Viana, Rádio Geice, Rádio Barca and TSF.
     Eduardo helped establish some associations such as Ao Norte, Contagiarte, Chã das Eiras and AISCA and organized many events in his hometown of which Encontros de Viana – Cinema e Video is an example. In addition, Eduardo developed a partnership with Fundação de Serralves and with many artists (photographers, musicians).
     As a DJ, solo or with DJ Scotch in the project Panthemusic, he performed in places like Radio, Tendinha dos Clérigos, Eira, Maxime and Nasoni.
     Eduardo held several solo photography exhibitions and participated in collective ones, too. 
     Poetry was another passion and he wrote it throughout his short life. His book Eu sou três was published posthumously, one year after his death.
    Eduardo Sardinha was one of those "Vianenses" who really made a difference in Portuguese culture. 



27/06/2017

LEITURAS QUE UNEM

      No dia 13 deste mês, precisamente na data de aniversário de Fernando Pessoa,  o 5º D e o 6º D tiveram uma  aula na BE, com professores muito especiais - os colegas do 10º A. Foi o último trabalho do projeto We Love Poetry, desenvolvido ao longo do ano, na disciplina de Inglês e integrado na atividade Leituras que Unem.



       A aula começou com um poema musicado de Alexander Search, como o dia exigia. A seguir vieram os poetas do 10º A e partilharam os seus textos.



       Na parte prática da aula foram realizadas atividades lúdicas de sensibilização ao texto poético, um excelente recurso na  aprendizagem do inglês.
    Os mais novos deram asas à criatividade, mostraram os seus conhecimentos na língua e produziram their first poems. Well done.



Parabéns ao 10º A pela forma empenhada como preparou e lecionou a aula.

26/06/2017

BEM-VINDO VERÃO

Começou no dia 21, às 5h24, instante em que ocorreu o solstício de verão.
Stonehenge
Todos os anos, entre os dias 20 e 22 de junho, tem lugar aquele que é o maior dia do ano no hemisfério norte. São cerca de 17 horas de luz que marcam o início do solstício de verão. É precisamente nesta data que os dias começam a ser mais curtos e as noites mais longas. 
O verão continua até dia 22 de setembro, dia em que, às 20h02, tem lugar o equinócio, que marca o início do outono no hemisfério norte.
A superstição faz com que muitos considerem este um dia especial. No Reino Unido, por exemplo, milhares de pessoas concentram-se junto a Stonehenge, um monumento cujas pedras estão alinhadas tendo em conta o nascer do sol na data dos solstícios de verão e inverno. O sol nasce alinhado com a pedra principal.

16/06/2017

FÉRIAS



Boas férias e boas leituras, são os desejos da equipa da Biblioteca, para toda a comunidade escolar.

12/06/2017

BIBLIOTECA DO PALÁCIO GALVEIAS


Esta biblioteca teve sempre uma boa relação com a comunidade dos sem-abrigo, por ser bem localizada na cidade e ter estações de metro próximas. “No outro dia, um colega meu foi à pastelaria onde costumamos ir e o sem-abrigo que estava à porta perguntou-lhe quando é que íamos reabrir. Disse que tinha muitas saudades de estar na biblioteca, acrescentou que era o sítio onde se sentia seguro.” Por isso estão a pensar criar um projecto de aprendizagem vocacionado para os sem-abrigo, com espaços de experimentação onde possam, por exemplo, fazer o currículo e cartas de apresentação. Para que encontrem ali um meio de se motivarem e de começar alguma coisa. 
Susana Silvestre, Directora das Bibliotecas Municipais de Lisboa,  Público (10 de junho)

Reabriu no dia 10, após dois anos de obras de remodelação. Para conhecer as novas valências deste espaço magnífico, espreitem aqui.

10/06/2017

A VIDA DO CAPITÃO COUSTEAU

Na semana em celebrámos o Dia Mundial dos Oceanos, 8 de junho, estreou o filme A Odisseia, uma homenagem a quem tanto os amou: Jacques-Yves Cousteau, o famoso cientista, investigador, explorador e inventor que nos deu a conhecer histórias fantásticas da vida marinha. Quem se lembra da série televisiva O Mundo Submarino de Jacques Cousteau?
Realizado por Jérôme Salle, o filme está baseado em factos verídicos. Aqui fica o trailer.
 

05/06/2017

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE


Marie Guillard / NYT

Só as gerações futuras serão capazes de calcular todas as consequências da abordagem incrivelmente míope do Presidente Trump às mudanças climatéricas, uma vez que serão elas que irão sofrer com a subida dos mares e as secas dramáticas que os cientistas consideram inevitáveis, a não ser que o mundo ponha fim às emissões dos combustíveis fósseis.


THE NEW YORK TIMES
(direção editorial)
in 'A nossa lamentável saída do acordo de Paris'
1 de Junho de 2017




Patrick Chappatte,  INTERNATIONAL NEW YORK TIMES

02/06/2017

IN MEMORIAM

Armando Silva Carvalho
1938 - 2017

Fotografia de Rui Gaudêncio

O poeta e tradutor Armando Silva Carvalho morreu ontem. O seu último livro,  A Sombra do Mar, venceu, em fevereiro, o prémio literário Casino da Póvoa, do Correntes de Escrita, bem como o Prémio PEN de Poesia e o Grande Prémio de Poesia António Feijó, da Associação Portuguesa de Escritores, em 2016.



POEMA QUE FOI CURTO

Num poema curto a corrente do sangue corria
como um planeta levando no dorsal
a filosofia pública da hora,
e a luz nua e direta incidia sobre o corpo,
real, absoluta.

Hoje o poema teima sempre em ser maior,
e a história, o tempo, a memória e o verso porque é velho,
ocultam-lhe a idade nas curvas irreconhecíveis
dum vulto.
É sempre cada vez mais longa a maratona,
e as insistentes palavras
parecem desistir enquanto avançam.
in A Sombra do Mar

01/06/2017

50 ANOS

Editado a 1 de junho de 1967, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o álbum dos fab four que transformou por completo o panorama musical da época.
Este é o trailer de lançamento das reedições da obra, com o cunho de Giles Martin (filho do  5º Beatle, o produtor George Martin)

Dia Mundial da Criança

"Sempre que o homem sonha o mundo pula e avança como uma bola colorida nas mãos de uma criança" 

 in Pedra Filosofal

António Gedeão

 

 

31/05/2017

DIA MUNDIAL SEM TABACO

Fotografia de Lucas Zoltowski

Quase 20 mil pessoas vão morrer hoje devido ao consumo de tabaco. 
(estimativa da Organização Mundial de Saúde)

29/05/2017

JFK



Nasceu há precisamente 100 anos em Brookline, Massachusetts. John Fitzgerald Kennedy foi o 35º presidente norte-americano. De ascendência irlandesa e católico devoto, casou com Jacqueline Bouvier, e chegou ao poder aos 44 anos. Morreu dois anos depois, aos 46, a 22 de novembro de 1963. 
A morte trágica e prematura ajudou à construção do mito. No entanto, no seu curto mandato, viveram-se momentos históricos marcantes como a crise dos mísseis de Cuba, a construção do Muro de Berlim, a guerra do Vietname, a consolidação do Movimento dos Direitos Civis nos EUA e a chegada do homem à lua.
A revista TIME publicou um vídeo excelente onde, em 90 segundos, recordamos a vida de JFK.

27/05/2017

NOVA PARCERIA DA RBE



Devido à importância da divulgação da leitura, do livro e seus autores, foi estabelecida, no passado dia 26 de abril, uma parceria entre a Rede de Bibliotecas Escolares e a plataforma escritores.online.
Esta junção de sinergias visa a divulgação conjunta de notícias, reportagens, entrevistas, vídeos e eventos relacionados com os livros, a leitura, os escritores e as bibliotecas escolares.
Blogue RBE

26/05/2017

EU VI O FUTURO



A opinião de David Pontes no JN de hoje. Termina assim:
Numa semana em que o terror voltou a atacar de forma brutal e cruel foi tão bom ver que o futuro está aí vivo, alegre e capaz de erguer as bandeiras certas nos momentos necessários.
A ler aqui.

23/05/2017

PERSONALIDADE +

Eduardo Lourenço faz hoje 94 anos.
Um dos maiores pensadores do nosso tempo. Surpreende pela lucidez e forma única de pensar Portugal. Também tem um diário – uma espécie de «diário cultural», como o filósofo lhe chama.



O que eu sou como ser mortal (o que todos somos), está contido na melancolia absoluta do allegretto da "Sétima Sinfonia". Mas o que desejaria ser, o que não tenho coragem de ser, só se revela nesta "Suite em Si Menor", de Bach. Diante desta torrente luminosa devia depor a minha velha pele, esta pele de que só a música me despe num instante, deixando-me nu e redimido, mas que no instante seguinte afogo em trevas. Delas só um Deus me poderia libertar. Digo Deus sabendo bem que esse absoluto que me atrevo a invocar é ainda o supremo álibi. É de mim, das ardentes seduções do meu profundo ser, que não quero ou de que não sou capaz de abdicar. Queria ir por um caminho de rosas para aquele sítio onde sei que me foi fixado encontro. E ninguém lá chega nunca sem antes morrer para si mesmo. 
in Tempo da Música, Música do Tempo, Eduardo Lourenço
Org. de Barbara Aniello


22/05/2017

DIÁRIOS

Frida Kahlo registava no seu diário as ideias e esboços das suas obras.
Fotografia: Banco do México


O diário, novamente. Agora, a propósito de um artigo de James Pennebaker, especialista em psicologia social da universidade do Texas, publicado ontem no jornal The Guardian. O autor sublinha  a importância de manter um diário: ajuda a estruturar ideias, a desabafar, reforça o sistema imunitário e, em particular, parece que previne ou ajuda a ultrapassar a depressão. Podem ler o artigo aqui e consultar os exemplos de diários que temos na BE aqui.
Páginas de um dos famosos diários de Virginia Woolf

Winston Churchill e o seu inseparável diário, 1951.
Fotografia: Alfred Eisenstaedt/Time & Life Pictures/Getty Images


Querido diário: Ernest Hemingway, Quénia, 1952.
Fotografia: Coleção Earl Theisen /Getty Images


Os diários e cadernos de Marie Curie continuam radioativos e estão guardados em caixas revestidos a chumbo. Para os consultar é necessário usar equipamento de proteção e   
 assinar um termo de responsabilidade.
Fotografia Wellcome Trust

Diário de viagens de Albert Einstein, 1930 a 1931.
Fotografia: Universidade Hebraica de Jerusalém
Bruce Lee andava sempre com um bloco que servia de diário.


21/05/2017

REZA DA MANHÃ DE MAIO

Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.

Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade,
Apagai a vaidade,
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive.

Sophia de Mello Breyner Andresen

19/05/2017

MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

O poeta nasceu no dia 19 de maio de 1890, em Lisboa, num edifício da rua dos Retroseiros, atual Rua da Conceição. Voltamos ao FIM, mas agora desta forma:



18/05/2017

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS



O Dia Internacional dos Museus é esta quinta-feira assinalado com uma programação de 400 atividades em 84 espaços museológicos distribuídos por 46 concelhos do país, segundo a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).
Dedicado este ano ao tema das memórias traumáticas e da reconciliação, o dia será celebrado com entradas gratuitas em museus, palácios e monumentos, e uma programação de visitas, palestras, exposições, concertos e encenações históricas. “Museus e histórias controversas: dizer o indizível em museus” é o tema proposto para a edição deste ano, apelando a “uma reflexão, naturalmente diferenciada e respondendo aos contextos nacionais, do papel dos museus nas comunidades e na sociedade em geral”, segundo uma nota de imprensa da DGPC.
Instituída pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), a data é celebrada por todo o país, em museus, monumentos e palácios, que participam com dezenas de atividades como visitas guiadas, ateliês, teatro, e lançamentos de livros, entre outras.
No contexto desta celebração decorrem inaugurações em três dos 15 museus tutelados pela DGPC: o Museu Nacional Soares dos Reis inaugurou na quarta-feira a exposição “Cidade Global”, o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) inaugura hoje a exposição “Madonna” e o Museu Nacional dos Coches (MNC) inaugura na sexta-feira, a sua museografia. (...)
in Observador
Podem consultar o programa de todas as atividades previstas para hoje e para a Noite Europeia dos Museus, no sábado, aqui

17/05/2017

NOVO RECURSO



A RBE estabeleceu uma parceria com a Casa das Ciências, portal que disponibiliza materiais digitais para professores. Como podemos ler no blogue da RBE, é um projeto da Fundação Calouste Gulbenkian com o objetivo último de melhorar as aprendizagens das áreas científicas. Pretende-se chegar aos professores pela oferta de uma série de recursos que podem usar livremente. Todos os materiais disponibilizados estão em português e são avaliados por um sistema de avaliação de pares.
Podem visitar aqui. Boas pesquisas.

16/05/2017

NO MÊS DEDICADO ÀS MÃES, UM POEMA À FILHA




Carta à Minha Filha


Lembras-te de dizer que a vida era uma fila?
Eras pequena e o cabelo mais claro,
mas os olhos iguais. Na metáfora dada
pela infância, perguntavas do espanto
da morte e do nascer, e de quem se seguia
e porque se seguia, ou da total ausência
de razão nessa cadeia em sonho de novelo.

Hoje, nesta noite tão quente rompendo-se
de junho, o teu cabelo claro mais escuro,
queria contar-te que a vida é também isso:
uma fila no espaço, uma fila no tempo
e que o teu tempo ao meu se seguirá.

Num estilo que gostava, esse de um homem
que um dia lembrou Goya numa carta a seus
filhos, queria dizer-te que a vida é também
isto: uma espingarda às vezes carregada
(como dizia uma mulher sozinha, mas grande
de jardim). Mostrar-te leite-creme, deixar-te
testamentos, falar-te de tigelas - é sempre
olhar-te amor. Mas é também desordenar-te à
vida, entrincheirar-te, e a mim, em fila descontínua
de mentiras, em carinho de verso.

E o que queria dizer-te é dos nexos da vida, 
de quem a habita para além do ar.
E que o respeito inteiro e infinito
não precisa de vir depois do amor.
Nem antes. Que as filas só são úteis
como formas de olhar, maneiras de ordenar
o nosso espanto, mas que é possível pontos
paralelos, espelhos e não janelas.

E que tudo está bem e é bom: fila ou
novelo, duas cabeças tais num corpo só,
ou um dragão sem fogo, ou unicórnio
ameaçando chamas muito vivas.
Como o cabelo claro que tinhas nessa altura
se transformou castanho, ainda claro,
e a metáfora feita pela infância
se revelou tão boa no poema. Se revela
tão útil para falar da vida, essa que,
sem tigelas, intactas ou partidas, continua
a ser boa, mesmo que em dissonância de novelo.

Não sei que te dirão num futuro mais perto,
se quem assim habita os espaços das vidas
tem olhos de gigante ou chifres monstruosos.
Porque te amo, queria-te um antídoto
igual a elixir, que te fizesse grande
de repente, voando, como fada, sobre a fila.
Mas por te amar, não posso fazer isso,
e nesta noite quente a rasgar junho,
quero dizer-te da fila e do novelo
e das formas de amar todas diversas,
mas feitas de pequenos sons de espanto,
se o justo e o humano aí se abraçam.

A vida, minha filha, pode ser
de metáfora outra: uma língua de fogo;
uma camisa branca da cor do pesadelo.
Mas também esse bolbo que me deste,
e que agora floriu, passado um ano.
Porque houve terra, alguma água leve,
e uma varanda a libertar-lhe os passos.

Ana Luísa Amaral, in Imagias (Um pouco só de Goya: Carta a minha Filha)

12/05/2017

PARABÉNS

Manuel Alegre faz hoje 81 anos.



A Breve Passagem na Vida

Por vezes sentado sozinho na sala, apenas com o cão por companhia, pensava que, contrariamente ao que ele supunha, não eram precisas palavras para entendermos o essencial: que tudo é uma breve passagem e que não há outra eternidade senão a da solidão partilhada. 
Ou no amor, ou na camaradagem das grandes batalhas, ou no silêncio de uma sala entre um leitor e um cão. Talvez estivéssemos a ficar parecidos e até nos imitássemos um ao outro. 

Manuel Alegre, Cão como Nós.
A  BE empresta

11/05/2017

10/05/2017

IN MEMORIAM


Baptista-Bastos (BB)
1934-2017
Iniciou a sua carreia jornalística em “O Século”, mas foi so serviço do “Diário Popular” – onde trabalhou durante vinte e três anos (1965-1988) – que haveria de conquistar maior notoriedade, sobretudo em géneros como a entrevista e a reportagem.
Torna-se mais conhecido do grande público pelas entrevistas realizadas na SIC entre novembro de 1996 e janeiro de 1998. Nessas “Conversas Secretas”, fazia a todos os convidados a pergunta "onde é que estavas no 25 de Abril?" 

 Bastos, com obra publicada, escrevia primorosamente e não tolerava tiques de escrita, modismos ou prosas escritas à pressa. Muito menos cacofonias, erros de sintaxe ou de ortografia. Ainda não se sonhava com acordo ortográfico e já ele berrava a plenos pulmões: “Isto não é escrever por sons, senão samarra escrevia-se com c cedilhado”.
Seria impensável naquele tempo encontrar nas páginas do “Diário Popular” prosas cheias de “implementar”, “imperdível”, “emblemático”, “de acordo com” e demais barbaridades hoje tornadas corriqueiras, para não falar nos desmandos vindos de quem nem fala inglês nem português e nos mimoseia com “serviços de inteligência”, “oficiais do governo”, “adictos” ou “jovens mulheres”…

Rui Cardoso, também aqui

09/05/2017

DIA DA EUROPA

MATT CARDY/ 2016 GETTY IMAGES

Poema de Filipa Leal integrado no poema em cadeia Renshi.eu - um diálogo europeu em versos.

Apontas para o rosto sarcástico do sol de Inverno
E disparas. Há tantos meses que não chove – reparaste?
É o próprio céu a desistir de ti. E mesmo assim tu disparas, só sabes disparar.
Estás enganada, Europa. Envelheceste mal e perdeste a humildade.
Não é contra o sarcasmo que disparas, não é contra o Inverno,
Nem sequer contra o insólito, contra o desespero.
Tu disparas contra a luz.
Podes atirar-nos tudo à cara, Europa: bombas, palavras, relatórios de contas.
Podes até atirar-nos à cara um deputado, uma cimeira.
Mas os teus filhos não querem gravatas. Os teus filhos querem paz.
Os teus filhos não querem que lhes dês a sopa. Os teus filhos querem trabalhar.
Há tantos meses que não chove – reparaste?
A terra está seca. Nem abraçados à terra conseguimos dormir.
Enquanto te escrevo, tu continuas a fazer contas, Europa.
Quem deve. Quem empresta. Quem paga.
Mas os teus filhos têm fome, têm sono. Os teus filhos têm medo do escuro.
Os teus filhos precisam que lhes cantes uma canção, que os vás adormecer.
Eu acreditei em ti e tu roubaste-me o futuro e o dos meus irmãos.
Se estamos calados, Europa, é apenas porque, contrários ao teu gesto,
Nós não queremos disparar.


*Renshi.eu - é um poema em cadeia escrito por 28 poetas de 28 países europeus, que abordam de forma literária as questões do presente e futuro da Europa. Cada poeta começa a escrever a partir do último verso do poema anterior, dando origem a a uma obra gigantesca que espelha uma miríade de olhares e referências culturais. Este poema foi lido pela autora em português, na sessão de apresentação da obra conjunta, na Akademie der Künste de Berlim, em 2012.