20/03/2017

JÁ CHEGOU

De mansinho e a prometer algum frio, chegou a primavera às 10h29, sempre de mãos dadas com a poesia, a música e a pintura.

ENTRE MARÇO E ABRIL

Que cheiro doce e fresco,              
Primavera em Giverny
Claude Monet (1840 -1926),


Por entre a chuva,
Me traz o sol,
Me traz o rosto,
Entre Março e Abril,
O resto que foi meu,
O único
Que foi afago e festa e primavera?

Oh cheiro puro e som de terra!
Não das mimosas,
Que já tinham florido
No meio dos pinheiros;

Não dos lilases,
Pois era cedo ainda para mostrarem
O coração às rosas ;
Mas das tímidas, dóceis flores
De cor difícil,
Entre limão e vinho,
Entre marfim e mel,
Abertas no canteiro, junto ao tanque.

Frésias,
Ó pura memória
De ter cantado –
Pálidas, flagrantes,
Entre chuva e sol
E chuva
- que mãos vos colhem,
Agora que estão mortas
As mãos que foram minhas ?"

Com o sopro da manhã e o aroma
das frésias eu sonhava longamente

Eugénio de Andrade

A Sonata Primavera (Op. 24) em Fá Maior é a quinta das sonatas para violino de Beethoven. Foi editada em 1801 e dedicada ao mecenas Conde Moritz von Fries.
Aqui por  Maria João Pires e Augustin Dumay:

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