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| 1934-2016 Leonard Cohen, setembro 2016 Fotografia de Graeme Mitchell para o New Yorker
A economia das palavras, a simplicidade da sintaxe - a força dos poemas de Cohen. Partiu aos 82 anos, três semanas depois de ter sido lançado o seu 14º álbum de estúdio You Want It Darker, todo ele um adeus antecipado. “I am ready to die. I hope it’s not too uncomfortable. That’s about it for me.”, confessava na entrevista ao New Yorker, em 17 outubro.
Nesta semana do 11/9 (vitória de Trump), vale a pena recordar Everybody knows.
Everybody knows that the dice are loaded Everybody rolls with their fingers crossed Everybody knows the war is over Everybody knows the good guys lost Everybody knows the fight was fixed The poor stay poor, the rich get rich That's how it goes Everybody knows (...) |
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11/11/2016
IN MEMORIAM
10/11/2016
ON NE DIT PAS... ON DIT...
não se diz atelier diz-se oficina
não se diz dossier diz-se arquivador
não se diz placard diz-se expositor
não se diz envelope diz-se sobrescrito
não se diz soutien diz-se estrofião
não se diz dossier diz-se arquivador
não se diz placard diz-se expositor
não se diz envelope diz-se sobrescrito
não se diz soutien diz-se estrofião
estrofião só pode ser um palavrão
Bandolim, Adília Lopes
08/11/2016
PERSONALIDADE +
Um pouco mais de sol. Um pouco mais de azul
Há uma semana que estão disponíveis as cartas e postais que Mário de Sá-Carneiro enviou a Fernando Pessoa, entre 1912 e 1916, ano em que morreu com apenas 26 anos. Podemos consultá-los no novo site dedicado ao poeta, Mário de Sá-Carneiro online, construído para divulgar, internacionalmente, a obra de um dos mais originais poetas do modernismo português. O site, ainda em desenvolvimento, será bilingue. Neste momento, apenas a biografia se encontra em português e inglês.
No primeiro semestre de 2017, Adriana Calcanhoto, cantora e compositora brasileira apaixonada pela obra de Mário de Sá-Carneiro, vai ser professora convidada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E mais uma vez, yes, the times they are a' changin'...
07/11/2016
AFINAL!!!
Paddy Cosgrave, irlandês de 33 anos, é o co-fundador da Web-Summit, a mais importante conferência europeia de tecnologia, que, este ano, se realiza em Lisboa, de 7 a 9 de novembro.
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| Paddy Cosgrave em Lisboa |
Numa das últimas edições da revista Sábado, podemos ler uma entrevista sua, com sublinhado nosso:
Qual é o objeto de trabalho que não dispensa?
A minha peça favorita de tecnologia executiva é o meu lápis. Sublinhar é a minha meditação.
E nos tempos livres o que gosta de fazer?
E nos tempos livres o que gosta de fazer?
Leio muito. Um dos livros que li recentemente foi "Free to choose", de Milton e Rose Friedman. (...) Gosto de ler o que não está na moda...
Afinal, ... nem só de computadores se vive!
Afinal, ... nem só de computadores se vive!
06/11/2016
A GRALHA
I' m back!
Mais trôpega, mais pitosga, mais rabugenta, a passar mais tempo no ninho, mas com boa memória.
Os 56 anos do edifício do Cinema Palácio (infelizmente com outra utilização) e a reabeartura do cinema Trindade, no Porto, fizeram avivar memórias.
Desde muito nova, ainda sem ousar voos solitários, era levada por pássaros mais velhos ao cinema. Alisávamos as penas, escolhíamos uma plumagem de festa e, cheios de emoção, lá íamos ver animais da nossa espécie ou de outras, como Tom & Cherry, Bugs Bunny.
Quando as luzes se apagavam e se abriam as cortinas, o mundo do maravilhoso surgia. A mais antiga recordação é de Fantasia de Walt Disney onde, entre outros, as minhas elegantíssimas primas avestruzes dançam admiravelmente. (Podem ver o filme na BE).
Depois, seguiram-se filmes mais "sérios", conforme a nossa idade. Limpámos os olhos com as nossas asinhas, rimos até nos caírem as penas, abrimos os olhos para o mundo e sonhamos ... com Robert Redford em The great Gatsby,
com Warren Beatty em Reds
No segundo intervalo, o primeiro tinha sido antes do começo do filme, íamos ao WC, bebíamos ou comíamos. Acima de tudo esvoaçávamos para ver, e ser vistos, quem estava. Não havia o péssimo hábito de comer painço assado, em muitos casos ruidosamente, e bebericar durante a sessão, muito menos entrar e sair, incomodando os outros.
A televisão transmitia durante poucas horas. Não havia i-pads, nem afins. O ecrã era gigante. O som não afetava os nossos pobres tímpanos. No final, conforme a hora, lanchávamos, ou, já uma avezinha crescidinha, depois da sessão da noite voava até à Cunha para um Nebraska com chantilly.
O cinema era um must semanal.Those were the days!
Bicadas ternas e saudosas da vossa
Gralha
05/11/2016
APRENDIZAGEM
Piper é a nova curta-metragem da Pixar. Está a ser projetada antes do filme À Procura de Dory, a sequela de À Procura de Nemo. Realizada por Alan Barillaro, esta obra-prima da animação deixa-nos completamente rendidos. Segundo Barillaro, as linhas pormenorizadas das personagens e dos objetos e a focagem da câmara visam colocar o espectador num documentário sobre a natureza, à boa maneira de National Geographic. Piper conta a história de um filhote de maçarico que se aventura a sair do ninho, pela primeira vez, para procurar comida.
A versão completa está disponível aqui.
04/11/2016
BOM DIA!
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| Room of Philosophy, Jungho Lee |
A expressão "Bom dia!" é usada na língua comum por muitas pessoas no português europeu há muito tempo. Foi inventada por alguém um dia e a moda pegou. Saber se foi assim e como isto aconteceu e acontece é uma questão muito complicada. (...)
Acho "Bom dia!" lindo. É um grande verso, um grande poema. Acho que o Homem não fica zangado se eu disser que acho "Bom dia!" tão bom e melhor do que a "Odisseia" e a "Ilídia".
"Bom dia!" é uma oração, um poema de amor, uma epopeia.
"Bom dia!" é uma oração, um poema de amor, uma epopeia.
Bandolim, Adília Lopes
03/11/2016
A POESIA VOLTOU A SÃO BENTO
Aquela cativa, que me tem cativo, porque nela vivo, já não quer que viva (...)
O Ministro das Finanças esteve ontem no Parlamento para mais uma audição sobre o Orçamento de Estado para 2017 (desta vez trouxe as famosas tabelas). Respondeu às críticas sobre as cativações de verbas dos ministérios, recorrendo aos versos iniciais de uma redondilha que Camões escreveu para Bárbara, a escrava por quem se perdeu de amores na Índia. Estava inspirado o Senhor Ministro. De Camões passou a Jorge Luís Borges. Após uma intervenção de uma deputada, arremessou, Só devemos falar para melhorar o silêncio. O ambiente azedou.
A oposição não quis deixar de estar à altura das incursões literárias de Mário Centeno e, socorrendo-se também de Camões, eis que surge Perdigão Perdeu a Pena.
No programa Governo Sombra do passado sábado, Pedro Mexia recordou o episódio que levou Natália Correia a escrever o poema satírico Truca-Truca. Durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez, um deputado de nome Morgado, afirmou que o acto sexual é para fazer filhos. Natália Correia inspirada pelas declarações do dito deputado, logo escreveu o poema e pediu a palavra. As gargalhadas vieram de todas as bancadas e e a sessão teve de ser interrompida.
Não, não vamos transcrever o Truca-Truca.
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| Natália Correia (1923 - 1993) |
02/11/2016
MUSEU DA MÚSICA MECÂNICA
Sempre que um homem sonha
Durante 30 anos, o professor Luís Cangueiro aliou a paixão pela música com o espírito colecionista. Conseguiu reunir mais de 600 caixas de música, realejos, autómatos, fonógrafos e gramofones que podem ser agora apreciados no Museu da Música Mecânica, em Pinhal Novo, Palmela. A coleção é representativa da música mecânica, dos finais do século XIX à década de 30 do século XX. Todas as peças expostas estão funcionais, permitindo que se ouçam os seus sons, as suas melodias que nos levam a viajar por memórias de outros tempos e de outras sonoridades.
Vale a pena começar por uma visita virtual aqui.
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| His Master's Voice (HMV) |
01/11/2016
A MORTE E DEPOIS
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| Infinite gratitude, René Magritte, 1963 |
Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo,
fatos escuros, olhos de lua de cerimónia,
viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
primeiro, os olhos... em seguida, os lábios...
depois os cabelos... a carne, em vez de apodrecer,
começaria a transfigurar-se em fumo...
tão leve... tão subtil... tão pólen...
como aquela nuvem além vêem?
Nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
Nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...
José Gomes Ferreira
Por mim, nos dias 1 e 2 de Novembro - os dias em que as nossas sociedades científico-técnicas, que fizeram da morte tabu, permitem a visita dos mortos -, coloco um CD com o Requiem Alemão de Brahms e outro com o Requiem de Mozart no leitor de CD, em homenagem aos meus pais, amigos e todos os mortos - poderão ser uns cem mil milhões. A música diz-nos o indizível: o que é existir simultaneamente no tempo e fora dele.
Padre Anselmo Borges
in DN
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