30/11/2016

PORTUGUESES EM MADRID

O artista português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, é considerado uma referência a nível mundial na arte urbana. Uma das suas últimas obras, José Saramago, pode ser apreciada, desde o dia 11, numa fachada da Universidade Carlos III, em Madrid.
Durante três dias, numa iniciativa no âmbito da 14ª Mostra de Cultura Portuguesa em Espanha, Vhils esculpiu a cara do escritor que muito admira pela sua obra, pela sua integridade, pela sua posição política assim como pela ligação que tinha com Espanha.
Trata-se da homenagem de Madrid a José Saramago, que foi tão português como espanhol e a autarquia queria que Saramago estivesse num lugar central da cidade, sublinhou Marisol Mena, responsável pelo Património Cultural da Câmara Municipal de Madrid. 

29/11/2016

PORTUGUESES NO JAPÃO

Silence, o novo filme de Martin Scorsese, baseado no livro homónimo do japonês Shusaku Endo, desenrola-se no século XVII e conta a história de dois padres jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garrpe (Adam Driver). Os dois viajam para o Japão para procurar o seu mentor, Padre Ferreira (Liam Neeson) e espalhar os ensinamentos do cristianismo pelos indígenas. 


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28/11/2016

PELO AMBIENTE

O projeto ClimAdaptLocal, lançado em janeiro de 2015, está integrado no Programa AdaPT, criado para apoiar o desenvolvimento de projetos de adaptação às alterações climáticas. Em Portugal, o projeto tem como principal objetivo desenvolver 26 Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas em parceria com as respetivas autarquias. O município de Viana do Castelo - afetado pela erosão costeira acelerada, agravada pela subida do nível do mar - integra o ClimAdaptLocal.
Disponível na página do projeto, de forma gratuita, encontramos o livro de banda desenhada Reportagem Especial – Adaptação às Alterações Climáticas em Portugal que aborda algumas consequências das alterações climáticas já verificadas em Portugal. Um facto muito curioso deste livro é que as personagens são reais - cientistas como o físico Filipe Duarte Santos e a socióloga Luísa Schmidt, por exemplo .
O argumento da banda desenhada é da responsabilidade do biólogo Bruno Pinto.


27/11/2016

PORQUE HOJE É DOMINGO

Um domingo qualquer, Luís Sarmento


Poema de Domingo 

Aos domingos as ruas estão desertas 
e parecem mais largas. 
Ausentaram-se os homens à procura 
de outros novos cansaços que os descansem. 
Seu livre arbítrio alegremente os força 
a fazerem o mesmo que fizeram 
os outros que foram fazer o que eles fazem. 
E assim as ruas ficaram mais largas, 
o ar mais limpo, o sol mais descoberto. 
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas 
e espetarem o ventre e alargarem os braços 
no amplexo de amor que só eles conhecem. 
O olhar aberto às largas perspectivas 
difunde-se e trespassa 
os sucessivos, transparentes planos. 
Um cão vadio sem pressas e sem medos 
fareja o contentor tombado no passeio. 

É domingo. 
E aos domingos as árvores crescem na cidade, 
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas. 
Tudo volta ao princípio. 
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas 
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras 
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo, 
enquanto o transeunte, 
no deslumbramento do encontro inesperado, 
eleva a mão e acena 
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém. 


 Novos poemas póstumosAntónio Gedeão


26/11/2016

PARABÉNS

(Imagem daqui)

Fausto faz hoje 68 anos. A sua vida está ligada ao mar desde o primeiro momento. Apesar de registado em Vila Franca das Naves, Trancoso, nasceu a bordo do paquete Pátria, algures no Atlântico, entre Angola e Portugal. Figura incontornável da música popular portuguesa, os seus discos são fruto de muitas leituras. Partindo da obra Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto (a BE empresta) surge Por Este Rio Acima, em 1982, primeiro álbum de uma trilogia, intitulada Lusitana Diáspora. Seguiu-se Crónicas da Terra Ardente, baseado na História Trágico-Marítima, coleção de narrativas de naufrágios ocorridos entre 1552 e 1602 com navios portugueses, reunida por Bernardo Gomes de Brito. O terceiro e último álbum desta trilogia, Em Busca das Montanhas Azuis, de 2011, já não se baseia nas viagens marítimas dos portugueses, mas na descoberta do interior do continente africano.
Como diz Viriato Teles, jornalista e crítico, “leiam estes discos, por favor”.

Vou no espantoso trono das águas
vou no tremendo assopro dos ventos
vou por cima dos meus pensamentos 
(...)
in 

25/11/2016

DIA SEM COMPRAS


Que tal ficar um dia inteiro sem comprar nada? Pois é esta a proposta da Associação Zero para hoje, dia em que somos invadidos pela Black Friday, mais uma importação desnecessária.
O Dia Mundial Sem Compras celebra-se há 24 anos e tem como objetivo incentivar as pessoas a refletirem sobre os excessos de consumo que levam ao desperdício e ao fomento do descartável.
A Associação Zero vai desenvolver ações por todo o país para divulgar um conjunto de boas práticas. Aqui ficam:
não desperdiço comida em casa; só compro o necessário nas quantidades certas; compro os produtos locais e da época; compro produtos de agricultura biológica; prefiro embalagens reutilizáveis; evito embalagens desnecessárias; opto por reparar os meus equipamentos; o meu telemóvel tem mais de três anos; compro produtos em segunda mão. E, reduzo o consumo de carne.

24/11/2016

DIA DE AÇÃO DE GRAÇAS


O presidente Barack Obama perdoou, pela última vez, dois perus no dia de Ação de Graças, durante a tradicional cerimónia anual na Casa Branca.
Acompanhado dos dois sobrinhos, o presidente cessante, agradeceu a confiança dos norte-americanos ao longo dos seus dois mandatos, antes de perdoar os perus Tot e Tater
Se todos seguissem a sua mensagem…
“O dia de ação de graças é também uma forma de lembrar a fonte da nossa força, que estamos juntos, que estamos unidos não por raças ou religiões, mas pela adesão a um credo comum, de que todos nascemos iguais. Aceitar as nossas diferenças e a nossa diversidade, nunca foi fácil mas também nunca foi tão importante”.

Agora, uma nota de humor em defesa dos perús. Senhoras e Senhores, um forte aplauso para The Supremes.



23/11/2016

A GAIOLA EM POLVOROSA


    Apesar de afastada, há sempre  um Colibri que me envia notícias da Gaiola. Segundo me chegou aos ouvidos, está tudo em polvorosa com a eleição de umas Águias para serem representantes de todas as Avezinhas.
  Durante uma semana, esta, colam-se cartazes, enche-se a Gaiola de balões e de todas as formas de apelo ao voto.
  De fora, chegam mesmo a vir uns Gaviões barulhentos que gritam, esperneiam, agitam as asas e fazem ... barulho, desculpem ... música. (para um concerto de pássaros a sério, ler A vida mágica da Sementinha - a BE empresta.)
  Os candidatos, palram, pipilam, arrulham, cacarejam. Vale tudo. O "programa" é apresentado numa folhinha, e, como os primos Papagaios, debitam o dos anos anteriores, com algumas alterações com montes de promessas de coisas que nunca poderão ser levadas a cabo... E prometem. E oferecem. Este ano é que é!
  Zangam-se os Pintassilgos, os Melros, as Carriças, as Garças e os Flamingos ... Dão bicadas. Picam-se. Espetam as garras...
 Oferecem balões, rebuçados, fitinhas. As Avezinhas esvoaçam, agarram as prendas, colecionam-nas e vão votar em quem dá mais e mais colorido.
  No fim, ganha o bando que mais prometeu. O que vai fazer de tudo o que prometeu? Vai dar música à passarada e fazer umas festinhas. O resto? Não depende só deles... Queriam, mas não podem...
  Uma Jota qualquer espera-os. Quando forem maiores serão uns Melros-de-bico-amarelo de truz...
  As Avezinhas mais novas vão ser enganadas de novo. As Catatuas do primeiro andar não lhes explicaram o que deviam ser umas eleições. Não faz mal, a vez deles chegará... e, quando grandes, voltarão a ser enganados com promessas, aventais e canetas...
  A vida custa a todos!!!


Bicadas ternas e saudosas da vossa 
     
     Gralha

22/11/2016

PERSONALIDADE +

O livro Eça de Queiroz em Casa - Desenhos e Textos Inéditos, com organização e transcrição de Irene Fialho, é publicado amanhã, quarta-feira, pela editorial Presença.
Conforme Irene Fialho referiu à Antena 2, é uma obra que nos dá a conhecer um lado diferente de Eça, desde autocaricaturas a poemas escritos ao desafio, passando por retratos de perfil, partituras e até o desenho de um diabo nu, somos levados aos serões íntimos que Eça de Queiroz partilhava com os seus.
Quem estiver para os lados da capital, na próxima sexta-feira, pode assistir à última das sessões do Ciclo Em Busca de Eça, promovido pela Fundação Marquês de Pombal, no Palácio dos Aciprestes
A Gastronomia em Eça está marcada para as 18:30 e conta com a participação da chef Justa Nobre. 

21/11/2016

BRINCAR

O artigo de Luciana Leiderfarb, na E, Revista do Expresso, do dia 19, apresenta a visão de vários estudiosos sobre a importância das crianças brincarem. De Aida Figueiredo, transcrevemos alguns dados do estudo Interação Criança-Espaço Exterior em Jardim de Infância. Dão que pensar.
70
é a percentagem de crianças portuguesas que passa menos tempo ao ar livre do que os 60 minutos que o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos recomenda para os reclusos
10,8
é a percentagem de tempo médio que as crianças em creches e jardins de infância passam no exterior durante os quatro meses de inverno.
2
é o número de saídas ao exterior dos bebés com menos de um ano nas creches, durante os quatro meses de inverno.
8
é o número de horas de brincadeira por semana que as crianças de todo o mundo perderam nos últimos 20 anos. 

20/11/2016

PERSONALIDADE +


O padre José Tolentino Mendonça foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes, da Associação Portuguesa de Escritores e Câmara Municipal de Amarante. O júri decidiu, por unanimidade, atribuir o galardão ao padre poeta pelo seu livro A noite abre meus olhos, editado pela Assírio e Alvim.
José Tolentino Mendonça, nascido há 50 anos na ilha da Madeira, é sacerdote, poeta e professor universitário. Atualmente é vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa, diretor do Centro de Estudos de Religiões e Culturas e consultor do Pontifício Conselho para a Cultura, na Santa Sé.
A Infância de Herberto Helder foi o primeiro poema de Tolentino Mendonça. Tinha 16 anos quando começou a ler este grande poeta, seu conterrâneo.
Foi uma grande descoberta, referiu em entrevista ao Público em 2012, foi como se pudesse ouvir a música do mundo. Sentir que todas as coisas estavam vivas. Um lado orgânico do real (...)

A Infância de Herberto Helder



No princípio era a ilha
embora se diga
o Espírito de Deus
abraçava as águas

Nesse tempo
estendia-me na terra
para olhar as estrelas
e não pensava
que esses corpos de fogo
pudessem ser perigosos

Nesse tempo
marcava a latitude das estrelas
ordenando berlindes
sobre a erva

Não sabia que todo o poema
é um tumulto
que pode abalar
a ordem do universo agora
acredito

Eu era quase um anjo
e escrevia relatórios
precisos
acerca do silêncio

Nesse tempo
ainda era possível
encontrar Deus
pelos baldios

Isso foi antes
de aprender a algebra

José Tolentino Mendonça, 1990

18/11/2016

GPS

A Fundação Francisco Manuel dos Santos não pára. Desta vez, criou a rede GPS - Global Portuguese Scientists que, como explicam os responsáveis,  serve para sabermos quantos são, onde estão e como são os percursos dos cientistas portugueses espalhados pelo mundo. Mas não só. Também para fomentar a colaboração entre cientistas portugueses que trabalham em diferentes países (...)
A apresentação da plataforma é no próximo dia 22, pelos Professores David Marçal, coordenador do projeto e Carlos Fiolhais, colaborador. Promete. Humor não vai faltar, com certeza - David Marçal faz parte da equipa do Inimigo Público e dos Cientistas de Pé (piadas por cientistas*).
Já é possível uma visita à GPS. Vejam aqui.

* Definem-se como grupo de stand-up comedy, mas depois da última visita da Gralha, não ficava nada bem...

17/11/2016

DIA DA FILOSOFIA



Em 2002 a UNESCO instituiu o Dia Mundial da Filosofia, como resultado da necessidade da humanidade refletir sobre os acontecimentos atuais, fomentando-se o pensamento crítico, criativo e independente, contribuindo assim para a promoção da tolerância e da paz. A partir daí, este dia é celebrado, em todo o mundo, na terceira quinta-feira do mês de novembro. 


16/11/2016

COMO DISSE?!



     Quando, nos anos sessenta, muitas aves tiveram de partir por essa Europa à procura de um ninho e um milho mais gostoso, no regresso, nas vacances, gorjeavam numa linguagem que lhes deu o nome: os avec. Não era por mal, mas por necessidade.
     Hoje, muito nouveau rich, muito in, alguma passarada fala um dialecto estranho. Para os entender é preciso um know how que esta pobre Gralha já não consegue obter.
     Com mais tempo para ler jornais, tive de fazer um upgrade do meu vocabulário com tanta startup, cashflow, trend, brand, input, output (como diz o Zézé da peça "Filho da treta", só conheço o Halibut...), o wireless, os spin doctors, os hat-tricks do desporto, desculpem, do futebol, a happy hour (para quem? Para quem consome ou para quem vende?) as guest houses, os hostels (acabaram as pensões), os rent-a-car, os outdoors, a fashion a propósito de tudo e de nada, as top model que só comem e bebem light, fazem topless e usam t-shirts, os mails, os shoppings, os cup-cakes, os reality shows cheios de geeks a fazerem figura de parvos (será nerds?), os wine bars (as tascas de outrora, mas com style), o gourmet, os brunch, as check list, os designers, os showrooms... Ufa! Estou mesmo a precisar do coffee break! Que stress!
     Apesar de não ter o background e skills necessários, o que me dava jeito era ser CEO de uma empresa! É tudo uma questão de lobbying...
     E depois disto tudo, os telenoveleiros ficam muito escandalizados, por ignorância, quando ouvem a palavra bicha e, com as penas eriçadas piam alto: Fila. Pobrezinhos! Só me apetecia fazer-lhes - delete.
     Chega! A velhice dá para isto. (Já ouviram falar em oldsitting?)
    
     Bicadas ternas e saudosas da vossa 
     
     Gralha


     P.S. E não é que me esqueci do facebook!!!!


15/11/2016

ESPALHAR SILÊNCIOS

15 de novembro

Dia 

Nacional

da


A Língua Gestual Portuguesa (LGP) nasceu em 1823, na primeira escola de surdos, na Casa Pia de Lisboa. O professor era sueco e trouxe o alfabeto manual do seu país. Apesar de não se verificarem semelhanças ao nível do vocabulário, o alfabeto da LGP e o da língua gestual sueca (Svenskt teckenspråk) evidenciam a sua origem comum.
A LGP foi reconhecida na Constituição, em 1997, como uma das línguas oficiais de Portugal. Foi o sexto país do mundo a fazê-lo.
Diz-se língua gestual (de determinado país) e nunca linguagem gestual, tal como se diz língua portuguesa e não linguagem portuguesa.

Quando a publicidade faz a diferença, vale a pena partilhar.

14/11/2016

CORES DE OUTONO



Outono



Tarde pintada 
Por não sei que pintor. 
Nunca vi tanta cor 
Tão colorida! 
Se é de morte ou de vida, 
Não é comigo. 
Eu, simplesmente, digo 
Que há fantasia 
Neste dia, 
Que o mundo me parece 
Vestido por ciganas adivinhas, 
E que gosto de o ver, e me apetece 
Ter folhas, como as vinhas. 

                                 Diário X,  Miguel Torga


13/11/2016

SUPERLUA

A superlua de segunda-feira será a maior e a mais brilhante desde 1948. Este fenómeno acontece quando a lua atinge a fase de lua cheia no ponto mais próximo da terra.
De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, a melhor altura para se observar a superlua, na segunda-feira, é quando nasce, às 17:49. Não esqueçam - uma superlua maior que esta só ocorrerá a 25 de novembro de 2034, quando a lua se aproximar mais da terra, a 356.445,402 quilómetros.
Por agora, podemos Estar na Lua aqui e  recordar Harvest Moon, de Neil Young que celebrou ontem 71 anos.
(...)
But there's a full moon risin'
Let's go dancin' in the light
We know where the music's playin'
Let's go out and feel the night
(...)

12/11/2016

MASSACRE DE SANTA CRUZ

Passam hoje 25 anos sobre o massacre em Timor. Causou mais de 300 mortos. Para assinalar a data, centenas de timorenses participaram numa recriação do massacre no cemitério de Santa Cruz. Foi, também, inaugurada uma exposição de 32 imagens de cicatrizes, no corpo de 32 sobreviventes. A exposição chama-se "Fitar", o significado de cicatriz em tétum (língua nacional e uma das línguas oficiais de Timor-Leste). 
Numa época em que se pretendem apagar memórias, aqui fica o registo desta cicatriz dolorosa que contribuiu para abrir caminho à liberdade.
A 12 de novembro de 1991, o exército indonésio disparou indiscriminadamente sobre timorenses pró-independência, quando estes marchavam até ao cemitério, em protesto pelo assassinato, semanas antes, do ativista Sebastião Gomes. Max Stahl, um jornalista e documentalista britânico, encontrava-se no local, filmou os acontecimentos e, com a ajuda de Saskia Kouwenberg, conseguiu que as imagens saíssem do país. Como? Só agora Saskia aceitou contar a história que podem descobrir aqui. A divulgação do massacre pelas televisões de todo o mundo, voltou a colocar o caso de Timor nas agendas diplomáticas. A Indonésia foi obrigada a realizar um referendo na ex-colónia portuguesa que terminou com a vitória dos que defendiam a independência, declarada oficialmente em 2002.



11/11/2016

IN MEMORIAM

1934-2016
Leonard Cohen, setembro 2016
Fotografia de Graeme Mitchell para o New Yorker

A economia das palavras, a simplicidade da sintaxe - a força dos poemas de Cohen. Partiu aos 82 anos, três semanas depois de ter sido lançado o seu 14º álbum de estúdio You Want It Darker, todo ele um adeus antecipado. “I am ready to die. I hope it’s not too uncomfortable. That’s about it for me.”, confessava na entrevista ao New Yorker, em 17 outubro.
Nesta semana  do 11/9 (vitória de Trump), vale a pena recordar Everybody knows.

Everybody knows that the dice are loaded
Everybody rolls with their fingers crossed
Everybody knows the war is over
Everybody knows the good guys lost
Everybody knows the fight was fixed
The poor stay poor, the rich get rich
That's how it goes
Everybody knows

(...)


10/11/2016

ON NE DIT PAS... ON DIT...


      
                                     não se diz atelier                 diz-se oficina
                                     não se diz dossier                diz-se arquivador
                                     não se diz placard               diz-se expositor
                                     não se diz envelope             diz-se sobrescrito
                                     não se diz soutien                diz-se estrofião

estrofião só pode ser um palavrão


Bandolim, Adília Lopes 
   

08/11/2016

PERSONALIDADE +

Um pouco mais de sol. Um pouco mais de azul

Há uma semana que estão disponíveis as cartas e postais que Mário de Sá-Carneiro enviou a Fernando Pessoa, entre 1912 e 1916, ano em que morreu com apenas 26 anos. Podemos consultá-los no novo site dedicado ao poeta, Mário de Sá-Carneiro online, construído para divulgar, internacionalmente, a obra de um dos mais originais poetas do modernismo português. O site, ainda em desenvolvimento, será bilingue. Neste momento, apenas a biografia se encontra em português e inglês. 
No primeiro semestre de 2017, Adriana Calcanhoto, cantora e compositora brasileira apaixonada pela obra de Mário de Sá-Carneiro, vai ser professora convidada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. E mais uma vez, yesthe times they are a' changin'...

07/11/2016

AFINAL!!!

  Paddy Cosgrave, irlandês de 33 anos, é o co-fundador da Web-Summit, a mais importante conferência europeia de tecnologia, que, este ano, se realiza em Lisboa, de 7 a 9 de novembro.

Paddy Cosgrave em Lisboa
 Numa das últimas edições da revista Sábado, podemos ler uma entrevista sua, com sublinhado nosso:

Qual é o objeto de trabalho que não dispensa?
A minha peça favorita de tecnologia executiva é o meu lápis. Sublinhar é a minha meditação.
E nos tempos livres o que gosta de fazer?
Leio muito. Um dos livros que li recentemente foi "Free to choose", de Milton e Rose Friedman. (...) Gosto de ler o que não está na moda...

Afinal, ... nem só de computadores se vive!

06/11/2016

A GRALHA


I' m back!
Mais trôpega, mais pitosga, mais rabugenta, a passar mais tempo no ninho, mas com boa memória. 
Os 56 anos do edifício do Cinema Palácio (infelizmente com outra utilização) e a reabeartura do cinema Trindade, no Porto, fizeram avivar memórias. 
Desde muito nova, ainda sem ousar voos solitários, era levada por pássaros mais velhos ao cinema. Alisávamos as penas, escolhíamos uma plumagem de festa e, cheios de emoção, lá íamos ver animais da nossa espécie ou de outras, como Tom & Cherry, Bugs Bunny.
Quando as luzes se apagavam e se abriam as cortinas, o mundo do maravilhoso surgia. A mais antiga recordação é de Fantasia de Walt Disney onde, entre outros, as minhas elegantíssimas primas avestruzes dançam admiravelmente. (Podem ver o filme na BE).

Depois, seguiram-se filmes mais "sérios", conforme a nossa idade. Limpámos os olhos com as nossas asinhas, rimos até nos caírem as penas, abrimos os olhos para o mundo e sonhamos ... com Robert Redford em The great Gatsby,


com Warren Beatty em Reds

e com Jack Nicholson em Voando sobre um ninho de cucos.

No segundo intervalo, o primeiro tinha sido antes do começo do filme, íamos ao WC, bebíamos ou comíamos. Acima de tudo esvoaçávamos para ver, e ser vistos, quem estava. Não havia o péssimo hábito de comer painço assado, em muitos casos ruidosamente, e bebericar durante a sessão, muito menos entrar e sair, incomodando os outros.
A televisão transmitia durante poucas horas. Não havia i-pads, nem afins. O ecrã era gigante. O som não afetava os nossos pobres tímpanos. No final, conforme a hora, lanchávamos, ou, já uma avezinha crescidinha, depois da sessão da noite voava até à Cunha para um Nebraska com chantilly.
O cinema era um must semanal.
Those were the days!
Bicadas ternas e saudosas da vossa 

Gralha

05/11/2016

APRENDIZAGEM

Piper é a nova curta-metragem da Pixar. Está a ser projetada antes do filme À Procura de Dory, a sequela de À Procura de Nemo. Realizada por Alan Barillaro, esta obra-prima da animação deixa-nos completamente rendidos. Segundo Barillaro, as linhas pormenorizadas das personagens e dos objetos e a focagem da câmara visam colocar o espectador num documentário sobre a natureza, à boa maneira de National Geographic. Piper conta a história de um filhote de maçarico que se aventura a sair do ninho, pela primeira vez, para procurar comida. 


A versão completa está disponível aqui.


04/11/2016

BOM DIA!

Room of Philosophy, Jungho Lee

A expressão "Bom dia!" é usada na língua comum por muitas pessoas no português europeu há muito tempo. Foi inventada por alguém um dia e a moda pegou. Saber se foi assim e como isto aconteceu e acontece é uma questão muito complicada. (...)
Acho "Bom dia!" lindo. É um grande verso, um grande poema. Acho que o Homem não fica zangado se eu disser que acho "Bom dia!" tão bom e melhor do que a "Odisseia" e a "Ilídia".
"Bom dia!" é uma oração, um poema de amor, uma epopeia.
Bandolim, Adília Lopes

03/11/2016

A POESIA VOLTOU A SÃO BENTO

Aquela cativa, que me tem cativo, porque nela vivo, já não quer que viva (...)

O Ministro das Finanças esteve ontem no Parlamento para mais uma audição sobre o Orçamento de Estado para 2017 (desta vez trouxe as famosas tabelas). Respondeu às críticas sobre as cativações de verbas dos ministérios, recorrendo aos versos iniciais de uma redondilha que Camões escreveu para Bárbara, a escrava por quem se perdeu de amores na Índia. Estava inspirado o Senhor Ministro. De Camões passou a Jorge Luís Borges. Após uma intervenção de uma deputada, arremessou, Só devemos falar para melhorar o silêncio. O ambiente azedou.
A oposição não quis deixar de estar à altura das incursões literárias de Mário Centeno e, socorrendo-se também de Camões, eis que surge Perdigão Perdeu a Pena
No programa Governo Sombra do passado sábado, Pedro Mexia recordou o episódio que levou Natália Correia a escrever o poema satírico Truca-Truca. Durante o primeiro debate parlamentar sobre a interrupção voluntária da gravidez, um deputado de nome Morgado, afirmou que o acto sexual é para fazer filhos. Natália Correia inspirada pelas declarações do dito deputado, logo escreveu o poema e pediu a palavra. As gargalhadas vieram de todas as bancadas e e a sessão teve de ser interrompida.
Não, não vamos transcrever o Truca-Truca.
Natália Correia (1923 - 1993)


02/11/2016

MUSEU DA MÚSICA MECÂNICA

Sempre que um homem sonha

Durante 30 anos, o professor Luís Cangueiro aliou a paixão pela música com o  espírito colecionista. Conseguiu reunir mais de 600 caixas de música, realejos, autómatos, fonógrafos e gramofones que podem ser agora apreciados no Museu da Música Mecânica, em Pinhal Novo, Palmela. A coleção é representativa da música mecânica, dos finais do século XIX à década de 30 do século XX. Todas as peças expostas estão funcionais, permitindo que se ouçam os seus sons, as suas melodias que nos levam a viajar por memórias de outros tempos e de outras sonoridades.
Vale a pena começar por uma visita virtual aqui.
His Master's Voice (HMV)



01/11/2016

A MORTE E DEPOIS

 Infinite gratitude, René Magritte, 1963

Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.

Quando nos sentíssemos cansados,
fartos do mesmo sol a fingir de novo todas as manhãs,
convocaríamos os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer:
"Fulano de tal comunica a V. Exa. que vai transformar-se
em nuvem hoje às 9 horas. Traje de passeio".

E então, solenemente, com passos de reter tempo,
fatos escuros, olhos de lua de cerimónia,
viríamos todos assistir à despedida.
Apertos de mãos quentes.
Ternura de calafrio.

"Adeus! Adeus!"

E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
primeiro, os olhos... em seguida, os lábios...
depois os cabelos... a carne, em vez de apodrecer,
começaria a transfigurar-se em fumo...
tão leve... tão subtil... tão pólen... 
como aquela nuvem além vêem?

Nesta tarde de outono ainda tocada por um vento de lábios azuis...

José Gomes Ferreira


Por mim, nos dias 1 e 2 de Novembro - os dias em que as nossas sociedades científico-técnicas, que fizeram da morte tabu, permitem a visita dos mortos -, coloco um CD com o Requiem Alemão de Brahms e outro com o Requiem de Mozart no leitor de CD, em homenagem aos meus pais, amigos e todos os mortos - poderão ser uns cem mil milhões. A música diz-nos o indizível: o que é existir simultaneamente no tempo e fora dele. 
Padre Anselmo Borges
in DN