07/11/2014

MARIE CURIE


7 de novembro 1867 - 4 de julho 1934
    Aos vinte e quatro anos, Maria não possuía qualquer preparação científica especial, apenas uma grande determinação. Em 1893, licenciava-se em ciências físicas pela Sorbonne (melhor aluna do curso) e, em 1894, em ciências matemáticas (segunda melhor). Neste ano, conheceu o futuro marido, Pierre Curie, que a convenceu a continuar os seus estudos e pesquisa em Paris. (...)
    Em 1895, Pierre e Marie casaram-se ...
    Não tinha emprego, mas começou a trabalhar (sem salário ou qualquer subsídio de investigação) na escola do marido. O assunto que escolheu para uma possível tese de doutoramento foram os raios de Becquerel. (...)
   ... Pierre abandonou as suas investigações sobre a simetria dos cristais para ajudar a mulher. Valeu a pena. Procuravam um, mas descobriram mais dois elementos. A descoberta do polónio (Po) - assim chamado, em homenagem à terra natal de Marie, a Polónia. (...) Foi neste artigo conjunto (De uma substância radioactiva nova, contida na pechblenda), que os Curies usaram, pela primeira vez, a palavra radioactividade. A descoberta do rádio (Ra) ... seguiu-se poucos meses depois, (...)
    As condições de trabalho eram subhumanas. Em certa altura, Mme Curie registou, no seu caderno de notas, uma temperatura ambiente de 6.25 º C !!!!!!!!!! (Sim, usou dez pontos de exclamação!). O casal tinha ainda de se haver com padecimentos vários - cansaço extremo, reumatismo, inflamações de pele, etc. Sem o saber, estavam já a sofrer as consequências da exposição ao material radioactivo.. A propósito: vários dos cadernos de apontamentos do casal Curie estão de tal modo contaminados por material radioactivo, que continuam a ser guardados em cofres forrados a chumbo! (...)
    ... os melhores dos seus discípulos lusos seriam compulsivamente afastados das universidades pelo governo salazarista.
Haja luz!, Jorge Calado

 Marie Curie foi a primeira mulher a receber um  Prémio Nobel e a única pessoa que o recebeu duas vezes - Prémio Nobel da Física, em 1903. e Prémio Nobel da Química, em 1911. A família Curie recebeu cinco Prémios:
  Pierre Curie - em 1903, com Marie;
 Irène Joliot-Curie, filha, Prémio Nobel da Química, em 1935, com o marido, Frédéric Joliot-Curie;
 Henry Labouisse, genro, era diretor da UNICEF quando esta organização foi galoarda, em 1965.
   
  Marie Curie morreu a 4 de julho de 1934.



                                          



06/11/2014

SOPHIA

 A coisa mais antiga de que me lembra é uma tarde de Primavera em que eu talvez ainda não tivesse nascido. Pelo menos não me lembro de estar ali - só me lembro da claridade difusa daquele quarto em que a Primavera entrava.  Uma calma infinita poisava sobre as coisas - como se fosse o princípio do mundo e tudo estivesse ainda intocado.

  E eu vi uma mulher alta e branca atravessar o quarto e abrir a janela. Um cheiro de terra e de rosas e de tílias subia do jardim. Com certeza tinha chovido. Contra a luz os cabelos da mulher ficaram loiros e eram como um halo de nevoeiro doirado. Mas havia nesse doirado um tal ardor, um fogo tão intenso e tão secreto que toda a minha paz foi subitamente destruída.
Sophia de Mello Breyner Andresen

6 de novembro de 1919 - 2 de julho 2004

05/11/2014

GUY FAWKES MODERNO

  Guy Fawkes já aqui foi apresentado como herói para uns e vilão para outros.
  Durante os séculos seguintes, a sua figura foi utilizada para "castigar" outras personagens, principalmente ligados à política, como Paul Kruger, chefe da resistência Boer contra os ingleses e presidente da África do Sul, ou Margaret Thatcher, primeira ministra britânica entre 1979 e 1990. Os bonecos representando estes dois estadistas também acabaram numa fogueira, como Guy.


 Nesta BD, publicada pela primeira vez em 1982, V, a personagem principal, anarquista, usa a máscara de Guy Fawkes e pretende também levar a cabo um plano revolucionário para derrubar o governo.


04/11/2014

A MARCHA


  Que vos diz o nome Felix Bartholdy? Se acrescentarmos que nasceu em Hamburgo, em 1809, e morreu em Leipzig, a 4 de novembro de 1847? E se dissermos que escreveu uma das músicas mais tocadas no mundo, em certas cerimónias? A suite Sonho de uma noite de verão, que inclui esta obra musical:


 Claro, trata-se da Marcha nupcial mais famosa, escrita por Felix Mendelssohn Bartholdy, tendo por base uma peça de teatro de William Shakespeare - Sonho de uma noite de verão.

John Anster Fitzgerald, Casamento de Oberon e Titania


03/11/2014

UMA CADELA NO ESPAÇO

  Laika, uma cadela russa, tornou-se famosa por ser a primeira cosmonauta. 


  No dia 3 de novembro de 1957, a bordo do Sputnik 2, Laika foi lançada no espaço, com o fim de se testar os efeitos que o lançamento e a entrada em órbita poderia provocar no ser humano, pois desconheciam-se as  hipóteses de um ser vivo sobreviver no espaço, ou mesmo sobreviver ao lançamento. Segundo os cientistas soviéticos, Laika teria sobrevivido seis dias, depois de todo o oxigénio da nave ter sido consumido.  Apenas em 2002 se soube a causa  e a altura da morte da cadela. Laika apenas teria sobrevivido algumas horas, tendo morrido por sobreaquecimento, devido a falhas no sistema de arrefecimento da nave. 
   Anos depois, recorreu-se a macacos para a realização das experiências de voos tripulados, que permitiram que as naves fossem tripuladas por humanos.

Monumneto a Laika, inaugurado em 2008

02/11/2014

NEM A FAVA AS SALVA


  Não sabemos  quantos anos tem esta publicidade, nem onde foi publicada. Sabemos que, depois de uma revolução, depois da Declaração dos Direitos Humanos, depois de aulas de Cidadania, ainda há muitas Mariazinhas a precisarem de doses de Farinha da Fava. O que terão na cabeça esses valentes homenzinhos ( a diminuição da letra é propositado) que espancam as mulheres e, não menos frequentemente, as matam? 


  Esta publicidade não se dirigia à classe baixa, pobre, que não lia o jornal, nem podia comprar o jornal. Nessa época, como hoje, em todas as classes há Mariazinhas que vão aguentando, aguentando, sem nada fazerem e sem que ninguém faça nada por elas. Até quando?
  Uma palavra, também, para alguns homens que são vítimas de violência, não só física, como também psicológica. No caso deles, por vergonha, a dor ainda é maior.
   E dizemos nós que somos um país europeu e civilizado! Não são machos latinos. São uns perfeitos idiotas latinos.

01/11/2014

LILLIAS FRASER E O TERRAMOTO

- Vejo dentro do corpo das pessoas quando estou em jejum - explicou Blimunda.
- Eu vejo a morte - disse Lillias

 Hélia Correia promoveu o encontro destas duas personagens - Blimunda, do Memorial do convento, e Lillias Fraser que a escritora criou.
   


  Vinda da Escócia, a fugir de outros problemas e da guerra, Lillias está em Lisboa, em 1755. Os poderes sobrenaturais, comuns a Blimunda, permitem-lhe prever, em finais de outubro, um perigo,  que não consegue identificar, e muitas mortes .
  Estava a habituar-se àquele rugido, à súbita irrupção de labaredas sobre o sossego de uma refeição, a deitar-se no meio dos escombros que de manhã se iriam dissipar. As bocas que sangravam, muito abertas, surgiam como peixes entre as pedras.

 Como  tinha prometido à Irmã Teresa, pegou na imagem e começou a fuga de Lisboa, na véspera do 1 de novembro de 1755. Transcrevemos excertos das páginas que nos relatam todo o horror daquele dia e dos que se seguiram.

  Lillias começou a caminhar. Seguiu para norte sem que, no entanto a noite não desaparecesse. Ia cozida com muros, escorregava no caldo de detritos, receosa de que bichos das casas a sentissem e lhe denunciassem a presença.

  A terra estava em fúria, qual um touro varado por petardos numa arena. Muitos iriam realmente interpretar aquelas convulsões como revolta moral da natureza, ante os pecados que os humanos andavam cometendo. Muitos acharam que o bom Deus do Papa castigava Lisboa pela sua submissão aos heréticos ingleses. Equivalente enlevo punitivo ocupava os jornais dos protestantes, Tinham sido poupados quase todos, contando entre eles medos de cem vítimas, porque em boa verdade aquele desastre se dirigia apenas aos papistas, como um solene aviso do Senhor.

  Lillias julgou-se em cima de um ser vivo, porque parecia haver um sentimento na forma como o chão se debatia. Aquilo que dentre dele se resolvia levava-o rugir, ferido de morte. Escancarou uma enorme goela na encosta onde Lillias havia de encontrar-se, se tivesse avançado um minuto antes. A lama negra fumegava, como o bolo de alguma monstruosa digestão. O enxofre vinha directamente arremessado do inferno.

   Quinze dias depois do cataclismo, ainda as pedras estavam fumegantes. Continham tal calor que incendiavam as cestas em que as queriam retirar. Tomás, que se julgava preparado para qualquer cenário, arrepiou-se. Ladrão de aldeia, não dispunha de modelo que lhe servisse de comparação. Sabia apenas, por ouvir dizer, que por Lisboa andava muita gente e que, em ruas inteiras, as mulheres, dependuradas à janela, entre craveiros, exibiam o seio a quem passasse. 

  O melhor é ler o livro e encontrar toda a força desta rapariguinha, o Convento de Mafra, local de segurança, e o caos que um dos maiores terramotos causou. A BE empresta.


31/10/2014

UMA MARATONA

  Poderíamos falar do Halloween, mas não gostamos muito do comércio que se gerou à volta de uma tradição que não é nossa. Podem recordar o que já escrevemos sobre o assunto, aqui,  com uma tradição portuguesa que está a cair em desuso, ou aqui. Podemos sempre aproveitar para ler 


 As sessões da SEMANA DA BE, na Biblioteca, principalmente na 4ª e 5ª feira, foram uma verdadeira maratona.
 389 alunos passaram pela BE para ouvir e falar de leitura e das etapas de um trabalho de pesquisa, a partir de uma maçã. Para os alunos do secundário, fomos às salas ler um conto do livro Crepes num país de pés tristes. Falta ainda contabilizar as intervenções na sala de aula dinamizadas pelos professores. 
 Com muito prazer, recebemo-los contamos as nossas experiências de leitura, sugerimos leituras e recordamos as que fizemos quando tínhamos a mesma idade.
  Sobre a pesquisa, apresentamos as várias etapas, usando o já  muito conhecido Big 6.
  Aproveitaram todos, do mesmo modo, ouviram todos o que foi dito, perceberam o que foi dito? Claro que não. Mas, certamente, muito ficou para alguns. 
   É sempre gratificante, quando, no fim da sessão, nos vêm dizer que gostam muito de ler e que lêem todos os dias. Dão-nos conforto e fazem-nos sentir úteis.
   

30/10/2014

UMA BE ... JOANINA

  A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, sem qualquer dúvida, a mais bonita "BE" de Portugal e uma das mais bonitas do mundo é aqui apresentada pelo Professor Carlos Fiolhais



 

  Outra "BE" antiga, famosa e bonita é a Biblioteca Bodleian, da Universidade de Oxford. D. Pedro V, em 1854, visitou-a. Maria Filomena Mónica, no seu livro D. Pedro V, escreve sobre essa visita:


  Acima de tudo, admirou a riqueza de Bodleian, ...500 000 volumes. O que as autoridades não revelaram foi o facto de esta ter sido formada com base no riquíssimo espólio do bispo de Silves, saqueado, no séc. XVI, pelos soldados de Sir Francis Drake.

29/10/2014

HERÓIS NA BE


  Em 29 de outubro de 1959, Astérix surgia como BD, da autoria de René Goscinny e Albert Uderzo. Acompanhado do inseparável amigo Obélix, e do não menos inseparável Ideafix, tem vindo, desde então, a deliciar-nos e a ensinar-nos História. Geografia, costumes, tradições, culinária, moda, Música, etc.
   Outros heróis povoam qualquer BE, como:


                      
 





                      

                                                       

                                                       

e muitos, muitos mais.