15/09/2015

DU BOCAGE 250 ANOS

    José Maria Barbosa du Bocage, marinheiro, poeta, preso pela Inquisição e perseguido por Pina Manique, nasceu em Setúbal no dia 15 de setembro de 1765.                                     


                                        

   Dele recordamos um dos seus sonetos mais conhecidos, onde expõe o seu arrependimento: 
      
     Já Bocage não sou!... À cova escura
     Meu estro vai parar desfeito em vento...
     Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
     Leve me torne sempre a terra dura.

     Conheço agora já quão vã figura
     Em prosa e verso fez meu louco intento.
     Musa!... Tivera algum merecimento,
     Se um raio da razão seguisse, pura!

     Eu me arrependo; a língua quase fria
     Brade em alto pregão à mocidade,
     Que atrás do som fantástico corria:

     Outro Aretino fui... A santidade
     Manchei!... Oh! Se  me creste, gente ímpia,
     Rasga meus versos, crê na eternidade!
 
  O que haverá em comum entre Bocage, balões, Lunardi, Rómulo de Carvalho e ... Jorge Calado? Vejam o episódio de amanhã.

14/09/2015

O OURO DE MIDAS

  O Homem sempre procurou, traiu e matou por causa do ouro. Mas, como se pode ler em Haja luz!, A ironia é que o ouro não serve para (quase) nada. De facto, é demasiado denso e demasiado macio para ser útil, mesmo como adereço.


  O paradoxo da inutilidade altamente desejável do ouro é reforçado pela conhecida história do Rei Midas (...): Sileno, um beberrão consumado - mas também respeitado tutor de Dioniso - vagueava, perdido pela Frígia, quando foi levado à presença do rei. Este, porém, acolheu-o com galharda hospitalidade. Grato pelos favores concedido ao mestre, Dioniso resolveu recompensar Midas, satisfazendo-lhe qualquer pedido que ele fizesse. A escolha recaiu no dom de transformar em ouro tudo em que tocasse. Não tardou muito para que Midas percebesse que tinha requerido uma sentença de morte(para si e todo o reino). Ao menor contacto, o vinho, a comida, até a sua filha se transformavam em inertes estátuas de ouro. Aflito, o rei recorreu novamente a Dioniso que, para o libertar de tal maldição, o mandou banhar-se no rio Pactolo. A história acaba bem. Midas voltou a ser um rei normal e as areias do rio ficaram auríferas.

Water Crane, Rei Midas com a filha

13/09/2015

Viagens

  No final as férias, continua a ser agradável falar de viagens ou ler sobre as viagens de outros.
  Viagens pagãs, último livro de Fernando Dacosta, fala-nos do Douro, do Corvo, do Brasil, Norte de África, Angola e Moçambique.
  Do Douro, recorda a sua infância, figuras como D. Antónia, Barão de Forrester e lugares:

 ...sobre o Cachão da Valeira, nó de precipícios e fragas, onde centenas de pessoas e barcos, rabelos, de pesca, de passagem, se desfizeram.
  Ao chegarem perto, os marinheiros, hirtos, gelados, encomendavam-se a São Salvador do Mundo. O Barão pereceu nele. Inglês de suíças ruivas, milionário e pintor, pintor de uvas e aguarelas, James Forrester fez-se figura lendária do norte.
   Os seus cinturões de oiro, as suas amantes de exibição, os seus criados de libré, o seu barco-palácio erante, as suas ceias no convés, rio acima, as suas sinfonias e gargalhadas ecoando nas margens deram-lhe dimensões de mito. A nave de luxo e luxúria em que se deslocava tornou-se uma visão fantasmática.
   Numa noite de Lua Nova, asseverava Maria Bolota, dada a visões de Nossa Senhora e de extraterrestres, o seu casco levantou voo com o fantasma do inglês.
   D. Antónia Ferreirinha (outra figura de referência no Douro), que o acompanhava aquando do acidente, flutuou na corrente - as saias compridas, usava várias, apanharam ar, enfunando-se - e salvou-se.
   
  Fernando Dacosta será o convidado de À conversa com..., dia 18, pelas 21.30, na Biblioteca Municipal de Viana do Castelo.


12/09/2015

MAIS CANÇÕES

  Quando escrevemos A música na Guerra, como as canções são como as palavras e as cerejas, lembramo-nos de mais algumas que eram cantadas e se tornaram enormes êxitos.
    Lili Marlene conseguiu a proeza de ser ouvida e apreciada dos nos dois lados do conflito. A esta canção, um poema alemão de 1915, durante a II Guerra foram acrescentados versos e criada a versão inglesa. Apresentamos a versão original, cantada por Marlene Dietrich.


  A esperança de um reencontro feliz, em We'll meet again, com o refrão:
   We'll meet again,
   Don't know where, dont' know when.
   But I know we'll meet again, some suhhy day.


 Em França, esperava-se assim:

                                     




  Também sobre a separação causada pela guerra, Katyusha, composta por Matvei Blanter e  Mikhail Isakovsky.



 Mas, para ouvir mais, e saber mais sobre estas canções, podem ouvir o excelente programa da Antena 1 David Ferreira a contar... dos dias 2, 3 e 4  de setembro 


11/09/2015

D. H.

  Um dos grandes, e controversos, escritores de língua inglesa nasceu há 130 anos.
     D. H. Lawrence - David Herbert Richards Lawrwnce - nasceu em 1885, na zona mineira de Nottinghamshire, que tão bem vai retratar em algumas das suas obras. As dificuldades da família - pai mineiro e mãe operária fabril, apesar das  suas habilitações para o ensino, a desumanização das áreas industriais vão refletir-se na sua obra, para além da sexualidade sempre presente, o que lhe irá causar muitos dissabores, proibições de vendas e julgamentos.

                                                                                 

  A morte da mãe, em 1910, ano em que publica O pavão branco, afeta-o profundamente. A relação com a mãe e a dor da sua perda estão magnificamente descritas em Filhos e amantes, obra autobiográfica. Durante os anos da I Guerra, Lawrence instala-se na Cornualha, onde escreve dois dos seus mais conhecidos romances - O arco-íris (apreendido, depois de ter sido considerado obsceno) e Mulheres apaixonadas - e é acusado de espionagem, o que o leva a um exílio voluntário,viajando pelo mundo. 
  Em Itália, nos anos 20, escreve mais dois romances de sucesso que, de novo, lhe vão criar problemas e inimigos - A virgem e o cigano e O amante de Lady Chatterley. Este último, publicado nos Estados Unidos, em 1928, numa edição censurada, foi levado a tribunal, assim como a editora Penguin, em 1960, a fim de ser provado que se tratava de uma obra literária, apesar da linguagem usada, não mais obscena do que a que se pode ouvir, hoje, na rua ou em qualquer transporte público...
  As constantes viagens de D. H. Lawrence levaram à publicação de Lugares Etruscos e O mar de Sardenha.
   Com uma vida pessoal atribulada, saúde física e mental débil, casamento e divórcio de Frieda, amizades e outras ligações, D. H. Lawrencw morreu em 1930.
   Merece ser lido e a BE empresta O amante de Lady Chatterley.



10/09/2015

EMINÊNCIA PARDA

  A eminência vermelha, de ontem, fez-nos lembrar uma outra - a eminência parda.


   François Leclerc du Tremblay (1577-1638), frade Capuchinho, foi o braço-direito do Cardeal Richelieu, para quem criou uma rede de informações. Pela cor do seu hábito e pela sua importância, era conhecido como a Eminência parda, apesar do título de eminência apenas pudesse ser atribuído a um cardeal.
  Ainda hoje, o título de eminência parda é dado a alguém que, embora não tenha um poder direto, age por trás de quem governa, exercendo a sua influência.
  De Padre José, outro nome pelo qual também era conhecido, Richelieu dirá, aquando da sua morte:
 Perco minha consolação e meu único socorro, meu confidente e meu apoio.

09/09/2015

O CARDEAL

                     

  No dia 9 de setembro de 1585 nascia um dos homens mais influentes na Europa, com influência no governo francês mesmo após a sua morte. O Cardeal-Duque de Richelieu - Armand Jean du Plessis - tornou-se o todo poderoso chefe de estado do reinado de Luís XIII, preparou o seu sucessor - Cardeal Mazarino - e criou as condições políticas e económicas que permitiram o reinado esplendoroso Rei-sol - Luís XIV.
  Conhecido como a Eminência vermelha, pela cor das suas vestes de cardeal, Richelieu foi o criador da Academia Francesa e um protector e coleccionador de arte. No seu palácio, entre outras obras, podia admirar A Virgem e o Menino com Santa Ana, de Leonardo da Vinci, pinturas de Veronese, Ticiano e Rubens.
 Alexandre Dumas tornou-o uma das principais personagens de Os três mosqueteiros, descrevendo-o como poderoso, autoritário e sinistro.
 Richelieu desenvolveu a indústria francesa, criando pesados impostos sobre as importações, trazendo artesãos para França, sendo desse período, com as rendas italianas como modelo, a criação do famoso bordado Richelieu, base do não menos famoso bordado da Madeira.

                        

08/09/2015

O NOSSO PAPA

                              

    Pedro Julião (1215-1277) foi eleito Papa, o único português, segundo uns a 8 de setembro de 1276, outros a 20 do mesmo mês), com o nome de João XXI. Também conhecido por Pedro Hispano, foi ainda um notável médico, tendo começado os seus estudos em Lisboa e, mais tarde, em Paris ou em Montpellier. Para além da medicina, professor na Universidade de Siena, Pedro Hispano estudou teologia, lógica, física, metafísica e a dialética de Aristóteles.
  Conselheiro de Afonso III, arcebispo de Braga, escreve vários tratados sobre matérias tão díspares como um manual sobre a lógica aristotélica - Summulae Logicales -, que foi usada mais de 300 anos nas universidades europeias, um tratado oftalmológico - De oculo -,  Thesaurus Pauperum, em que trata de várias doenças e suas curas,  traduzido para 12 línguas. 
  No campo oftalmológico, segundo se conta, quando Miguel Ângelo adoece durante a pintura da Capela Sistina, é uma receita de Pedro Hispano que o cura.
 Durante o seu papado, continuou os seus estudos e experiências, pelo que costumava encerrar-se num edifício, em Viterbo, para trabalhar. No dia 14 de maio de 1277, o edifício ruiu, tendo João XXI ficado soterrado.
   Dante, na Divina Comédia, coloca a sua alma no Paraíso, junto a São Boaventura, referindo-se-lhe como aquele que brilha em doze livros, referência aos tratados que escreveu.
  

07/09/2015

O CHÁ


Vista Alegre


Chá, uma bebida fantástica. Quente ou frio, é sempre excelente. Uma teoria minha que é mais uma mania e que não vos sei explicar!! Não se deve beber nem mais de 5 nem menos de 3 chávenas por dia.
Um bom sítio que vende chás de todo o mundo é em Paris a casa  Mariage Frères. Uma casa de venda de produtos gourmet.




Têm uma  panóplia deles que até nos perdemos. Não podendo fisicamente estar lá, podem comprar pela internet, apesar dos preços dos portes que são caritos......
Façam uma visitinha.....
Henrique del Rio


06/09/2015

A MOSCA E A ARTE

   Nas muitas mensagens de correio que recebemos, nem todas são de trabalho. Há dias, recebemos uma mensagem que no assunto estava escrito - Brevíssima história da arte. Nela, uma imagem interessantíssima pela sua criatividade e simplicidade e que nos levou a pesquisar um pouco.
   Um homem, uma mosca e a luta do homem, armado de uma simples pá de plástico,  para se livrar dessa mosca importuna. Estes três elementos são usados de forma diferente para representar vários movimentos artísticos, começando pelo Realismo e acabando no Minimalismo.



 Marco Marilungo criou esses 16 postais para a Academia de Belas Artes de Macerata, que podem ser vistos mais em pormenor aqui.