10/10/2015

OS DIAS QUE NÃO EXISTIRAM

  Até 1582 regiamo-nos pelo Calendário Juliano, criado por Júlio César, em 46 a.C.
               

  A necessidade de fazer coincidir as celebrações da Páscoa com o equinócio da Primavera e à uniformização das datas em todos os países levaram à alteração do calendário existente e ao aparecimento do calendário gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII através da bula Inter gravissimas
  Em Portugal, a passagem para o novo calendário deu-se no reinado de Filipe I, que governava outros países europeus. Com o atraso na comunicação, e o acerto nas datas, os dias 5 a 14 de outubro de 1582 não existiram em Portugal, Espanha, Itália e Polónia...
 A Grécia apenas em 1923 adoptou o calendário gregoriano, sendo o último país a fazê-lo.
   Como curiosidade, apresentamos a origem dos nomes dos meses do ano:

   janeiro - Jano, deus romanao;
   fevereiro - Fébruo, deus etrusco da morte;
   março - Marte, deus romano da guerra;
   abril - do latim april:
   maio - Maia, deusa romana;
   junho - Juno, deusa romana;
   julho - Júlio César, imperador romano;
   agosto - Augusto, primeiro imperador romano;
   A partir de setembro, septem, sete em latim, os meses conservaram o nome que tinham no primeiro calendário romano:
   outubro - octo, oito em latim;
   novembro - novem, nove em latim;
   dezembro - decem, dez em latim.

  Para não nos esquecermos do número de dias de cada mês podemos recorrer à mnemónica já apresentada, ou aos nossos dedos, como exemplifica a gravura.
                                

09/10/2015

HUMPHRY DAVY

 Na semana em que iniciamos as nossas atividades inseridas no Mês da Biblioteca Escolar, trabalhamos com turmas dos 7º e 8º anos com o tema A Química e a poesia, onde referimos os poetas William Wordsworth, Samuel Coleridge e o químico Humphry Davy.


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Lord Byron, Robert Southey, Walter Scott, Samuel T. Coleridge, John Keats e Robert Montgomery, 1823 

  A este grupo, podemos juntar os outros desta fotografia, sobre quem Jorge Calado - Haja luz! - diz:

 Eram todos jovens. O mais velho, Wordsworth, não tinha ainda trinta anos, e o mais novo, Davy, pouco passara dos vinte. Na opinião Southey, o nosso químico era " um jovem miraculoso [...] ainda não tem vinte anos, nem se aplicou à Química mais de dezoito meses, mas já ultrapassou toda a gente a passadas de sete léguas; o seu nome é Davy [...] o jovem químico, o jovem tudo, o homem mais talentoso e menos pomposo que jamais conheci". 

  Humphry Davy (1778-1829) era um génio, um talento, já referido neste blogue, uma das suas inúmeras áreas da Química a que se dedicou:

 Quando Cottle perguntou a Coleridge como comparava Davy com os jovens talentosos de Londres, o poeta respondeu: "Davy come-os a todos. Há uma energia, uma elasticidade tal na sua mente que lhe permite agarrar e analisar todas as questões, levando-as às consequências mais legítimas. Na mente de Davy, qualquer coisa encontra o princípio da vitalidade. Pensamentos vivos brotam, como relva, debaixo dos seus pés". 

  Mas Davy não era apenas um cientista:

Em menos de um ano (1880), Davy, Southey, Coleridge e Wordsworth trocavam e corrigiam poemas uns dos outros. Southey, que passou duas temporadas em Portugal (o tio era o capelão inglês em Lisboa), encarregou Davy de, na sua ausência rever e publicar algumas das suas poesias. Wordsworth pediu-lhe para rever os poemas e corrigir as provas da segunda edição das "Baladas Líricas" (1800), uma obra conjunta com Coleridge que marcou o início do Romantismo na literatura inglesa: " Corrija tudo a que encontre falta na pontuação, uma tarefs para a qual, com vergonha o confesso, não tenho grande jeito.

  Fazem-nos sentir tão pequeninos...

08/10/2015

A GAVETA DE HEMINGWAY

                                                                      Nesta exposição há de tudo. Desde as chapas de identificação militar, a bilhetes de corridas de touros, até manuscritos originais das obras do autor

  A Biblioteca John F. Kennedy e a Morgan Library Museum vão organizar uma exposição com o "lixo" que  Ernest Hemingway deixou numa gaveta.
  O Jornal i, no artigo A gaveta que ficou por abrir, conta-nos a razão desse material estar guardado na Biblioteca John F. Kennedy e  toda história por trás dessa exposição.      
  Voltamos a lembrar o que aqui já escrevemos sobre o blogue Ephemera e ao destino que podemos dar aos "papéis" que não queremos guardar.

07/10/2015

A LEITURA PREJUDICA A IGNORÂNCIA

 Neste mês dedicado à Biblioteca, algumas frases  que circulam por aí, com o título  - A leitura prejudica seriamente a ignorância.

Isaac Israëls, Girl reading on the sofa, 1920

  Não podes comprar a felicidade mas podes comprar livros que é quase a mesma coisa.

   Suicida-se um dicionário sempre que escreves a letra K em vez de q.

   Se não sabes a diferença entre vês e vez é por que vês sempre televisão em vez de leres um livro.

  Quem fala com a boca cheia desculpa-se, o pior é quem fala com a cabeça vazia.

   As pessoas como os livros: com bons princípios.

Paula Costa

06/10/2015

DEBAIXO DE UM GUARDA-CHUVA

  Quando, há dias, pesquisávamos sobre a origem do guarda-chuva, deparamo-nos com a figura exótica de Jonas Hanway (1712-1786).

                                  

  Após a morte do pai, a família instalou-se em Londres, e, em 1729, temos notícias de que Jonas se encontrava em Lisboa como aprendiz. Não sabemos quanto tempo por cá andou, mas voltamos a encontrá-lo em Londres, em 1743, já com negócio próprio. Este negócio levou-o a viajar pela Rússia e pela Pérsia, numa viagem cheia de aventuras, com perda de mercadoria, rapto e fuga, que contou em livro. (Certamente que foi nesta viagem que tomou conhecimento do guarda-chuva)
  Fundador da Marine Society, fundação que ajudava os jovens marinheiros, Hanaway também se preocupou com a situação dos limpa-chaminés e das suas condições de trabalho. 
 Entre outras das suas lutas está a que levou a cabo contra a gorjeta e, mais mediática, a polémica que travou com Samuel Johnson sobre o chá. Johnson era uma apreciador desta bebida e insurgiu-se contra a opinião de Hanway, explanada em Essay on tea,  que a considerava prejudicial à saúde. 
  Mais infeliz, foi a sua oposição à naturalização dos judeus e o apoio que deu ao isolamento dos presos.

05/10/2015

A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA NO FEMININO


 Quando se fala no 5 de outubro - Implantação da República - mesmo quando ainda era feriado, recorda-se sempre os homens que o fizeram, como já o referimos aqui. Um grupo de mulheres que lutaram pela mesma causa é um pouco esquecido e pouco divulgadas as suas participações.
  Recorrendo ao livro Mulheres Portuguesas, de Irene Flunser Pimentel e Helena Pereira de Melo, transcrevemos:

  À semelhanca de Ana de Castro Osório


e de Carolina Beatriz Ângelo,


é republicana [Adelaide Cabete],


participando em 1908 na fundação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e integrando, a partir do ano seguinte, a sua direcção. O seu envolvimento foi tal que foi incumbida de, juntamente com Carolina Beatriz , de bordar em apenas vinte e quatro horas, as vinte bandeiras verde-rubras que foram hasteadas em 5 de Outubro de 1910.


  (O que teria acontecido se algum dos homens implicados soubesse bordar???)

  Uma das primeiras mulheres ... a intentar uma acção de divórcio com base na nova lei. é Clemência Dupin. (...)

                                             

 Quando é proclamada a República, encontra-se em Espanha, no seu «importantíssimo estabelecimento fabril de Badajoz». e oferece em sua casa, «para solenizar o inolvidável facto», um «opíparo almoço» (...) Ou, como dizia um jornal da época: E, reunindo todos os seus operários, fez arvorar a bandeira da República no edifício da fábrica, e deu-lhes um lauto jantar, que decorreu na maior alegria e animação.»


04/10/2015

O DIA DAS ELEIÇÕES

  O Sr. Joãozinho das Perdizes chega ao local de voto, com os seus homens:

 A barba por fazer, as melenas despenteadas, o lenço do pescoço solto, sem botões o colarinho da camisa, com as mãos metidas no cós das ceroulas, o chicote no bolso da jaqueta de peles, as botas enlameadas até o joelho, a ponta do cigarro ao canto da boca, o palito atrás da orelha, o chapéu sobre o óccipit, dois galgos adiante se si, e o inseparável Cosme quase «a latere», entrou no adro com ares triunfantes, sorrindo e piscando os olhos para o seus amigos e partidários, como para lhes fazer notar a numerosa procissão que o seguia a docilidade dos membros dela.
   Atrás vinham eleitores de Pinchões, velhos e moços, ricos e pobres, mas todos com um olhar tímido e estúpido, todos com movimentos enleados, todos com os olhos no caudilho, para saber o que deviam fazer; se ele parava a cumprimentar um amigo, paravam todos com ele, a direcção que tomava, tomavam-na todos a um tempo; apressavam ou demoravam o passo, segundo a velocidade que ele dava aos seus; se ria sorriam; se praguejava, tudo ficava sério. O cortejo parou à porta da igreja.
 O morgado passou a revista à sua tropa, à qual deu instruções.

 Os homens, com os cabelos para diante dos olhos, os braços estendidos e a cabeça baixa, não ousavam fazer um movimento e conservaram-se enfileirados até nova ordem do Sr. Joãozinho.

  Depois de várias peripécias eleitorais, como Brasileiro já a contar com a vitória:

 Adiantava-se lentamente, pálido, curvado, acabrunhado como nunca, o velho herbanário, a quem o braço de Augusto servia de apoio.
  Dir-se-ia um cadáver ressuscitado do túmulo.

 Com as faces pálidas, o olhar amortecido, os passos incertos, o herbanário adiantava-se, e trazia já de longe o braço estendido, segurando a lista que vinha lançar na urna.
  (...)

   O morgado das Perdizes, deveras afeiçoado ao herbanário, não teve

  O morgado das Perdizes, deveras afeiçoado ao herbanário, não teve mão em si, ao vê-lo assim doente e enfraquecido, que lhe não viesse ao encontro, dizendo comovido:
   - Ó tio Vicente! Pois nesse estado?!…
   (...)

  - Cala-te. Deixa-me passar, que quero, como homem desta terra, protestar contra a iniquidade que tu e os teus praticam hoje, apedrejando aquele a quem deveis tudo. Vendei-vos como cães, e ficai-vos com esse remorso; eu não o quero para mim.

  E o dia acabou em festa, com bombos e com a vitória de...



03/10/2015

ELEIÇÕES





 Logo pela manhã do domingo, marcado para a grande solenidade de civil, o adro da igreja paroquial apresentava uma animação fora do costume. Grupos formados aqui e ali conferenciavam, entreolhando-se com desconfiança, ou correspondendo-se por sinais de inteligência, conforme pertenciam à mesma ou a oposta parcialidade. Os agentes eleitorais, os influentes dos dois campos acercavam-se deste, apertavam a mão àquele, segredavam com um, batiam no ombro a outro, discutiam com um terceiro, e, sempre que era possível, distribuíam listas ao maior número.
 O brasileiro era a alma do partido governamental. O Tapadas capitaneava a falange do conselheiro. Pertunhas falava com todos, esfregando as mãos sorrindo. O regedor passeava com importância por entre os grupos, recomendava ordem e respeito às autoridades, e dava de olho aos cabos seus subordinados, para que se não esquecessem de cumprir as instruções recebidas, votando no candidato ministerial,
   Aproximava-se a hora, e principiavam os trabalhos para a constituição da mesa. O pároco, o administrador e o regedor fora, ocupar o seu lugar. Ficou presidente o brasileiro, e o resto da mesa formou-se entre as duas parcialidades.
    (...)
   
- Vencemos por uma maioria de mais de duzentos votos; verão!
    - Só a freguesia de Pinchões enche-nos a urna.
    - Estará bem seguro o morgado?
   - O Sr. Joãozinho!? Ora! Está de ferro e fogo contra o conselheiro.
  - Pois se te aparece! Depois daqueles mimos que lhe fizeram na taberna, e do que dele se tem dito no Mosteiro!...
   - Não é só por isso. Ele já estava do nosso lado, desde que soube que tinham deitado a baixo a casa do herbanário, e que o pobre velho já não se levanta da campa?
   (...)

  
  - E então para quê, senhores, para quê?- Continuava o Pertunhas.

 -Para fazer uma estrada em que se gastam rios de dinheiro, e que afinal não presta! Pois eu passei por a casa do herbanário há pouco, quero dizer por a casa do Augusto, que é onde vive agora o Vicente. O rapaz estava à porta. Então, Sr. Augusto, disse-lhe eu, vamos à urna, vamos à urna! Ele encolheu os ombros como quem diz: «bem me importa a mim com isso».
(cont.)

02/10/2015

AS ELEIÇÕES EM JÚLIO DINIS

  Júlio Dinis, n' A Morgadinha dos Canaviais, publicado em folhetim, nos jornais (1868), apresenta-nos uma sociedade nos extremos do Minho, com todos os problemas da época - a lei que proíbe os enterros nas igrejas, a civilização que rasga novas estradas e as eleições. Cria, também, fantásticas figuras como o tio Vicente, Bento Petrunhas  e o Sr. Joãozinho das Perdizes.

   
   Nessa pacata aldeia, os ânimos acendem-se no dia das eleições em que concorrem o Conselheiro Manuel Bernardo Mesquita e o brasileiro de torna-viagem, Eusébio Seabra.
  
Imagem do filme A Morgadinha dos Canaviais (1949). À esquerda, o Brasileiro 

  Os manejos dos amigos do conselheiro e principalmente do infatigável Tapadas conseguiram ainda resultados importantes em relação ao tempo em que principiaram a operar com mais energia. Algumas freguesias havia com que já se podia contar.
  A eleição porém estava muito arriscada ainda. O Sr. Joãozinho das Perdizes devia decidir a contenda. Para onde se inclinasse o morgado com todo peso dos seus comparoquianos, desceria o prato da balança.
  Contra ele pois assestou o conselheiro toda a artilharia; mas sem o menor resultado. O homem evitava subtilmente encontrar-se com ele, e aos seus emissários respondia com insolência. O Seabra pela sua parte nunca os largava, vigiava-o como um precioso tesouro, não se descuidava de o manter nas disposições hostis contra o conselheiro, com quem Henrique estava ligado. Depois disse-lhe que o conselheiro se gabava de ter dinheiro para comprar o morgado e toda a freguesia.
   O morgado, sob estas e análogas instigações, praguejava e jurava despejar na urna ministerial o sufrágio da sua freguesia.
  Assim pois todas as probabilidades eram a favor do candidato do governo, homem desconhecido deste povo, o qual também era desconhecido para ele, um empregado de secretaria, que nunca saíra de Lisboa e que era o primeiro a rir-se do campanário obscuro de que se propunha a ser representante; criatura dos ministros, que o desejavam eleger a todo o custo, por terem nele um voto complacente e um parlamentar de boa feição.

(cont.)

01/10/2015

MÚSICA E ESCRITA

  A Música é universal. E de/com tudo se faz Música. Neste Dia MUNDIAL DA MÚSICA, uma forma muito original de a fazer.
  Embora não seja uma novidade, 2011, mais um concerto Voces para la Paz.
    Divirtam-se. Venham à BE ver a exposição.